segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Interrogações.


Quando agimos com prudência, antes de nos envolvermos “pra valer” com alguém e quando agimos com medo, afastando as pessoas porque não saberíamos lidar com uma vida diferente da que temos? Hoje eu pensei na vida que nos força a mudar. Pensei em nós mesmos que nos motivamos sempre, buscando coisas novas, mas pensei, principalmente, do que evitamos mudar, mesmo sabendo que poderia ser a grande mudança de nossas vidas.

Ouvindo: Jaci Velasquez - Adore

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Há Tantos Anos...


Em nome de quem temos que sustentar uma decisão que tomamos há muitos anos? Como um casamento em que não sentimos mais paixão, mas que em nome dos filhos blá blá blá. Em nome do que ou de quem nos prendemos quando o desejo é outro?

Hoje li sobre os pensamentos de Kierkegaard. Quando ele fala sobre o estágio estético, quando vivemos pelo prazer e somente buscando o prazer (e lemos prazer no sentido de coisas agradáveis e não sexual), penso se não é assim mesmo que a vida deve correr. Como um compromisso que fazemos com nós mesmos assim que acordamos, jurando viver o dia da melhor maneira que pudermos. Mas não é egoísta tal pensamento? Se o nosso prazer é o alvo sempre, não corremos o risco de deixar pessoas machucadas pelo caminho? Talvez não seja em nome dessas pessoas que nos abandonamos em algum momento e não vivemos como queremos viver?

Kierkegaard fala também sobre o estágio ético, quando a vida nos força a tomar decisões marcadas essencialmente por uma vida coerente governada por normas morais. No casamento, por exemplo, deixamos a experiência romântica de lado, tão naturalmente, e passamos a viver um acordo econômico e social. Um pouco frio, eu sei. Mas todas as relações que observo são assim. E pode até ser que outras coisas compensem, mas custo a acreditar. Para mim, a realidade é que tudo muda com o passar do tempo e temos de agir como se não mudasse. E tenho medo sim de provar do veneno de minhas próprias palavras quando me casar, por exemplo (acredito que a negação de nossos desejos esteja em outras questões também).

A vida me surpreende sempre com pessoas que não vivem o que desejam viver. E se vivem, culpam-se tanto. O não viver é tão comum que já faz parte da vida. Uma triste ironia.

Ouvindo: Bon Jovi - This Ain't a Love Song.

Foto: Rio de Janeiro, minha última viagem.

sábado, 2 de agosto de 2008

Diálogos.


Passei na Subway para fazer um lanche, depois que saí da entrevista com o Caio Queiroz, idealizador da Reclicagem, empresa que trabalha com gestão e marketing ambiental. Enquanto as idéias fervilhavam em minha mente, tentando encontrar um ponto máximo do bate-papo para conduzir o texto, descansei meus pensamentos num casal sentado logo à minha frente.

Eles não paravam de se beijar. Que paixão! Eles não conversavam. É! Não os vi conversando durante o tempo que fiquei por ali, mais ou menos uns 30 minutos. Talvez eu goste de conversar mais que a maioria dos casais, sim. E eles me fizeram lembrar de alguns romancezinhos terríveis que já vivi. Meninos que nunca puxaram qualquer assunto comigo e só beijaram. Um horror!

O ano de 2008 tem sido para mim o ano da “não paixão”. Ainda não vivi uma grande história e acho que vou acabá-lo sem viver. Não escrevo com descrença não. Apenas tenho notado mais meus sentimentos e visto o quanto meus critérios para ter alguém ao lado mudaram. Ainda não sei se são exigências altas demais para um homem, mas sei que têm me feito bem.

Estou queimando sutiãs e proclamando a liberdade das mulheres poderem ficar sozinhas sem auto-recriminação. No mais moderno dos mundos que já se pôde viver, mulheres ainda permitem abusos contra seus sentimentos e expectativas para simplesmente não serem vistas sozinhas.

O ponto central deste pensamento não é o casal, porque a realidade deles pertence somente a eles e não tenho por predileção julgar pelas aparências. O ponto central deste pensamento é o amor que sinto por mim mesma, um amor que nunca foi tão recíproco, altruísta e saudável.

O dia que eu for fotografada numa lanchonete porque os beijos que darei chamarão a atenção, quero que alguém escreva sobre mim como uma luz no fim do túnel de que é possível ter alguém ao lado pela liberdade de escolha. Escolha de ser alguém independente de outra pessoa.

Ouvindo: Marvin Gaye – Dream Of A Lifetime.

Fotos: Tiradas na Subway.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Consciência.


