terça-feira, 28 de setembro de 2010

30 Dias Depois.


Estou sentindo falta de um agito. O último, o salto de paraquedas, foi incrível e eu achei que ia sair como uma louca fazendo tudo o que queria, mas que nada. Com uma de minhas melhores amigas na área, depois de dois anos na Irlanda, o mês foi só casa/ trabalho/ trabalho/ casa. Somos vizinhas, então, nos vemos todos dos dias quando chego e ficamos o restante das horas conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo, como nos velhos tempos.

Só que agora, me deparando com a falta de movimento na minha rotina - estou lendo o Blog da Joyce Pascowitch, o que faz com que qualquer pessoa com a vida mais agitada do mundo se sinta numa monotonia – estou a pensar que há exatos 30 dias não tenho uma experiência marcante. Como 30 dias passam e não percebemos? Como um ano inteiro passa e não conseguimos contar nos dedos de uma mão as coisas incríveis que aconteceram? Fora as preocupações que tomam parte desse tempo, o que mais nos ocupa?

Criei uma conta extra no Gmail para escrever para mim mesma – quando não tenho um amigo para desabafar – e para guardar coisas que recebo. Passando por lá para dar uma limpeza revi alguns e-mails que enviei para alguém (com cópia para esse arquivo secreto) e dei muitas risadas. O caso x era tão urgente naquele mês, e eu precisava tanto de uma solução, no bom e velho estilo Eliana de Castro de sentir tudo exageradamente, que o caso x ainda permanece em minha vida.

Se dedicássemos menos tempo tentando resolver “problemas” que só precisam de tempo para por si só se resolverem e nos empenhássemos mais em planejar uma viagem, quem já teria dado a volta ao mundo? Não estou contra o autoconhecimento e a troca, que acho importantíssimos para o crescimento pessoal, mas até que ponto é saudável falar, falar e não agir?

Os 30 dias simbólicos deste texto podem ser uma vida desperdiçada, um casamento desgastado que nunca teve um pico de emoção ou um trabalho que apenas paga as contas. Quando 30 dias viram 30 anos?

Ouvindo: Ne Yo – Miss Independent.

domingo, 26 de setembro de 2010

Mudança de Planos.

Sempre li e ouvi que devemos chegar onde planejamos. Nunca perder o foco. Aconteça o que acontecer, temos que alcançar a meta. Mas se pararmos no meio do caminho?

Correndo forte e concentradamente percebi que havia dias que eu não deixava tantos sentimentos evaporarem numa corrida. Notei a tensão dos meus pensamentos e sentimentos impulsionarem meus passos de tal forma que em certo momento achei que fosse desmaiar de cansaço, embora eu não estivesse cansada.

Em determinado trecho, diante de uma paisagem linda, cheia de árvores e aquele perfume rústico de madeira, decidi desacelerar até que parei num quiosque bastante simples. Meu squeeze tinha caído na lama e senti que não poderia seguir sem água. Pedi à senhora que atendia para lavá-lo e enquanto isso aproveitei para sentar e simplesmente observar.

Não havia nada demais para ver, a não ser meus próprios pensamentos. Prosseguir? Parar? Tentar mais um pouco? Desistir? Valeria a pena ou tudo o que penso ser interessante não passa de mera ilusão?

Não queria mais correr. Estava tão bom ficar ali sentada que permaneci. Sem pressa para decidir, sem me importar com o que qualquer um poderia pensar já que eu não comia nada, não falava com ninguém, apenas olhava.

Ali, pensei se realmente temos que ir adiante com todos os planos. Não falo dos planos que ficam para trás pelo comodismo, pela distração. Aqui falo dos planos que em alto e bom som damos por encerrado. Sem arrependimentos, sem medo de seguir para outro desejo que talvez nem esteja ainda claro.

Pedi um pão de mel que parecia delicioso e segui o restante da rota andando. Leve, deliciando-me com aquele doce e com a sensação que me envolvia, notei que tudo pode parar a qualquer instante. E que a falta de controle sobre inclusive o que determinei para mim mesma há cinco minutos é real não só em minha vida, mas principalmente na vida do outro. Um outro que pode abalar minha segurança fortemente.

Se a melhor forma de sentir segurança é viver constantemente inseguro, pois nunca viveremos a sensação de o chão se abrir diante de nós, é saudável mudar de ideia a qualquer instante? O que, afinal, é garantido?

Ouvindo: Stalemate – Joss Stone

Foto: Embu das Artes – Foto Odele Souza.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Incêndio e o Tempo.

Olhei para a Roberta Milani e comentei “acho que vai chover, o céu está escuro”. Da minha mesa é possível ver parte do céu, entre alguns prédios. Continuei olhando até que notei que algo estava estranho. O céu escuro eram nuvens muito pretas, anúncio de algum incêndio. Descemos até o estacionamento e nos deparamos com um imenso e cruel incêndio na Favela do Real Park.

