domingo, 10 de maio de 2009

Reino Efêmero.

Notei uma aglomeração diferente em frente à minha agência bancária, na Avenida Paulista. Um pouquinho ao lado há uma banca de jornal e a “fonte” do tumulto vinha dali. Como estava com pressa, e ultimamente não ando nada curiosa, não quis saber e entrei para resolver o meu problema.

A resposta veio depressa. Outra moça entrou na agência e “passou um rádio” para um amigo. “Você não sabe quem está aqui, a Priscila do BBB”. Claro! Só poderia ser algo assim.

Sempre sou sensível às celebridades rápidas, vindas do nada, sem um talento específico ou trabalho. Isso não é um complexo, não, não é. É um incômodo porque estudo tanto, me esforço tanto para que o meu trabalho, os meus projetos e eu mesma como pessoa não sejam ocos por dentro, não sejam uma camada fina de gelo quando embaixo é só água e bem gelada...

A gostosa da vez é ela. E eu gostaria de saber como ela se sente.

O mundo é dos espertos e ela terá, agora, um bom tempo para fazer sua vida. Para o que for, mostrar o que for, ser o que quer que seja. E eu tento entender, com minha limitada capacidade de pensar, como tudo será para ela, como foi para outros, quando os holofotes forem para outra pessoa. Outra gostosa da vez.

Terminei de ler “Marilyn e JK”. A narrativa conta sobre o caso do presidente Kennedy (ou dos Kennedy) com a fenomenal Marilyn Monroe. O livro é interessante, bem escrito, com frases curtas que tornam a leitura rápida, acelerando também sua curiosidade. E em todo o tempo eu me perguntava como Marilyn se sentia sendo tão cobiçada. Como aquilo não a incomodava de algum modo, porque não pode ser bom despertar tanta cobiça sexual. Quando não se tem mais alguma coisa a oferecer do que a beleza, a “gostosura” não pode ser algo bom. Ou pode? Talvez eu diga isso porque eu não saiba o que é ser desejada por todos. É. Pode ser sim.

Em nenhum momento no livro há qualquer frase dela se questionando. Nenhum desejo de ser vista de outro modo. E talvez ela realmente nunca tenha querido.

Pensei, ao final da leitura, que a beleza é mesmo um reino efêmero, como disse Platão, e que essa rapidez não está somente no curto tempo da juventude, mas na rapidez como as pessoas te desejam e também na rapidez como se esquecem de você, porque nem sempre sobra algo de você nelas.

Ouvindo: Stevie Wonder – Isn’t She Lovely
Imagem: Marilyn Monroe.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Aborto.


Tenho tantos questionamentos quanto à maternidade. Sempre, sempre, sempre tento imaginar se eu conseguiria fazer algum mal a um filho meu. E, mesmo tendo quase certeza de que não viverei isso, quando me imagino na situação, só consigo me emocionar imaginando uma loirinha pequenina, toda vaidosa, dançando por uma casa qualquer, que imagino ser minha também.

Eu não tenho mãe. É duro escrever isso, mas talvez eu tenha que começar a colocar essa verdade em letras. Assumir a ausência desse amor na minha vida. Entender que no lugar desse amor há a loucura de uma mulher que me cobra algo que não sei se tenho a pagar. A mulher que se diz minha mãe não me desejou, mas permitiu que eu viesse ao mundo. Ela me deu o direito de viver, mas se arrependeu, porque hoje cobra caro de mim.

Tenho pensado em começar a escrever sobre isso sem nenhum tipo de pudor. Um livro, talvez. Algum tipo de material que me permita olhar, depois, e ver que não há mais nada dentro de mim que precise sair urgentemente, para que eu não morra.

Ouvindo: Michael Jackson – Stranger In Moscow

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ponto G.


Hermínia Pires mandou-me este texto. Uma continuação do meu pensamento sobre o modo mais eficaz de um homem tirar a roupa de uma mulher. É um texto de Martha Medeiros.