Para quem gosta de observar pessoas, não há campo de pesquisa melhor que transporte público. Ônibus, trem, metrô. A quantidade de anônimos, e todos tão diferentes, é como uma vitrine daquelas docerias caras e aconchegantes, não sabemos o que/quem olhar.

Antes de entrar no trem, hoje, estive numa livraria. Olhei títulos que nunca havia pesquisado, sobre práticas e teorias espirituais. Não falo dos livros de auto-ajuda, mas os de religião mesmo, aquelas bem fundamentadas como islamismo, budismo. Num dos livros, li sobre como realmente somos mais felizes quando estamos conscientes de nossos atos, sentimentos e pensamentos.

Estar feliz... Quantas pessoas desejam isso e nem se deram conta de que procuram no lugar errado. E procuram até mesmo nas prateleiras das livrarias, como se ali estivessem receitas úteis a serem experimentadas. É interessante como cresce o número de títulos sobre a felicidade. Quase na mesma proporção que pessoas adoecem por não saberem onde encontrá-la.

Observando as pessoas no trem, pensei sobre os diversos tipos de vida que elas devem levar. Havia uma moça tão claramente melancólica. A minha frente um rapaz metido a conquistador, olhando para o mínimo da minha barriga que aparecia. Será que ele já conquistou um grande amor com aquele olhar? E o que havia acontecido no dia daquela moça para ela ter aquele olhar tão distante? Quem, ali, observava sua própria vida como se estivesse fora do corpo?

Descendo na estação destino, andei mais devagar, quis sentir cada passo dado, literalmente. Calcanhar, ponta dos dedos, calcanhar, ponta dos dedos. Senti como minhas mãos e meus braços se moviam naquele ritmo. O estado de consciência. O que eu pensava? Realmente é muito boa a sensação de viver.

Fotos: Tiradas no trem; arquivo pessoal.

Cenário.


"Estou dizendo que tudo o que vemos tem um pouco de mistério divino. Podemos ver o brilho desta alguma coisa num girassol ou numa papoula. Percebemos um pouco mais deste insondável mistério numa borboleta que pousou num galho, ou num peixinho dourado que nada no aquário. Mas o ponto mais próximo em que nos encontramos de Deus é dentro de nossa própria alma. Só lá é que podemos nos re-unir com o grande mistério da vida. De fato, em alguns raros momentos podemos sentir que somos, nós mesmos, este mistério divino."

Trecho do livro “O Mundo de Sofia”.

Indo para uma reunião de trabalho no final de tarde, notei a chuva ameaçando o pôr-do-sol. Uma cena linda! Não resisti e fotografei. Não saiu perfeito, só meus olhos captaram, mas dá para ver as cores em batalha.

domingo, 27 de julho de 2008

Mudanças.

Ele foi embora e me deixou com o último conselho: “algumas decisões que tomamos são para toda a vida, e você está nesta idade”. Ouvi o barulho da porta do carro se fechar atrás de mim e segui sem olhar para trás. Um alívio profundo invadiu meu corpo. Finalmente eu conseguiria pensar! Mas uma nuvem enorme não deixou de me acompanhar até agora.

Por que mudar é tão difícil? Não falo sobre mudança interior, mas a de vida mesmo. Casa, trabalho, estado, amigos, hábitos cotidianos. Na verdade, não sei se essas mudanças são tão difíceis para qualquer outra pessoa, mas para mim são. E como sofro só de pensar que vou acordar no sábado e não vou ter a ligação da Silvana perguntando nada, falando nada, nem acordando direito e já me procurando. Uma vida inteira foi assim. Acordando na mesma casa, andando na mesma rua, vendo como as crianças crescem, os jovens se casam e os velhos morrem.

Há cinco dias estou pensando como minha vida seria se eu acordasse, de um dia para o outro, em outra casa, em outra cama que não a minha que tanto amo, e saísse na rua e visse rostos completamente diferentes. A sensação imediata é de pavor. Mas e quando essas mudanças fazem parte do pacote do seu maior sonho?

A Silvana está indo para a Irlanda. Em menos de três meses não vou tê-la mais me acordando. Menos ainda andando comigo no Shopping interessada apenas em “caroçar”. A mudança dela tem afetado incrivelmente minha vida. E não consigo me lembrar de tantas outras pessoas especiais que saíram de perto de mim e que nem por isso minha vida acabou ou deixamos de sentir um amor recíproco.