Não consegui assistir aquilo tão de perto, tanta destruição e rápida destruição. Quando voltei à minha mesa, o fogo havia se alastrado tanto que já era possível assistir de camarote. Arrepios profundos surgiam em meu corpo. Todos os meus problemas sumiram. Famílias inteiras não tinham mais nada. E acima de qualquer perda material, muitas delas não possuem agora sequer esperança de um recomeço.

Quando troquei a frase do meu MSN para “Incêndio. Muito triste. Deus esteja com todos”, imaginei que muitos ali, vítimas, devem estar se perguntando: “onde está Deus?”. Pergunta tão antiga quanto o próprio fogo. Ninguém consegue responder com precisão o papel de Deus diante das tragédias.

Quando acordei, coloquei uma música antiga, linda, e cantei de olhos fechados por alguns segundos: Meu Jesus, Salvador, outro igual não há/ Todos os dias quero louvar as maravilhas de Teu amor/ Consolo, abrigo, força e refúgio é o Senhor/ Com todo o meu ser, com tudo o que sou sempre Te adorarei/ Aclame ao Senhor toda a Terra e cantemos/ Poder, majestade e louvores ao Rei/ Montanhas se prostrem e rujam os mares ao som de Teu nome/ Alegre te louvo por Teus grandes feitos/ Firmado estarei, sempre Te amarei/ Incomparáveis são Tuas promessas pra mim.

No momento que tragédias como essa passam diante dos olhos, qual a sensação que deve permanecer? O que entendemos ser Deus ou em que/quem nos seguramos quando tudo falha? Esperar que nossa própria vida mude para mudarmos nossos pensamentos e sentimentos pode ser por demais arriscado. Como o fogo que queima sem piedade e destrói tudo rapidamente, o tempo também não espera até que nos sintamos preparados para viver, sentir ou fazer. A vida mais uma vez é agora.

Ouvindo: Melody – Ray J.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A Vida é um Instante.

Todos sorriam para a foto. A noiva, o noivo, os pais da noiva. O pai da noiva – numa cadeira de rodas preso ainda pelas sequelas de um AVC – quando me viu abriu o sorriso mais incrível. Senti-me privilegiada. Pelo sorriso, mas muito mais pelo significado do sorriso. Um homem naquelas condições para sorrir tão espontaneamente precisa se sentir seguro. Que segurança, contudo, eu preciso para sorrir?

A festa seguia. Mulheres em seus vestidos longos, homens com suas gravatas já afrouxadas. Comida, bebida, sentimentos variados de felicidade (dos noivos), de sonho (dos que desejam casar) e de nostalgia (de quem um dia pensou que todos os dias seriam como o dia do casamento).

Sentada à mesa, observava todos. O pai da noiva ao meu lado esboçava o mesmo sorriso. Feliz ao meu lado. Eu feliz ao lado dele. Enquanto eu comentava trivialidades com uma amiga sentada à minha frente, notei que ele estava ligeiramente com sono. Segui esperando alguma novidade para me sentir parte daquela celebração. Não estava feliz, não tinha um sonho, nem nostalgia.

Dois segundos. Minha amiga chamou minha atenção para ele que de repente despencou os ombros e os braços. Levantei para tentar ajeitá-lo na cadeira de rodas. Corpo duro. Um instante. Minutos depois alguém o pegou desmaiado e o colocou dentro de um carro rumo ao hospital. Noiva em prantos, família suspensa entre o medo e a desilusão de não terem o direito de uma noite de conto de fadas.

Sentei-me, depois do primeiro tumulto consolando quem eu poderia consolar. Senti-me parte daquela celebração ali. Estava no lugar certo na hora certa. Acredito tanto que a vida é um instante e que nenhum sorriso deve ser guardado que não hesitei, quando entrei e os vi todos tirando a foto, em olhar para ele e falar entusiasmadamente: a próxima foto é nossa! Foi quando ele sorriu.

Ouvindo: Foolin’ Around – Usher

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Pensamento Acelerado.

Não é fácil ouvir sobre nossos defeitos. Fere nosso ego e a primeira reação é achar que quem está nos acusando é um canalha. Mas quando vemos alguém que supostamente age como nós paramos para pensar: “será que João está sendo/fazendo o que o José disse que eu faço sempre e não percebo?”.

Quando vemos no outro nossos próprios defeitos não dá vontade de sair correndo gritando? Pela verdade de que somos pessoas muito mais complicadas do que supomos e pelo trabalho escandaloso de mudar de postura, de pensamentos.