Vou dedicar ao meu querido Mad Zoo.

"Ah, o Ponto G. Esse paraíso secreto que leva os homens a explorações minuciosas. Tanto trabalho por nada. Não temos um Ponto G, mas dois, um em cada lateral da cabeça, e não é preciso tirar nossa roupa para nos deixar em êxtase. Falem, rapazes. Digam tudo o que sentem por nós, assim, assim...assim.

Concordo com a autora de A Casa dos Espíritos: o melhor afrodisíaco é a declaração de amor. Não aquelas mecânicas, faladas no piloto automático, mas as verdadeiras, sentidas, aquelas que os homens imaginam que basta serem ditas com o olhar e com as mãos, mas que fazemos questão de escutar, também com a voz. “Como eu gosto de estar com você, como você é linda, esqueço do tempo ao seu lado, que horas são? Já? Que me esperem, não consigo desgrudar de você, amor.”

Caetano Veloso vendeu um milhão de cópias do seu último disco e tenho certeza que não foi por causa de “vou me embora, vou-me embora, prenda minha...” e sim “ por que você me deixa tão solto, por que você não cola em mim?”

As feministas mais ortodoxas devem estar bufando. Tanta coisa pra se exigir de um homem: mais espaço na política, mais ajuda em casa, salários iguais e nada de gracinhas no escritório, e vem essa daí clamar palavras! Pois essa daqui acha tão interessante a idéia de igualdade entre os sexos que adoraria vê-los soltar o verbo como nós fazemos, expressar os sentimentos sem medo de ser piegas, afirmar e reafirmar diariamente como a gente é importante para eles e que saudades estavam do perfume do nosso cabelo. Clichês em último grau, reconheço, mas quem quer ser moderna nessa hora? Tudo o que se reivindica é o desbloqueio emocional masculino. Nossos hormônios saberão como agradecer."

Ouvindo: Michael Jackson - Human Nature
Imagem: Da Internet.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Personificação.


Como fashionista, tenho optado estranhamente por passar despercebida. Trabalhando agora na Avenida Paulista – para mim uma das maiores passarelas urbanas do mundo – teria todas as razões para andar impecável. Mas não tenho feito isso. Nem sido o que estou observando as mulheres serem. Saltos altíssimos, roupas da moda, cabelos lisíssimos. O retrato perfeito da mulher executiva-moderna, aquela que não pode sentir medo, chorar e que sabe tão bem quanto um homem liderar, fazer e acontecer.

Esse período como anônima tem sido muito bom. Estou observando coisas que não observaria se estivesse também no estilo. Quantas mulheres forçam uma imagem de poderosa e quantas realmente são? E como é uma mulher poderosa?

Distraída, refletindo tudo isso sozinha, reclusa, ao voltar do almoço tive uma surpresa. Uma das mulheres mais estonteantes – para mim, certamente – bem ao meu lado. Linda! Esplendorosa!Marília Gabriela. Como ela adivinhou meus pensamentos?

Sua imagem é forte demais. Elegantemente vestida e tão alta, ela é a personificação da mulher poderosa. E pensei ali, diante dela, que mesmo que sua roupa fosse medíocre e seu carro não ostentasse também tanto poder, ainda sim ela seria. Paralisei.

Curiosa – e contando com um dia de trabalho um tanto monótono – vasculhei algumas coisas sobre ela na Internet. E no primeiro artigo que li, ela fala sobre solidão. Que sente a solidão, vive a solidão e que aprendeu a ser o homem e a mulher.

Depois que ela entrou em sua mercedez e seguiu, descendo a Haddock Lobo, nos Jardins, eu segui mais cheia de mim, peguei a “rabeira” de sua aura inabalável.

O que faz uma mulher poderosa? Talvez, a ausência do medo. Ou o constante desafiar.