A viagem da Silvana está movimentando minha vida. E como se Deus não se sentisse satisfeito de apenas me fazer pensar em meu próprio futuro, Ele está colocando propostas de mudanças irrecusáveis em minha mesa. Há cinco dias não durmo direito imaginando uma nova vida. Agora só não sei se me preparando para ela ou não. E lembro da Simone sempre dizendo “na hora certa você vai saber o que fazer”.

Sempre achei que conosco seria diferente, mas estou vendo que não. Mesmo as pessoas que mais próximas e impossíveis de nos deixar vão embora. Seguem seus próprios sonhos. E devem levar o nosso amor porque é assim que deve ser.

Ouvindo: Robson Fonseca – O Sonho de Deus é Maior.

Foto: Arquivo Pessoal.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Entrevista com Sérgio Morisson

Tive o privilégio de entrevistar o Sérgio Morisson para uma reportagem para o Comitê de Jovens Empresários da Fiesp. É sempre muito interessante cada entrevista, porque saber de pessoas, suas histórias e aspirações é enriquecedor, mas algumas personalidades superam as expectativas mais comuns. Com o Sérgio Morisson foi assim.

Já sabia de seu engajamento em iniciativas sociais – principalmente no campo da política. Lembro bem de uma reunião que tive, na própria Fiesp, quando comecei a freqüentar o grupo e ainda não conhecia muita gente, e fiquei ouvindo uma conversa dele com outras pessoas. Ele contava sobre o “encurralamento” que os seguranças do Maluf fizeram com ele, quando quis (e conseguiu) entregar um nariz de palhaço ao político. Ali eu já sabia que sua maneira de pensar, em relação a muitos assuntos, era bastante diferente.

Abaixo, publiquei a reportagem que escrevi.

“Quero que o social vire moda”


Depois de aventurar-se no mundo fashion como estilista, Sérgio Morisson, 32 anos, lança tendências que ultrapassam o consumo de roupas e acessórios. Sua coleção atual mostra a diversidade de caminhos para acabar com a desigualdade social.

Por Eliana de Castro

Em uma das paredes da Social Moda, um gigante mapa de São Paulo é pontuado com 500 alfinetes, representando os projetos sociais em atividade no estado. Uma seleção criteriosa e importante para o trabalho que a empresa desempenha. A Social Moda trabalha com marketing social, com o objetivo de criar e executar projetos que envolvam as organizações sociais e as iniciativas públicas e privadas. Um empreendimento fundamentado nos princípios e crenças de seu criador: Sérgio Morisson. Provocador, ele não tem medo de ir à luta por seus ideais ou dos outros, desde que sejam coerentes. É quando coloca o famoso nariz de palhaço e começa a gerar o movimento necessário para que as mudanças ocorram. “Quanto mais vejo coisas que me incomodam, mais eu acelero”. Sérgio sempre dá o primeiro passo e não se preocupa com o número de pessoas que vão com ele. Por exemplo, viajou sozinho para o Rio de Janeiro para protestar o caso João Hélio (preso ao cinto de segurança, pelo lado de fora do carro, o garoto foi arrastado por 14 ruas, no Rio de Janeiro, depois de um assalto, no ano passado).

Filho de empreendedores – seus pais são donos das Óticas Rangel e Morisson - Sérgio cresceu no universo luxuoso das classes A/AA. Trabalhou com a marca italiana LuxOttica, considerada a coca-cola dos óculos, conquistando uma condição financeira mais que satisfatória para um jovem de sua idade. Um dia, enquanto ia de uma loja a outra, com o Audi A3 que possuía, viveu a experiência que considera ser o divisor de águas em sua vida. Um seqüestro relâmpago o manteve preso por cinco horas, sob o comando de dois homens. “Comecei a entender que o universo no qual estou inserido é muito maior que o meu círculo de convivência”, conta. “O seqüestro não me revoltou, pelo contrário”. Pela própria história de seu pai, que foi tratorista de cana de açúcar, e os ensinamentos que sempre teve em casa, Sérgio nunca viu o dinheiro como um meio de alienação, embora somente depois do seqüestro tenha se dado conta do real papel de cada um no combate à violência – e leia-se todas as formas de violência. É no campo das idéias que Morisson atua mais, principalmente na política. “O Terceiro Setor só existe por ineficiência do poder público. Amargamos um ônus que não é nosso”.

Depois de um MBA em moda e da criação da primeira SM (Sérgio Morisson), em 2002 Sérgio experimentou o estilismo. Não satisfeito, pela exaustão do trabalho de desenhar, comprar os tecidos, modelar e fazer prova, redefiniu seu empreendimento. Em 2005, a SM (Sérgio Morrison) tornou-se SM (Social Moda). Uma empresa que criaria novas formas de fomentar o Terceiro Setor. Sérgio passou a desenvolver iniciativas sociais como a arrecadação de alimentos em raves famosas como Tribe e XXXperience e o movimento Rir para Não Chorar/ Nariz de Palhaço. Com princípios distintos, a Social Moda pratica o que discursa. Todos os funcionários vêm de ONGs. “Não quero formação em Harvard, prefiro pessoas que estejam no foco de atuação”, diz.