Eu sou a única pessoa no mundo que não pode julgar outra por criar universos paralelos. Mas agora estou tendo mesmo a dimensão do que é especular e se precipitar, que coisa louca! A energia fica turva, parece que demora mais para fluir.

Se o que tem que acontecer acontece, o que podemos fazer? Qual é a saída? Trabalhar e ouvir música.

Quando os medos tomam à frente complica tanto. E é incrível quando vemos isso nos outros. Essa energia turva envolve ao redor também. Logo, a conclusão óbvia chega a chocar: ninguém tem prazer em ficar perto de alguém que antecipa o imutável: o tempo.

Como desacelerar o pensamento para que ele ande no mesmo compasso do tempo?

Ouvindo: Minha Vitória – Sérgio Saas

Foto: Da Internet.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Conselho.


Se tudo é uma questão de hábito, sofrer ou ser feliz também é?

A sensação de identidade é uma das melhores. Como não vibrar quando encontramos em outra pessoa os nossos próprios pensamentos? Sentimo-nos no colo de Deus. Porque é no colo de Deus que costumo me deitar quando sinto que não pertenço a esse mundo. É muito mais complexa que pretensiosa esta última frase. Acontece que, vez ou outra, o mundo fica estranho demais.

E nessa viagem com Ramilson Maia trocamos impressões sobre a vida, os amores e as dores do ser. Pareceu melancólico? Mas não foi. Rimos e liberamos a vaidade de sermos evoluídos a ponto de não assumirmos nossa incapacidade de sermos bons e preenchidos o tempo todo.

Mas concluímos. Concluímos que independente da montanha russa emocional e dos domingos vazios a conexão com o mundo real nunca deve ser perdida. Mesmo que os “nóias” tenham que se apoiar em outros tão “nóias” quanto.

Mostrei a ele minha nova listinha. Não que esteja virando um hábito sem sentido enumerar tudo, mas tenho notado que realmente as coisas fluem melhor quando escrevemos – e principalmente lemos o que escrevemos – e deixamos que as ações aconteçam naturalmente.

Sentada ali, no Centro Cultural Rio Verde, uma casa incrivelmente linda e elegante localizada na Vila Madalena, eu inspirava forte e conscientemente aquele ar da madrugada tomado pelo cheiro úmido de madeira. A decoração do lugar me fez sentir dentro do livro Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf. O que sempre imaginei materializou-se e minhas ideias se descortinaram ali.

Mas uma música nos interrompeu. Leve e sorrateira, a versão reggae da famosa “Conselho”, de Almir Guineto, contou-nos sua verdade. E ouvimos com aéreo sorriso no rosto:

Deixe de lado esse baixo astral
Erga a cabeça enfrente o mal
Que agindo assim será vital para o seu coração
É que em cada experiência se aprende uma lição
Eu já sofri por amar assim
Me dediquei mas foi tudo em vão
Pra que se lamentar
Se em sua vida pode encontrar
Quem te ame com toda força e ardor
Assim sucumbirá a dor (tem que lutar)
Tem que lutar
Não se abater
Só se entregar
A quem te merecer
Não estou dando nem vendendo
Como o ditado diz
O meu conselho é pra te ver feliz


Foto: Sarau do Marcelo Mira, no Rio Verde.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

IN SAO PAULO


Ramilson Maia: Já ta aí.

Eu: Nooooooooooooossa. Eu soube que meu nome está na contra capa. Noooooooossa.
Pirei. Lindo. Te amo muito. Eu quero que mundo se acabe de ouvir isso. PUTA QUE PARIU.

Ramilson Maia: Você é locona, né??? EEEEE NOISSSSSSS.

Eu: : )
Sou apaixonada por esse disco e por vocês.

Ramilson Mais: Gata, vamos fazer um barulho!!!!!


Eu começo, então! Vi o disco IN SAO PAULO nascer. E se minha vida um dia se revelar em uma trilha sonora algumas músicas desse álbum farão parte. Não é porque tenho afinidades com todos eles que amo o álbum IN SAO PAULO. Os motivos são muito maiores. IN SAO PAULO é sensual, chique, cosmopolita e diverso como eu sou, como minha cidade é. Acompanhei boa parte da produção e amei com muita verdade todos os instantes que dividi com esses moços na troca de ideias, impressões, palpites. Sim, eu, muito metida em opinar em um trabalho cujas assinaturas deveriam me fazer ficar caladinha, só ouvindo. Mas minha petulância sempre foi muito maior quando o assunto é cultura, arte, vida que pulsa através da música. E nunca me cansei de ouvir as histórias que todos eles contaram desde que nos conhecemos. Impossível cansar diante de tanta inteligência e sensibilidade. Impossível não se maravilhar diante de tanta habilidade em transformar sentimentos em sons.