Ouvindo: Marvin Gaye – Let’s Get It On

Imagem: Marília Gabriela.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Indulgência.


Quando a autocrítica é como uma navalha afiada a alma não consegue ser o que deveria ser. Traços sem sentido e profundos marcam e nunca mais somem. Por que maltratamos nosso coração e nos julgamos com tanta crueldade? Quando fazemos mais por outras pessoas que por nós mesmos, quando não temos autocompaixão ou amor a ponto de nos colocar no colo nos tornamos cruxificadores do Deus que mora em nós. Mas que tendência humana é essa?

Ouvindo: Tempestade – Família Soul
Imagem: Da Internet

terça-feira, 7 de abril de 2009

Habilidades Masculinas.


Enquanto esperávamos o pedido, Mad Zoo segurava carinhosamente minha mão. Seu jeito tão forte, imponente e direto encheu-me de segurança, fazendo evaporar todo o mau humor que eu sentia, devido à chuva que havia tomado e aos pensamentos que estavam ainda em erupção.

Eu, vulcão, entrei novamente em atividade ali, naquele restaurante. Fatiei o frango frito e os meus pensamentos, dissecando-os diante da única pessoa que poderia me dar algumas respostas – por ser alguém que não tem medo de me chamar de louca, decepcionante e de me fazer voltar ao mundo real. O que foi exatamente o que ele fez.

Mas não vou escrever sobre o assunto mastigado ali. Vou escrever sobre ele.

Toda mulher merece jantar, domingo à noite, com um homem como ele! É qualidade de vida! Alguém que anda pela rua colocando-se sempre ao lado esquerdo; alguém que ao atravessar, subir, descer ou virar coloca a mão em sua cintura para guiar o caminho; alguém que pede o cardápio e escolhe (e escolher sempre é muito importante); alguém que olha em seus olhos enquanto conversa; que quer realmente saber sobre seus sentimentos e não acha uma perda de tempo tentar entender a natureza deles e que, claro, não deixa passar qualquer chance de dizer que você é uma mulher muito interessante. Enfim, um homem que se abandona e que só tem um objetivo, jantar sua aura.

Alguns homens passam a vida inteira tentando tirar a roupa de uma mulher enquanto outros conseguem fazer uma mulher tirar a roupa sozinha, de forma tão espontânea e inconsciente, que elas quando percebem... Mad Zoo, para mim, é um desses homens.

Não tirei minha roupa para ele, já esclareço. Ele é um grande amigo de quem sou devota, por sua história pessoal e profissional, seu talento e sensibilidade. É que sua personalidade é tão interessante que decidi escrever sobre o assunto e chamar os homens a pensarem um pouco em suas abordagens. Um homem que transforma uma agitada, neurótica, ansiosa, nervosa, mal humorada em uma doce, engraçada e interessante mulher em segundos é merecedor de um texto, uma música e até um livro.


Ouvindo: Sara Bareilles - Gravity

Imagem: Da Internet.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Sobre a Raiva.


Foi o Rafael Brito que me acordou para esta verdade: a raiva me faz crescer! Contrariando (só um pouco) os malefícios que este sentimento causa às artérias do coração, a raiva é uma mola propulsora poderosa em minha vida. E eu consigo identificar, em segundos, passos importantes ou decisões que mudaram rumos da minha história, partidos desse sentimento.

Abre parêntese: esses dias, arrumando minhas coisas no guarda roupa novo, encontrei uma reportagem que fiz sobre o assunto quando eu ainda estava na faculdade, o que prova o quanto sempre me preocupei com a possibilidade de enfartar devido algum acesso de raiva. Fecha parêntese.

Não sei o motivo, mas sei que é real. A raiva me faz conquistar o inconquistável. E, dependendo da situação, me liberta de inúmeros outros sentimentos que para mim são ainda mais angustiantes como a dúvida, a insegurança e a sensação de prisão que sempre tenho quando algo não está resolvido.