NOVO OLHAR:

Sérgio Morisson foi escolhido líder do Departamento de Responsabilidade Social do CJE por atuar no front. Sente-se apto a despertar a consciência do novo empresariado e fazer com que certos conceitos sejam entendidos de forma correta. Como agir e se expressar. Como fazer com que atitudes sejam coerentes com os discursos. Ele entende que pequenas ações hoje podem determinar um futuro caótico e que ninguém está isento de sofrer as conseqüências da desigualdade.

O Brechó Social é o seu novo projeto. Grandes marcas e celebridades empenhadas em converter parte dos bilhões gerados pela moda às iniciativas sociais. Não menos glamour, apenas mais consciência. Porque luxo hoje em dia é ter paz.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

O Mundo é Gay.



Eliana de Castro, 26 anos, jornalista, heterossexual. É. Agora me apresento assim. Isso porque – se é que eu tinha alguma dúvida – descobri que o mundo é gay. Nada contra! Já adianto. É que eu estava no Mc Donald’s hoje e observando todos, como sempre faço, a fim de buscar qualquer história interessante, notei que o número de casais que havia na lanchonete era absurdo. Mas só de homens gays. Quatro contra um, só na minha ala. Um paralelo: o casal hetero era lindo. A menina parecia uma boneca – e não aquela beleza sem graça. Não sei, era linda. Até eu namoraria com ela! E eles pareciam muito apaixonados.

E, minha inserção no mundo gay, porque cada dia o número de amigos gays cresce mais, tem feito minha mente divagar bastante analisando, observando e tentando chegar a qualquer conclusão sobre o que é se relacionar, o que é o amor, porque nos sentimos atraídos por alguém e blá blá blá. Perguntas que todo mundo faz e que ninguém responde – e manifesto minha indignação por livros que tentam explicar isso.

Não tenho nenhuma resposta. Nenhuma. Na verdade, não estou obcecadamente atrás de uma resposta. Acredito que a indiferença em buscar uma resposta ou, talvez, de pensar por pensar só aconteça pelo hábito intrínseco meu de pensar nas coisas. Pensar, simplesmente. Descobri que nem sempre o mais importante é chegar a uma conclusão. Hoje acredito que é muito mais divertido simplesmente questionar e deixar que o acaso, a vida, Deus, as pessoas ou você mesmo, daqui a um tempo, responda. Sem cobranças!

Três perguntas ficaram bem fortes: vale qualquer coisa que dê prazer? Ou seja, o prazer está primeiro lugar, não importa quem ou o quê o cause?, É possível amar alguém sinceramente ainda (hetero ou não?) e Mulher enjoa?

Ouvindo: Keri Hilson - Energy

Fotos: Arquivo Pessoal.

domingo, 29 de junho de 2008

Trilha.


Enquanto eu tomava cuidado para não cair, em meio a todo aquele mato e terra molhada, pensei que não existe nada melhor do que estar em boa companhia. Para dar risada, contar a mesma história tantas vezes, fazer piadas de coisas dolorosas como uma tentativa de tornar a vida mais leve. A nossa. A de nossa companhia. Ter alguém ao lado, seja quem for, faz sua vida não passar em branco, não passar sem graça, não passar depressa. E repare como tudo é mais lento quanto estamos em boa companhia. Quando percebemos, vemos que o tempo andou, andou depressa, mas só porque achamos, um pouco antes, que o tempo havia parado.

Na trilha que fiz, revi a trilha que criei de minha vida, onde percorri tantos pedaços cheios de lama, pedras, mas também com flores lindas e um ar puro que só fui capaz de sentir depois da descoberta simples de que só preciso respirar fundo. Antes de gritar, abandonar, desistir, parar. Respirar fundo antes de dizer algo importante só para passar mais segurança, respirar fundo antes de sorrir só para os olhos brilharem mais.

Não escrevi qualquer frase numa das árvores que encontrei pelo caminho como uma tentativa de mostrar a quem viesse depois que passei por ali. Porque eu vi algumas inscrições. Eu pensei, na verdade, se aquelas pessoas ainda se lembram do que viveram. Se ainda conversam com as pessoas que as acompanharam. Se ainda amam quem juraram ali amar até o último dia de suas vidas. Não que tudo tenha de ser eterno. Entendi que muitas pessoas escrevem para outras quando deveriam escrever para elas mesmas.