Que poder é esse que a música tem? Quem ela revela acima de nossos sentimentos? E as faces ocultas de nossa personalidade que só ela conhece? É ao som de uma música que o durão chora, que se lamenta o amor não correspondido. Além de uma asa para voar para o futuro sem tirar os pés do chão, é também o transporte que nos leva até Deus.

Quem ama música como eu amo, como esses meninos amam, não consegue listar em poucos segundos canções que marcaram a vida, mas é inevitável que ao refletir sobre essa pergunta um sorriso se abra e alguns momentos já saltem à mente. IN SAO PAULO conta sobre mim e sobre uma parte de minha vida que nunca poderei esquecer. Uma paixão, muitas lições, infinitas risadas e sensações de o tempo ter parado.

Desejo que o mundo ouça mesmo tais canções. Que elas toquem corações como tocaram o meu. Que inspirem, façam sorrir ou amar como fizeram em mim. Desejo que elas sejam bandeiras de uma verdade absoluta que nunca deve se apagar: a música cura, liberta, transforma e deve sim ser levada a sério. Desejo que seus autores, todos do mundo e da história, nunca sejam esquecidos. E, principalmente, que os meus meninos, Ramilson Maia, Fernando Ferds e Mad Zoo, sejam os primeiros.

Music Feelings, City Love, Por do Sol e Copan. Tenho certeza que vão amar como eu amo. E reparem no Public Relations. Meu nome agora é parte da história também. Pelo direito de ser feliz amando e ouvindo música!

Ouvindo: Music Feelings

Foto: IN SAO PAULO

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Egoismo, Insegurança e Liberdade

Qual o maior problema do ser humano? Solidão? Insegurança? Ganância?
Conectada às infinitas redes sociais em um dia tranquilo, meu grande amigo Edvaldo Rodrigues me chama:

Eddi diz:
Oi. Tudo bem? Como está o seu dia?

Eliana de Castro diz:
Oi, meu querido. Tudo bem sim. Está um dia tranquilo. E o seu?

Eddi diz:
Hoje estou um pouco perturbado. Soube que um amigo meu matou a esposa, fiquei triste.

Eliana de Castro diz:
Jura? Conte-me direito. Um amigo muito próximo?

Eddi diz:
Pois é, ela era mais minha amiga, saiu ontem nos noticiários. Acho que foi por ciúmes.

Eliana de Castro diz:
Uau. O mundo está assim, amigo. É triste, né? As pessoas estão perdendo a razão por nada.

Eddi diz:
Fico pensando na situação dos dois agora. Um já não existe e o outro arrependido.

Eliana de Castro diz:
É.Que acabou com a própria vida. Dificilmente se perdoará. Como ele a matou?

Eddi diz:
Com uma faca, tinham apenas três anos de casados.

Eliana de Castro diz:
Pouco. Nossa. Que triste. E eram jovens?

Eddi diz:
Sim, ela tinha 28 e ele 35. O mundo está louco e estressado. As pessoas estão matando por nada.
Não sei o que é pior, se sentir ciúmes ou remorso depois de tudo feito.

Eliana de Castro diz:
Pode crer. Olha, tenho tanto medo de um como de outro. Tenho medo de alguém com ciume de mim e de mim temendo perder alguém. Ninguém merece esse arrombo que a insegurança faz em nosso emocional. Parece que nada supre. E é essa insegurança que nos leva a essa loucura de matar, de morrer, de fazer mal a alguém.

Eddi diz:
A insegurança, sempre a insegurança, só uma coisa modifica tudo isso: alternativas. Mas isso ainda vejo como falta de educação. Não posso tirar o direito do outro de viver porque não se interessa pelo o meu sentimento.

Eliana de Castro diz:
Sempre a insegurança sim, amigo. E depois o egoismo. Se não temos, não podemos deixar o outro ter. É simples. E o povo está cada vez mais preguiçoso para cuidar de si. Hoje li uma frase que até ri depois. Era mais ou menos assim: "Todos os dias quando acorda e antes de sair você arruma o cabelo, porque não faz isso com seu coração?" É boba mas é interessante ao mesmo tempo.

Eddi diz:
Rsrsrsrsrsrs. Pode crer.

Eliana de Castro diz:
Realmente nos arrumamos fisicamente. Mas não prestamos atenção a nenhum sentimento pela manhã. Não meditamos nas razões de estarmos felizes, tristes. Para nos conhecermos melhor.

Eddi diz:
Pura verdade. Estamos atentos ao que vemos o tempo inteiro. Agora, ao abstrato, que é o que sentimos, pouco ligamos. As coisas mais significativas da vida não vemos, apenas sentimos, não é palpável.