Essa motivação não é uma forma de fazer a pessoa (ou a situação) me engolir, propriamente dito, mas de desafiar-me à verdade, triste verdade, que muitas vezes deixamos de crescer por acreditarmos que não podemos ou não conseguimos.

Para mim, a lógica é a seguinte: odeio ser desafiada. Fale que eu não sei, não sou ou não consigo. Detona dentro de mim uma bomba que explode preguiça, medo ou pudor. Porque decidi escrever sobre isso? Não sei ao certo. Apenas queria expressar que os sentimentos fazem bem, mesmo quando aparentam ser completamente inúteis.

Ouvindo: True Colors (ao vivo) – Cyndi Lauper.

Imagem: Raphael Tito, Rio de Janeiro. Talento para a fotografia que sempre me deixa sem palavras. É um gênio para as artes, com sensibilidade aguçada para sentir, viver, experimentar. Uma imagem.

terça-feira, 31 de março de 2009

Novo.

Aprendendo a amar a manhã. A sentir vontade de acordar com a cidade. A amar como o dia e não como a noite. O dia ama normal, comum, arduamente porque precisa sobreviver. A noite ama iludindo, incendiando, confundindo. Aprendendo a amar o sol que me acorda, não o que me esperava já no auge de seu esplendor. Aprendendo a crescer como o dia e a esvaziar-me, quando a noite vem. Aproveitando a noite por quem sempre fui apaixonada.

A felicidade encerra meu dia. Uma sensação de que o dia e a noite trouxeram-me encantos. Deus que fez o dia e a noite. Que me fez para amar os dois e respeitar suas diferenças.

Aprendendo a encerrar o dia mais cedo. Acreditando que o amanhã, antes do sol nascer, me despertará. Abrindo-me para o novo. Aceitando o novo. Vivendo o novo.

Ouvindo: Vem Me Amparar – Família Soul

Imagem: CD e DVD Família Soul. Mesmo eles estando em minha vida há tanto tempo, mais uma vez eles representam o novo, uma nova fase, novos quereres e sonhos.

domingo, 29 de março de 2009

Transição.

Comecei a ler Comer, Rezar e Amar. Um livro que resisti bastante – já que sempre o vi na lista dos mais vendidos – mas que nunca quis ler por qualquer razão que não sei qual é. Mas como tudo tem um sentido, um significado, sei que não haveria momento melhor para lê-lo que agora.

Sou Aquariana, como toda legítica aquariana, os questionamentos são uma das minhas características mais fortes. Como preciso de explicação para tudo! Como preciso entender cada engrenagem que faz a minha vida acontecer. E como é difícil ser assim. Quase sempre penso que poderia ser tudo melhor se eu apenas soubesse aceitar.

Este livro, embora eu ainda esteja no começo, tem me mostrado o que uma mulher, com os mesmos questionamentos íntimos que os meus, conseguiu fazer com sua própria vida. Para o bem e para o mal. E como realmente não existem coincidências – me deparo no mesmo ponto que ela esteve quando decidiu mudar tudo.

Mais uma vez o amor não deu certo. Mais uma vez me perdi num mar de sentimentos confusos sobre minha história (família, passado, presente e futuro). Mais uma vez me vi diante de uma mudança radical profissional. As voltas que a vida dá em todo mundo e que poucos sabem levar com tranquildade.

Embora eu esteja realmente me cobrando muito algumas respostas e apostas arriscadas frustradas – como uma legítima aquariana – também estou me dando o direito de sentir cada sensação, boa e ruim, e de quase sempre me sentir louca.

Elizabeth Gilbert, a autora do livro, um dia se viu infeliz no casamento porque sua única vontade era a de ser livre, viajar, sentir, viver aquelas sensações que poucas pessoas realmente lutam para viver. Não deixar a vida passar, como eu costumo dizer. E ela foi em busca de sua vida, fazendo coisas impensáveis.