Pensei em escrever ali, mas preferi escrever com mais letras, mais sentimentos, mais significados que não caberiam numa árvore. E talvez nem no meu mundo tão infinito feito de papel. O que eu desejo escrever sobre qualquer pessoa que me acompanhe é algo ainda sem definição, porém algo conscientemente imprescindível para minha felicidade real, verdadeira e, sem dúvida, redundante.

Ouvindo: Johnny Rivers - Do you Wanna Dance?

Foto: Arquivo Pessoal.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Mr. Inalcancável.


Vontade de chamá-lo de Mr. Inalcançável. Aquele que não importa o que penduremos no pescoço, mas nunca chamamos a atenção. Eu só queria que olhasse para mim e quisesse se sentar ao meu lado. Um desejo simples. Sabe aquela pracinha no centro de nossa cidade? Eu fico ali sempre à sua espera. E sempre ponho o meu vestido preferido. E aquela água-de-cheiro que mistura aroma de saudade e de desejo ardente de ser feliz. Olho para os lados sempre e nunca vem. Fico mexendo meus pés para frente e para trás. Será que um dia me verá, me notará? Será que um dia conquistarei seu coração, menino?

Um dia vai se sentar ao meu lado. Olhar a lua comigo. Puxar qualquer assunto. Tomar um sorvete de limão. E não será mais o Mr. Inalcançável. Será o meu amor.

Ouvindo: Vitor e Leo - Tem que Ser Você.

Foto: Arquivo Pessoal.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

P.S. de Minhas Cartas.



Estou ensaiando algumas palavras para dizer. Porque sempre arrumo pretextos para dizer. Nem sempre ensaiados. Nem sempre tão sem objetivos. É uma necessidade quase vital dizer o quanto você é importante para mim. É talvez um medo de precisar de uma certeza, de um alguém que nunca te abandonaria, que nunca negaria um corpo para esquentar seus dias frios de dor ou solidão. Longe. Perto.

E volto algumas idéias para elaborar melhor. Desisto de outras por achar tão piegas o amor, em alguns momentos. Momentos como este que ensaio o que na vida deve ser mais espontâneo: o amor.

E a certeza que tenho de sentir o que sinto é tanta que ouso temer o que seria de você sem meu amor. E não quero parecer dona do mundo. Ou sua dona. É que não penso quem poderia fazer tão parte de você além de mim. Porque me adapto a você e aos seus sonhos sim, mas mais ainda porque não quero que seja ninguém mais além de você.

Em qualquer situação da vida ao meu lado vai ver que a observação final será o meu amor. Como um lembrete de que muitas coisas ruins poderão acontecer, mas que nada mudará a essência, o princípio. É a P. S. de todas as minhas cartas.

Ouvindo: Natalie Cole – I Told You So.

Foto: Cenas do filme "P.S. Eu Te Amo". O retrato de minhas histórias, do que acredito ser o amor, do que desejo para mim sempre, do amor que sempre dou e quero receber. Sem medo.

domingo, 15 de junho de 2008

Tipos.


Falando de filmes com o Bruno, ele tentou por alguns minutos lembrar de um que, segundo ele, era a minha cara. Hummm. Qual poderia ser. E eu pensei em alguns gêneros, para ver se eu achava um. Um entre aqueles filmes super reflexivos, que tem um fundo moral impressionante. Esses sempre são filmes que me empolgam. E o que o Bruno quis lembrar, claro.

Estive no Dream Fashion Tour - mega evento que mixa desfile de moda, música e bate-papo com personalidades do mundo fashion. Fui a trabalho, acompanhar os garotos da Fábrica de Criatividade que abriram o show do Marcelo D2. Muito minha cara esse tipo de evento. Tudo o que eu gosto num lugar só. E foi muito interessante a experiência.

Cheguei cedo, por volta das 19h. O evento começaria às 21h. Duas horas esperando nos bastidores. Como sempre levo um livro para qualquer lugar que eu vá, não foi tão torturante a espera. Sentei-me num almofadado enorme nos bastidores e ali deitei, sentei, lendo.

Consigo apostar que muitos que passaram e me viram ali se perguntaram se eu sabia onde estava. Não estava bem vestida - um tênis, uma jaqueta, um jeans básico. É. Não poderia ser reconhecida como um tipo fashionista. E foi aí que comecei a notar algumas coisas. Há os fashionistas e os "tipos" fashionistas. Havia muita gente linda, que se vestia impecavelmente e que dava para notar que fazia parte dela mesma a arte de bem vestir. Mas havia algumas pessoas que se vestiam para ser notadas, dava para sentir no olhar, como se não pudessem se sentir "existentes" sem olhares voltados para si. Esses são os que considerei tipos fashionistas.