Eliana de Castro diz:
Dá trabalho ter sentimentos. Dá trabalho sentir conscientemente. Inconsciente é menos trabalhoso.

Eddi diz:
Pois é, somos escravos dessa sociedade de consumo que mecanicamente o tempo inteiro nos orienta a valorizar só o que vemos, por isso banalizamos as pessoas e valorizamos mais os objetos. O mundo ocidental consegue se relacionar melhor com coisas do que com pessoas.

Eliana de Castro diz:
Coisas desligam quando não estamos a fim. É simples. Aí é que está, né. Hoje o mundo é assim porque se desliga muito fácil.

Eddi diz:
Verdade.

Eliana de Castro diz:
Chateou, desliga. Doeu, desliga. Me traindo? Desliga. É louco. Acho que a solidão é a única coisa que não desliga. E isso leva muita gente à loucura. Essas coisas de relacionamento, sabe. É ego. Mas é ego solitário. Acho que até a pessoa egocêntrica, mas cheia de coisas que a fazer viver, não comete essas loucuras. O ego solitário é mais propenso.

Eddi diz:
Que coisa, é um absurdo.

O caminho da felicidade não é o desapego das pessoas no sentido de não precisar delas, quando as desligamos de nosso sistema quando algo nos incomoda. Pratica-se o desapego errado. O segredo é apegar-se a tal ponto para deixá-la livre. Como podemos deixar livre quem temos medo de perder? Talvez, amando mais nossa própria liberdade.

Ouvindo: Undisclosed Derises – Muse
Foto: Da Internet

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ainda Sobre Nelson Motta.

Falando ainda sobre Nelson Motta e o quanto o admiro por sua onipresença – porque para mim é impossível que uma pessoa tenha vivido tantas coisas com tantas pessoas e seja uma personalidade tão importante na história – fico pensando no quanto necessito também fazer parte. Seja do que for. Ir ao show do momento, ver o filme do momento (exceto a saga Crepúsculo que abomino) ver pessoas, movimentar-se. E fico pensando também no que plantei para minha vida estar hoje onde está.

Sempre chegamos onde desejamos? Quando encontramos algum amigo do passado casualmente e vemos que seus sonhos não aconteceram como ele sonhava em diversas conversas memoráveis qual é a sensação? Sorte? Destino? Ausência de gana?

Tudo tem um preço. Cada escolha é uma renúncia. Duas frases famosas e tão reais quanto o presente – e como o presente tão difíceis de viver. Mas será que fazer parte de uma história – seja ela em que área for – não depende somente de quanto investimos nisso? É interessante perceber na trajetória desses grandes nomes da música o quanto tudo estava ligado. O quanto um fazia parte da vida do outro desde muito cedo, mas alguns escolheram sair, casar, viajar ou não acreditavam que poderiam fazer sucesso, e nem sempre quando decidiram voltar à cena puderam.

À mesa com Ramilson Maia em nosso último café, enquanto ele me apresentava uma pessoa com quem está dividindo novos sonhos na música, eu ouvia maravilhada os inúmeros episódios que tecem a grande história da música eletrônica no Brasil. O livro do Nelson Motta sobre Tim Maia estava sobre a mesa, ali, testemunhando uma verdade que nem me dei conta até que o Ramilson disparou: nós também vimos tudo, conhecemos tudo e todos, e você hoje está vendo tudo e fazendo algo, sendo parte da história que será contada amanhã.

Ser eu Nelson Motta. Ser eu alguém que vive tudo o que pode. Ser eu alguém que todos os dias abre mão de alguma coisa para conquistar outra. E a vida vai seguindo e sendo escrita. Que falem sobre mim ao menos em uma linha nos livros do futuro. Ou que me permitam ser Nelson Motta.

Ouvindo: Amazing - Seal

Foto: Nelson Motta

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Tim Maia e Blogueiro Divertido.


Hoje, como editora de conteúdo, uma de minhas deliciosas funções é encontrar o que há de mais cool acontecendo por aí. No mundo real ou virtual, tenho a missão de conhecer, entender e propagar. E visitando um montão de Blogs encontrei esse: Wrapped Up In Books, escrito por João Baldi Jr. O espaço é divertido, com textos leves e com um olhar apurado sobre coisas cotidianas.

Replico uma parte de um post chamado: Problemas Práticos do Romantismo Teórico.