Eu, que estou às vesperas da maior loucura da minha vida, ir até à Inglaterra para ver um show, estou me sentindo assim. Encerrando algumas fases – com dor, sim – mas encerrando para entrar em outra certamente muito interessante – embora em alguns momentos eu tenha dúvida disso.

Acredito que preciso não buscar tanto as respostas e nem me arrepender tanto das apostas. Acredito que preciso encontrar mais sonhos pequenos para ter razões para lutar todos os dias e só. Continuar comendo com paixão como sempre fiz, rezar um pouco mais e não desistir do amor, mesmo que quase sempre ele parece tão indecifrável para mim.

Ouvindo: Simply Red – Stars

Imagem: Da Internet.

sábado, 14 de março de 2009

O Que é um Princípio?


A Simone Sarmento leu o último post e escreveu-me contando um pouco suas impressões. Ela questionou-me: o que é um princípio?

Segundo o dicionário, princípio é uma “regra que se funda num juízo de valor e que constitui um modelo para a ação”. Essa regra é quem diz “faça” ou “não faça”. E ela parte, penso eu, do mais profundo de nosso coração.

Uma das regras da minha vida é sim acreditar nas pessoas. Entendo, baseada em minhas próprias experiências, que não há nada mais acalentador que saber que alguém confia e acredita em você. E porque sei que isso é fundamental para mim, imagino ser para muitas outras pessoas. E, para algumas outras, talvez seja a única razão para se viver – saber que há outra pessoa fielmente ali, ao lado, que em nenhum momento deixa de ter fé em você.

Acredito que nossa vida deve ser fundamentada num conjunto de regras que façam sentido para nós. Nossa existência se torna mais significativa se constantemente nos lembramos do que acreditamos fielmente. É a forma mais segura de voltarmos ao eixo, quando alguma coisa em nossa vida sai do lugar.

Esse exercício nos ensina que, a partir do momento que reunimos nossas crenças, moldamos nossos pensamentos, nos tornamos um ser vivo. E viver, em toda a sua plenitude, deve também ser um princípio.

Ouvindo: Maybe Tomorrow – Stereophonics.

Imagem: Livraria Cultura, um dos meus lugares preferidos.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Por Que Somos?

Descobrir quem somos não é a parte mais difícil. É sim descobrir por que somos. Porque amamos, odiamos, sentimos medo, não aguentamos de felicidade ou de desespero. O que desencadeia cada sentimento? O que nos faz criar universos paralelos? Sentada ali, diante daquele lago, pensei em tudo isso. Tentei encaixar o que saiu do lugar e me fez sofrer. O grande princípio da minha vida foi posto à prova por mim mesma e não passou.

Confiar no outro. Confiar nas palavras do outro. Princípio. Porque eu acredito que recebemos o que damos e eu sei dar confiança. Mas falhou. Questionei em qual momento eu perdi o meu maior bem: a capacidade de acreditar. Revi, ali, cada experiência em que a minha capacidade de acreditar foi impressionantemente milagrosa. Em algum momento da vida deixamos nossos princípios sem nos dar conta?

Ouvindo: Michael Jackson – Man In The Mirror

Imagem: Parque Ibirapuera, no momento da Dança das Águas.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Lembranças Livres.


Sempre vou à uma livraria quando me sinto só, sem resposta, triste, à procura de uma saída (embora eu também vá quando estou alegre, cheia de vida). Meu inconsciente interpreta cada livro como uma pessoa cheia de conselhos prontos a serem repassados. E eu precisava de uma resposta, uma direção. Foi quando peguei um livrinho pequenino, colorido, cheios de conselhos simples, a maior parte composto apenas de uma frase. Como se fosse um oráculo, abri numa página aleatória e o conselho: “Diga com mais frequência: vamos apagar tudo e recomeçar”. Meus olhos se encheram de lágrimas e senti que não adiantaria prender qualquer lembrança.