Amo moda. Amo. Sou leitora fiel da Vogue! Mas confesso que senti um profundo incômodo em estar ali. Ouvi conversas, percebi gestos e posturas frente aos camarins dos artistas que deixaram com uma sensação de vazio. Não sei. Não gostei. Mas entendi. É o melhor dos mundos. O da aparência. Quem dera não fosse só aparentemente.

Questionei minha paixão por moda. E o Bruno, em seu comentário, aliviou-me. "Putz, qual é mesmo o nome do filme?". Eu imaginei onde ele queria chegar e respondi "O Diabo Veste Prada". "Isso, sua cara. Uma mina estilosa, mas sem ser fútil, inteligente e tal". Sosseguei. E virei mais uma página da Vogue deste mês.

Ouvindo: KT Tunstall - Suddenly I See.

Fotos: Dream Fashion Tour - Edição São Paulo - Via Funchal.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Humor.

Estudos para obra “Linhas, Formas e Gestos” feito com nanquim sobre papel vegetal.

Estudos feitos com tinta látex sobre tecido para obra “Linhas, Formas e Gestos”.

Sinceramente? É estranho ainda (e isso tem acontecido muito) ouvir que sou engraçada. Adoro minhas próprias piadas, assumo, mas ainda tenho dúvidas da autenticidade do meu bom humor. E isso não pode soar engraçado!

A Marcella acabou de me ligar. Uma garota que conheci não tem nem uma semana, num almoço com a Katy Corban, depois do evento “Abraço ao Parque Trianon”, liderado pela Katy, organizado pela FIESP, na última sexta-feira 6 de Junho. Enviei a ela o convite do show que vamos realizar da Banda “Bazar Pamplona” e ela foi muito elegante ao explicar o motivo de não poder comparecer. O que chamou sua atenção, na verdade, foi a minha forma de responder ao seu e-mail. Na ligação, Marcella comentou que estava no escritório ainda (mais de 21h) e estava de “saco-cheio”, resolvendo conversar com uma pessoa engraçada. Eu?No domingo, quando a Maire ligou do Rio de Janeiro perguntando como tinha sido o sábado, respondi que resolvi dormir cedo porque eu me sentia chata. “Chata, você?”, disse ela. Não?

O mau humor freqüentou minha casa (myself) por muitos anos. E eu o reconhecia já como morador (convidado ou não, bem vindo ou não). Lembro-me que perguntava a mim mesma se um dia seria diferente (porque eu realmente queria que fosse), mas não tinha a menor perspectiva de que uma mudança acontecesse.

Hoje, recebi um e-mail da Kelly Sampaio, amiga carioca que fiz numa viagem ao Rio em 2005. Neste e-mail estava escrito uma frase que me chamou a atenção: “Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez”. Isso!O que eu nunca tinha feito era olhar a vida como olho hoje. Porque a beleza realmente está nos olhos de quem vê. E a graça também!

Ouvindo: Celine Dion - That's The Way It Is.

Fotos: Exposição "Delineamento Urbano", do Artista Plástico Márcio Moreno, que abriremos na Fábrica de Criatividade neste sábado 14 de Junho.

sábado, 24 de maio de 2008

Mandy


Tantas coisas aconteceram na última semana que nem sei como começar este texto. Mas deu vontade de escrever mesmo sem um assunto específico, sem contar qualquer história empolgante que vivi. Quero falar sobre a música linda que ouço agora e que me faz viajar em pensamento para tantos lugares... É uma canção de Barry Manillow, chamada Mandy. Ela está sempre entre as músicas mais bonitas do mundo. E não poderia ser diferente. Ela é sensível, tranqüila, reflexiva, romântica, intensa. É a música que qualquer pessoa deseja ouvir no momento em que se encontra quieta, sozinha.

Descobri essa música há muito tempo, quando um amigo, Wagner Belmonte, me emprestou uma coleção de CDs com as “Melhores Músicas de Todos os Tempos”. Lembro que ele falava que essa música tinha cara de praia em dia chuvoso. Nada mais lindo! Melancólico a primeira vista somente. Voltei a ouvi-la, depois de tantos anos, nesta semana, na terça-feira. Estava ao lado de uma pessoa que não me conhece muito, ou nada, para ser mais franca e, de repente, comecei a falar dela, como me sinto ao ouvi-la, certamente deixando o rapaz com uma sensação estranha, mais ou menos parecida com “essa garota é louca”.