Como eu já disse aqui antes, as pessoas quando se apaixonam tendem a, ainda que sutilmente, se dissociar da realidade e das pessoas ao redor, de certa forma se fechando em um mundo pessoal onde as nuvens são cor-de-rosa, o universo tem música ambiente e gastar 300 reais numa blusa faz sentido se ela tiver realmente achado aquilo bonito. E com isso, com essa vida imersa numa bolha de amor, paixão, sentimentos românticos e depoimentos de orkut com letras do Jota Quest, o casal começa a desenvolver um grau de intimidade que gera praticamente uma linguagem própria, tanto no campo verbal quanto no não-verbal, com gestos, silêncios, e movimentos que dizem mais do que palavras, frases ou mesmo livros inteiros jamais poderiam dizer. E claro, é nesse contexto que também surgem eles: os apelidos carinhosos.

Vale a visita:
http://justwrappedupinbooks.wordpress.com/


Outra recomendação, tardia talvez porque o livro existe há muito tempo, é a biografia do Tim Maia. Estou amando! Claro, tirando a adoração que tenho por Nelson Motta – porque a vida dele é invejável para mim mesmo quando eu penso que ser a Carrie Bradshaw é a melhor coisa do mundo – tudo que rola naquelas páginas é inacreditável. Pela importância do Tim na música brasileira, pelas loucuras e pelo cenário em que ele viveu com tantos outros personagens importantíssimos. Vale a leitura também!

Ouvindo: Azul da Cor do Mar – Tim Maia.

Foto: Tim Maia.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Quais Causas Você Defende?

Ao sair do escritório do Greenpeace depois de uma reunião interessantíssima, fiquei pensando no valor incalculável de um princípio. O que a todo custo eu defendo? O que por nenhum dinheiro desse mundo eu abro mão? Qual o tamanho da minha coragem para fazer valer o que penso sobre tantas coisas? No mundo da comunicação rápida, das relações superficiais, dos encontros e desencontros num espaço cada vez mais sem fronteiras, quais são as rosas que cuido no meu pequeno e íntimo país?

Não sei se todos sabem, mas o Greenpeace não aceita dinheiro de empresas ou governos. Os trabalhos são financiados por mais de três milhões de ativistas em todo o mundo. Esse posicionamento tem a ver com o desprendimento que eles necessitam para colocar o dedo na ferida. Críticos, sérios e muitas vezes temidos, os greens preservam antes do verde a própria liberdade de ser.

Enquanto o taxi seguia rumo ao próximo compromisso tentei responder as questões acima. Palavras, argumentos, teorias, mistérios em torno de pessoas e sentimentos. Um mar escuro de ideias. Dá trabalho ter opinião própria. A única coisa que já sei é que é solitário defender causas de essência simples. O Pequeno Príncipe, clássico da literatura estrangeira, é um dos livros mais lidos no mundo e um dos menos compreendidos. Assim como o amor, a preservação do nosso espaço, a honestidade.

Ouvindo: Ainda Bem – Vanessa da Mata

Foto: Centenas de milhares de estudantes chineses insatisfeitos com o governo saíram às ruas de Pequim, em maio de 1989, para protestar contra o Partido Comunista. Vinte anos depois, a atitude de um homem é lembrada como um dos momentos mais marcantes do século 20. O "rebelde desconhecido" colocou-se em frente a um comboio de tanques de guerra e fez sinal para que parassem. Por breves momentos, foi atendido. O ato entrou para a história como um símbolo de luta pela paz.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Plano Myself.


Depois de ter elaborado o Plano MySelf resolvi colocá-lo em ação. A ideia surgiu depois do último almoço com a Katy Corban, amiga querida e meu espelho, e finalizou em outro almoço com a Ana Bentz. Alguns assuntos, entre tantos fúteis, elevaram nossa alma quando comprovamos que nada é mais importante que ser/estar completo. Quando todas as áreas da vida estão em harmonia com o que somos de verdade.

O que é o Plano MySelf? Difícil explicar porque é muito pessoal, mas se posso resumir para ser copiado: são ações saudáveis ligadas ao físico, emocional e espiritual que tem como objetivo alcançar X metas. Esse plano envolve práticas e pessoas e todos os dias têm que ter uma ação que deve ser anotada num diário. Aqui, vale copiar com carinho o que a publicitária Gisela Rao coloca ao final de cada post no seu blog Vigilantes da Autoestima: “o que fiz de bom para mim:”.

Entre tantas coisinhas fofas que fiz por mim, o que quero descrever:

Um: Voltei a correr. Poucas sensações são melhores que a energia que corre no corpo depois de uma corrida. Eu tinha me esquecido completamente disso depois da Maratona Roacutan, iniciada no ano passado.

Dois: Convidei uma das pessoas mais interessantes que conheço para jantar: Mad Zoo. É o tipo de ação impossível de viver sem. Como havia um tempo que eu não o via e ele não poderia saber das mudanças da minha vida por qualquer outra pessoa ou por um encontro aleatório do destino, liguei e convidei. Aqui está um dos grandes segredos de uma vida feliz: saber devolver a quem muito te deu. Saber retribuir, nem que seja com um delicioso jantar acompanhado de um bom vinho, a quem teve paciência de segurar uma fase difícil de sua vida.