Assim como as pessoas, os sentimentos e as lembranças devem ser livres. E qualquer tentativa de prender, sustentar, que seja por pouco tempo, faz com que o fluir da vida, das relações, alterem o seu ritmo natural, comprometendo a espontaneidade. E que importância tem qualquer coisa que não é espontânea? Consigo pensar que nada, absolutamente nada.

Ouvindo: Rain – Madonna.

Imagem: Madonna, no video de Rain.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A Origem do Medo

Deitei na cama, estiquei a mão e apaguei a luz. Só quis ouvir o som do piano de um concerto qualquer de Chopin. Respirei o mais fundo que pude e tentei refletir sobre a origem do medo. Algumas gotas de chuva caiam lá fora. Madrugada. A sós comigo. O medo mais primitivo me alcançou. O medo do abandono. Ainda respirando lenta e profundamente, viajei alguns anos de volta ao passado, voltei ao útero de minha mãe quando estava prestes a sair, quando faltava alguns segundos para eu nascer. Ali, entendi que seriam inevitáveis as separações e que eu só precisaria ter coragem suficiente para esta primeira, o momento de cortar o cordão umbilical, porque dali em diante a separação seria algo comum.

Saí. Cheguei ao mundo. Cumpri o meu primeiro protocolo: chorei. O cordão foi cortado e aí, a origem do medo do abandono. Senti a dor de agora. A mesmíssima dor. Voltei ao meu quarto e decidi adormecer. Não há o que fazer quando o medo surge. Talvez, apenas escutar um belo concerto de piano e viajar em pensamentos. Quando voltamos, a dor é sempre menor. Talvez porque lembramos que mais difícil foi sentir a primeira vez.

Ouvindo: Bruce Springsteen - The Wrestler.

Imagem: O Grito - Edvard Munch.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Samambaia.


Enquanto eu arrumava as folhas da samambaia que comprei para a sala da minha casa, pensei em meus sentimentos. Decidi comprá-la porque queria tornar mais alegre o lugar onde moro, o lugar onde deveria ser o meu porto seguro. Troquei a cortina e o tapete. E a samambaia foi o que determinei ser o ponto vital de tantas mudanças. Pensei que se houvesse alguma coisa com vida, que pudesse simbolizar tudo o que está decididamente mudando em minha vida, eu me sentiria mais motivada. Como se a vida dela dependesse da minha.

Enquanto a mulher que me vendeu a planta me explicava como teria que regar, cuidar, percebi que o mesmo tenho que fazer com meus sentimentos. Eles só poderão ser saudáveis se eu cuidar com carinho de mim mesma. A minha samambaia me ensinará muito sobre o amor. Fará eu perceber que nada vem sem dedicação sincera e constante. Um dia de cada vez. Degrau após outro. Paciência comigo mesma. Compaixão comigo mesma.

E agora sentada, olhando as pequenas mudanças na minha sala, noto que é errado parar o olhar na parede que precisa de reforma ou no piso que já perdeu o brilho. O tapete e a cortina novos já são importantes mudanças e tenho que curti-las. Assim como ter vivido um dia tranqüilo é motivo de comemoração. Cada sentimento tranqüilizando-se é motivo de comemoração. Porque tudo é um processo. E a tão almejada felicidade não está no fim, mas no processo. Não está na minha samambaia com folhas enormes, caídas e verdíssimas de daqui a alguns meses, mas no seu tamanho pequeno, tão sensível e em processo de mudança de agora, que preciso perceber a cada dia.

Ouvindo: Ray J – One Wish

Foto: Minha Samambaia.

Dedicado a Raphael Tito.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Flores da Borda.