Em todo momento que paro para ouvir meus sentimentos e pensamentos ouço músicas sensíveis e lindas como essa. Olhando a madrugada pela janela ou escrevendo conectada a um milhão de pessoas que vivem solidão coletiva. Pelo prazer que poucos sentem em ficar a sós com o mais íntimo de nós. Porque eu amo estar comigo, me ver por dentro, me rasgar, chorar, rir, sentir o que Deus me permitiu sentir, porque a graça maior da vida é poder sentir. Não posso dizer que Mandy é o meu retrato porque ela é sofrida, dolorosa. Trata de um amor perdido. Mas o sentimento do Barry ao cantá-la tem a ver comigo. Ele transfere para a música a verdade de um momento. E eu tenho vivido isso: momentos muito verdadeiros, que tenho transformado em belas histórias.

Ouvindo: Barry Manillow – Mandy.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Sobre a Rosa Colombiana


Tudo o que plantamos colhemos. Tudo. Não há nada que não volte. Seja uma palavra, um gesto ou pensamento.

Mania de ligar o computador e checar mensagens. Não sei se minha vida profissional tão corrida me deixou assim, mas não paro um segundo. Conecto, desconecto. Conecto, desconecto. Nesta tarde, sem pretensão, conectei e vi um e-mail diferente. Há dois anos me encantei por um rapaz que treinava na mesma academia que eu. Lindo. Lindo. E foi recíproco até certo momento. Um dia, só para tornar tudo mais cinematográfico, resolvi dar uma rosa colombiana para ele. Mesmo adorando, como sei que adorou, ele se afastou. E não vou escrever sobre as inúmeras possibilidades que o afastaram. O foco deste texto é outro.

Abri o e-mail e li uma mensagem simples, porém linda. Ela me fez pensar na verdade de que, nunca, nunca, nunca, qualquer pessoa esquece um gesto/palavra que saiam sinceramente do coração. No íntimo, sempre soube que toda vez que ele visse uma rosa colombiana, pelo resto de sua vida, ele se lembraria de mim, porque a força (energia) daquele gesto foi intensa demais (“Rosa Colombiana” virou uma crônica e fará parte do meu primeiro livro). Uma certeza muito minha e sem qualquer pretensão de ser comprovada. Mas este e-mail, dois anos depois, comprovou e fiquei tão, mas tão feliz!

É bom demais não irmos contra nossas vontades, por mais que na hora a resposta não seja a que tanto desejamos. Ele lembrou de mim porque viu a foto acima. E a observação final do seu texto para mim foi “Sim, são Colombianas..rs”. Emocionei-me!

Ouvindo: Sara Bareilles - Gravity

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Qual o Fim de Tudo?


Há alguma razão maior que nos faça viver intensamente cada segundo que a certeza da morte?

O ritmo do meu dia ia frenético como todos os dias quando uma ligação me fez parar de respirar. Era o Everton. Fiquei feliz, porque sempre é sinônimo de cinema. Mas não desta vez. Senti sua voz triste. Depois de perguntar o motivo, ele desabou a chorar. “Minha filha está morrendo, Li”. O que senti não sei exatamente. Só sei de uma confusão. Impotência. Vontade de sair correndo para encontrá-lo e abraçá-lo o mais forte possível. Vontade de não acreditar que ele estava vivendo uma situação tão dolorosa.

Os trabalhos com o Balé da Cidade de S. Paulo começaram ontem também. Tudo tão lindo. Sensações tão contrárias. E uma vontade louca de dormir, porque havia passado a madrugada inteira escrevendo para a FIESP. Vi o dia nascer. Pensei nas pessoas que tanto amo, para algumas até escrevi. Pensei em tanta coisa, tanta coisa! Chequei mais uma vez (como faço todos os dias) se realmente estou vivendo minha vida. Se não a deixo passar sem graça. E fiz a incansável pergunta: “qual é o fim de tudo?”.

A filhinha do meu amigo se foi. Ficou em mim tanta coisa. Algumas ainda eu nem sei dizer. Mas uma sim: Deus me deu a chance de conhecer o êxtase. E o que chamo “êxtase” é a sensação inenarrável de qualquer coisa vivida plenamente. Quantas vezes posso sentir isso por dia?

Ouvindo: Frank Sinatra – My Way.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Dois Lados


O que é tão aterrorizante para quem ama, capaz de fazê-lo mentir e negar o amor, quando os olhos não dizem outra coisa?