Por que criei o Plano MySelf? Estou em um emprego top. Meu chefe é top. Seus sócios são os caras mais tops que admiro com a alma. Meus amigos me amam e eu a eles. Tenho uma vida estilosa e tudo o mais que desejo. Mas faltava algo. Talvez o algo que cansei de escrever sobre: a insaciabilidade de minha alma.

Fiquei dias pensando, angustiada, até que cheguei à conclusão obvia, edênica, original: cuidados com o meu próprio corpo. Serotonina, endorfina, adrenalina. Todos os inas estavam longe de mim. A moral da história desse texto é o quanto suas emoções precisam de atenção. E não falo simplesmente de identificá-las. Sinto raiva, sinto amor. A estrutura de uma emoção é coisa séria. Envolve muito mais que coisas externas. Cuidar do corpo é garantir a felicidade real. Aquela que, infelizmente, nada top vai poder proporcionar a não ser um cuidado top de você para com você mesmo.

Ouvindo: Shared – Mad Zoo Feat. Geanine.

Foto: Da Internet.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Poderes e Responsabilidades - Comentário.


Meu amigo Everton me mandou o link de um post do Blog do jornalista Gustavo Poli, do Globo Esporte, falando sobre o caso do goleiro Bruno, do Flamengo. Ele pediu para eu ler e dar a minha opinião. Resolvi colocar aqui também como uma forma de estimular a busca de si mesmo – nunca o julgamento porque isso só pertence a Deus. Para quem quiser ler, vale muito a pena pelo incrível texto e questionamentos.

http://globoesporte.globo.com/platb/gustavopoli/2010/07/08/poderes-e-responsabilidades/

Segue:

O jornalista Gustavo Poli é o tipo de cara que imagino ser insaciável, alguém que possui um buraco na alma e vive constantemente em busca de respostas. Para suas perguntas, para as perguntas dos outros - ele é jornalista! -, mas, principalmente, para as perguntas sem respostas. Ele é do tipo que anota as frases impactantes dos filmes. A primeira eu sempre ouvi de uma amiga, ela sempre me dizia isso quando eu queria desistir de uma pessoa, por não aguentar compreender mais e ter que fazer cara de botox e ainda não ter de volta alguma coisa, o mínimo de uma relação. Ela me via com esses grandes poderes e sempre me lembrava que não adiantaria eu chorar. Na hora que comecei a leitura me emocionei porque lembrei dela e já previ o que viria a seguir.

Agora, a frase do Cage é de escrever no teto do quarto para ler todo dia quando acordar. Linda. Aliás, não é linda, é séria! E a dança com o demônio começa sempre com sentimentos pouco perceptíveis para si mesmo como orgulho, presunção e, como ele disse sabiamente, a sensação de estar acima do bem e do mal. Mal dos famosos? Dos poderosos? Não sei. Essa parte é muito discutível porque para mim todos somos poderosos, porque abraçamos um número X de pessoas e para elas somos modelos ou mesmo quando não somos modelos, se temos um pouco mais de poder de persuação, fodeu. Levamos qualquer um para qualquer lugar.

O que está acontecendo com o Bruno acontece todos os dias com muitas outras pessoas. Muitas outras famílias perdem filhas (não estou de forma alguma achando que a mulher é 100% vítima, por mais chocante que isso possa parecer). O que faz com que o caso seja chocante é por ele ser um cara que nunca, nunca, nunca, seria capaz de fazer algo assim, por um motivo óbvio: ser esportista. E ser esportista para mim significa muita coisa que vai além de ser disciplinado ou sarado. Envolve o que se come, como se vê o outro, como se supera limites (físicos e emocionais), entre outras tantas coisas. Existem muitos Brunos por aí, nesse exato momento caindo na real, vendo que sua divindade foi só uma historinha que sua consciência prepotente contou ou talvez o próprio diabo. Embora eu nem goste tanto de responsabilizar o diabo por certas coisas por achar que Deus nos deu inteligência suficiente para sabermos escolher. Mas que seja o diabo, a influência de amigos do mal ou a própria sina de alguém que não consegue entrar em contato com o seu eu (isso sim é mega perigoso).