Uma garoa fina e um frio fora de época deixaram o clima bastante pesado neste último sábado 27. Enquanto eu me dirigia ao Campo do Pantanal, para acompanhar a apresentação do “Flores da Borda”, espetáculo criado por Cláudia Palma, bailarina da Cia 2 do Balé da Cidade de São Paulo e alunos da Fábrica de Criatividade, relembrei alguns momentos que vivi na Fábrica de Criatividade em dias tristes e fechados como este sábado. Acompanhar o crescimento de um projeto como esse é inenarrável. Não consigo transcrever o tamanho do orgulho - muitas vezes da frustração e raiva também - mas muito mais do orgulho que sinto.

Não tem como ignorar sentimentos fortes ao entrar num campo de futebol que serve uma comunidade fechada no Capão Redondo e ver um palco lindo, iluminado e profissional e saber que ali vão se apresentar bailarinos profissionais, de uma das melhores companhias de dança do país. São os muros sendo derrubados pela arte, pela vontade de fazer diferente e de fazer bonito, porque a arte e a beleza são para todos.

Quando nossos alunos entraram, não teve como conter a emoção. Tão profissionais! Seus rostos concentrados. E mesmo sabendo que seus corações batiam muito forte, era impossível quebrar a seriedade do que construíram com tanto trabalho.

Ali, como a jornalista da casa, como alguém que ajuda a gerenciar, entendi o que me moveu há quase quatro anos. Uma visão divina encheu meu coração de força e me ajudou a tornar real o ideal de tanta gente. Viver e celebrar a diversidade. Apreciar e experimentar o novo. Apertar a mão de pessoas diferentes e entender que o que importa é acessível a todos.

Ali, junto aos meus amigos que constroem diariamente a Fábrica de Criatividade, me senti preenchida. Periferia produz arte digna de manchete em jornal.

Ouvindo: Bee Gees - How Deep Is Your Love.

Fotos: Espetáculo "Flores da Borda", de Cláudia Palma.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Mudei de Idéia.


Mudei de idéia. Hoje não penso mais que algumas grandes mulheres são solteiras porque são independentes. Descobri isso numa conversa descompromissada e descontraída com minha amiga Adriana Rodrigues por e-mail. Fazemos isso quando estamos entediadas com nossos trabalhos. São conversas rápidas. Ler a seguir:

Adriana:
Sei como é ....mas acho que seria legal alguém por perto pra cuidar as vezes..
Será que você não esta passando para os rapazes que você tem contato, um ar de eu cuido de minha vida sozinha... Independência demais? Sei lá... Tem rapazes que acabam ficando com receio, medo de um fora...

Eliana:
Isso sempre foi uma característica muito forte em mim, e ficou incrivelmente mais acentuada de uns tempos para cá, quando me resolvi comigo mesma, com minhas frustrações familiares. Depois que me tornei mais centrada e segura, tudo ficou melhor, inclusive minhas relações amorosas. Um dia eu achei que isso atrapalhava, hoje não acho não. Hoje acho que isso é uma grande desculpa de homem que não tem coragem de viver uma vida bacana a dois. E quem topa - todos os meus amores desde então – sabem que vale a pena. E quando falo de vida bacana a dois é a vida sem cobranças ridículas, sem comodismo característico de casal que não busca viver experiências diversas junto.
Eu já encanei pacas com isso, achando até que eu tinha que me diminuir para não assustar o bendito. Hoje não penso assim. Todo mundo tem o direito de ser quem é e pena de quem não sabe lidar com isso. E foram, inclusive, pessoas como o Luis Fernando, o próprio Rafael hoje, que me fazem pensar assim. Assustar, assusta, mas esses homens se assustam com qualquer coisa. Hoje sou mais leve, mais divertida, mais agradável, consigo fazer com que qualquer pessoa se sinta bem ao meu lado. Eles acabam até esquecendo a independência.

Ela ainda não me respondeu. E penso correr o risco de ler aquilo que não vou gostar, porque essa auto-estima me faz pensar mesmo nessa dinâmica que envolve a insegurança masculina. Mas estou muito certa disso. O grande segredo agora dos relacionamentos é a leveza.