Uma vez amei assim. Tão forte e tão capaz de me destruir. Destruiu-me, na verdade. Fez-me fazer coisas que nunca pensei que faria, de bobas, infantis. Ele era tão talentoso, tão bonito, tão capaz de seduzir todas que me enlouquecia só o pensamento de não tê-lo um dia. Mas tal pavor me fez perdê-lo, porque nenhum amor menor que a capacidade de acreditar em si mesmo como sendo um bom amante/companheiro é suficientemente capaz de agüentar as inseguranças naturais de um romance.

O que nunca imaginei é a dificuldade de estar do outro lado. Nunca imaginei como minha grande paixão se sentiu em relação a mim. Ele deve ter passado muitas horas pensando em como me ajudar, como me fazer acreditar que eu era especial. Mais! Ele deve ter pensado no quanto poderíamos ter sido felizes se eu não odiasse tanto a mim mesma a ponto de não acreditar que eu o faria feliz simplesmente por ser eu. Ele pode ter me olhado muitas vezes e desejado me abraçar, com conforto, e resistido porque o abraço não me faria crescer.

Difícil para quem sofre, para quem faz sem querer outro sofrer. Aterrorizante é não se sentir capaz de fazer o seu amor feliz.

Ouvindo: The Temptations – Nigth And Day

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Vespeiros


Sei falar tão bem sobre mim mesma e meus sentimentos porque passei muito tempo comigo mesma.

O primeiro encontro foi num sábado pela manhã, no Parque Ibirapuera. Frente ao lago, eu perguntei “o que será de você se seguir adiante assim?”. Respondi franca e diretamente: “infeliz”. Nada mal para um primeiro diálogo. Hoje é engraçado ouvir que sou tão habilidosa para falar de sentimentos porque nesse dia, há tantos anos, pensei que nunca chegaria ao ideal da minha vida. Equanimidade. Palavra bonita. E eu lembro sempre da Simone dizendo – enquanto estudávamos física – que ama o conhecimento por achá-lo bonito. “Eu não entendo nada, mas é tão lindo de ouvir”. Equanimidade. Era lindo ouvir essa palavra, mas o que realmente significava?

Equanimidade na prática é ser distante. O distanciamento é fascinante! Falar sobre os próprios sentimentos é fácil quando você faz-de-conta que ele é do seu vizinho. São técnicas, claro. E viver “distante” não quer dizer viver fora das emoções, dos momentos, das pessoas. Não! É só ter a sensação de não ser você o “centro das atenções” quando qualquer acusador interno começar a falar. Pelo menos comigo essas vozes foram terríveis. E “foram” porque hoje sei conversar com elas.

Quando eu tive a chance de escolher não mexer no vespeiro do meu íntimo, percebi que viveria pela metade, porque a outra parte seria tomada pelas vozes censuradoras. E foi uma escolha difícil cutucar as vespas. Mas vê-las voando para longe, em algum dia de céu azul da minha história, também foi tão...Libertador.

Ouvindo: Faith Hill - There You'll Be.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Velho? Novo?


É bom quando o velho permite que o novo chegue. Quando a mistura é interessante, quando as diferenças não fazem a menor diferença.

Resolvemos (Paula e eu) fazer uma festa de aniversário para o Naldo (meu professor de break), na minha casa, no sábado à noite. Quando eles chegaram (Paula e Naldo), a casa estava cheia – detalhe: os convidados não conheciam o aniversariante. O que tinha tudo para ser constrangedor e inquietante foi divertido e aconchegante. Tadeu, na hora dos parabéns, soltou um “é pique, é pique, é Hip, é Hip Hop”, convidando com criatividade meu novo amigo a integrar de vez à turma. Daniela, com seu sorriso arrebatador, tentou cumprimentá-lo com um ar meio de “mana”. Sem falar, como sempre, das palhaçadas da Silvana.

Depois de três filmes, muitas risadas e sessão de fotos, refleti, olhando para o teto do meu quarto, antes de pegar no sono, quase com o dia amanhecendo, que a paixão essencial da minha vida é se relacionar. Com as diferenças, com os autores dos livros que leio, com os parceiros de dança (que podem durar uma vida ou uma noite), e comigo mesma. E os melhores relacionamentos são aqueles que eu não tenho a obrigação de classificar. Eles existem e ponto. Causam-me sensações inenarráveis e ponto. Fazem-me rir e ponto.

Virei para o lado, fechei os olhos e tentei não pensar em mais nada. Só deixar a sensação agradabilíssima dos laços afetivos invadir meu corpo e me desligar. Esses laços que não são velhos nem novos, quando são verdadeiros.