Ouvindo: Vanessa da Mata – Amado

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Imbecilidade.


Joguei-me no sofá neste final de domingo e liguei a televisão. Na Record, passou o filme “Escrito nas Estrelas”. Um romântico. Já havia assistido há alguns anos. Uma frase de um personagem, contudo, me fez pensar no conflito mais antigo e mais atual de minha vida. “Tente fazer o melhor e vai ser considerado um imbecil”.

Não é de hoje que busco em minhas relações um nível elevadíssimo de ética e transparência além, muito além do que as pessoas entendem ser ética ou transparência. Hoje, aos 26 anos, acredito ter conseguido com 90% das pessoas, 90% de sucesso. É um número muito satisfatório. Muito. Porque observo outras relações ou quem está entrando em minha vida e noto como é difícil ser relaxado, ser seguro quando o assunto é confiar. E para que uma pessoa se sinta bem, quase sempre dedico um esforço que me faz parecer uma imbecil. E, hoje, mesmo com tantas histórias lindas para contar, consigo pensar se o caminho é mesmo esse: esperar que o meu sincero sentimento alcance.

Eu sei que ele no final sempre alcança. Sei. E parecer uma imbecil não é tão ruim assim quando penso que posso ensinar o outro a viver melhor com seus sentimentos. Só que isso de vez em quando (e ainda) sangra. E nessa hora ponho na mesa, como sempre, todas as minhas dúvidas, crenças, missão de vida e limites. Olho para tudo e peso.

No final, nunca mudo de idéia. Continuo pensando que acreditar e dar chance são sempre os melhores caminhos. E acho que não vou mudar de idéia ainda.

E é engraçado perceber que só preciso escrever um pouco ao som de uma música linda para entender que tudo, tudo está nos olhos de quem vê. Imbecil é quem vê imbecilidade em buscar sempre o melhor.

Ouvindo: Keith Urban- I Wanna Be Your Everything

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Preço.


Hoje me perguntaram se eu faria sexo anal por R$ 1 milhão. É o sexo mais horrível que posso imaginar. Longe de mim condenar, até porque não posso dizer que dessa água não beberei, mas acho tão, tão estranho. Para mim, ali é um lugar que foi reservado somente para o Exit. Há alguns dias venho pensando o que eu faria de muito impossível por dinheiro? Todo mundo tem seu preço? Sexo eu sei que é bobagem. Todo mundo faz de graça e esse papo de “vender o corpo” é bem esquisito. Ainda não sei pelo que me venderia, mas estou pensando.

Ouvindo: That's The Way It Is - Celine Dion

Foto: Foi a Lua mais linda que já vi. Muuito grande. Tirei no Parque Ibirapuera.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Rumos.


Há alguns dias tenho pensado no rumo que minha vida tem tomado. E pensado se realmente é este o caminho que quero seguir. Senti medo de olhar para trás, daqui a alguns anos, e descobrir que em algum lugar me perdi. O que eu acredito. As pessoas que realmente são importantes. O que escondi de mim mesma? Hoje passei em frente à escola que estudei quando criança. Fui tão, mas tão feliz ali. Decidi que quero voltar lá em dia comum para olhar cada canto que passei. Não é saudosismo, é experiência importante para se viver bem. Recordar o que foi bom. E do jeito que for possível resgatar.


Ouvindo: O Amor é Mais – Rafael Brito

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Interrogações.


Quando agimos com prudência, antes de nos envolvermos “pra valer” com alguém e quando agimos com medo, afastando as pessoas porque não saberíamos lidar com uma vida diferente da que temos? Hoje eu pensei na vida que nos força a mudar. Pensei em nós mesmos que nos motivamos sempre, buscando coisas novas, mas pensei, principalmente, do que evitamos mudar, mesmo sabendo que poderia ser a grande mudança de nossas vidas.

Ouvindo: Jaci Velasquez - Adore