A questão final que o jornalista coloca é muito mais importante que qualquer outra linha cheia de pensamentos elaborados. Você fuma perto do seu filho? Eu minto para meus amigos ou pessoas que eu amo. Eu sou capaz de ser alguém que transgride porque acha que transgredir é ser livre? Um dos versos bíblicos que mais amo e acho de uma riqueza incapaz de absorver é: conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará. Hoje, na favela, nos bairros nobres, nos uniformizados ou nos engravatados, quase só é possível ver prisão. Prisão sentimental, física (tais pessoas não conseguem nem cuidar do próprio corpo) e, neste caso, emocional, porque perde o valor de si mesmo, porque a pessoa nem contabiliza o mal que fará a si mesmo sendo preso, sendo uma vergonha nacional e afins. Os problemas sociais citados no texto, as cidades partidas e valores partidos para mim são só reflexos de almas partidas.

Ouvindo: Maria Gadú – Lounge.

Foto: Da Internet.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Mudanças.


Mudanças. Uma noite inteira sem dormir. No momento que a vida passa diante dos olhos não temos voz, não temos pensamentos coerentes, não temos ação. Mudar. Deixar pessoas, lugares, costumes. Por que mudar é tão difícil mesmo quando o que vem adiante é algo tão desejado?

Logo cedo, caminhando pela penúltima vez pela Av. Paulista, vi uma cena que me fez sorrir. Uma moça parecia estar indo para o seu trabalho como todo mundo só que de forma diferente. Em cima de uma bicicleta ela andava muito bem vestida e de salto alto. Seus cabelos curtos, ultra modernos, e suas roupas despojadas compondo um belíssimo look Hi Lo me deixaram extasiada. Essa moça me falou sem saber sobre a beleza de mudar, de ousar sem se importar com quem está olhando, de usar novos meios de transporte, novos cortes de cabelo, roupas ou adotar completamente um novo estilo de vida.

Ainda que saibamos que a impermanência é uma das poucas certezas que temos, é difícil trocar, mesmo quando algo não funciona ou alguém não nos faz bem. O universo paralelo que criamos, onde residem nossas fantasias que constantemente confundimos com realidade, é invasivo. O resultado dessa guerra nem sempre é felicidade e vida pulsante.

Queria tê-la fotografado. Queria, aliás, também fotografar todas as mudanças desse meu momento. Para me incentivar, experimentar e, principalmente, olhar as fotos daqui a algum tempo quando tudo voltar a ser comum – se voltar – e não ter medo de mudar outra vez.

Alvin Toffler, o grande analista de tendências encerra por mim: mudança é o processo no qual o futuro invade nossas vidas.

Ouvindo: My Tribute - Israel Houghton

Foto: Da Internet.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Liberdade.


Não sei se é de aquariano, mas toda vez que me sinto triste ou angustiada quase sempre tem a ver com a sensação de estar presa a alguma coisa ou a alguém. A liberdade é a minha felicidade. Mas antes que se pense que eu falo de liberdade no sentido de - direito de ir e vir – digo que não é isso. Falo da sensação indescritível que vem do mais íntimo, de poder ser quem você é. Coisa de aquariano? De artista? De qualquer ser humano minimamente consciente? Não sei.

Sentadas a mesa no Tahitian Café, Mafê e eu falávamos sobre os caminhos que nossas vidas tomaram depois da Fábrica de Criatividade. Embora sejamos muito diferentes, algo que sempre tivemos em comum é o desejo de viver cada dia com festa, arte e significado. Partilhamos coisas lindas em cinco anos e todas elas estavam relacionadas com o anseio de nossos dias terem um propósito. E não falo de um dia na semana, mas todos os dias! Como os anos passam e com cada um surgem mais responsabilidades, hoje a vida não é tão simples como antes e é muito claro que o esforço de torná-la ideal é muito maior.

Enquanto voltava para casa feliz pelo encontro, me distraia com uma edição especial da revista FFW Mag sobre Londres. Uma das reportagens contava sobre a relação intrínseca das drogas com as celebs. Certo trecho escrito pela jornalista Luciana Pessanha fechou com perfeição meus pensamentos:

(Sobre Amy Winehouse) Adoramos vê-la completamente high, afirmando que não é drogada. Ou vibramos com sua maquiagem borrada, com suas fotos ao lado do namorado ensanguentado e com todos os seus escândalos, que consumimos avidamente bombando a indústria da invasão de privacidade e suas revistas – a droga das pessoas de vida pacata. E pode apostar que somos voyeurs, muito menos por morbidez do que por admiração. Ainda que detonados, os ídolos que se jogam nas drogas têm uma aura de liberdade que admiramos. E talvez seu glamour resida exatamente nessa licença de fazer o que querem da vida, inclusive jogá-la no lixo, enquanto nós acordamos cedo, trabalhamos, assistimos TV e gastamos anos sem que um pico de emoção nos acometa.

Não estou, óbvio, fazendo nenhuma apologia ao uso de drogas, apenas comprovei que muito de nosso comportamento acomodado deve-se a covardia de pegarmos nossa vida pelas mãos e levá-la para onde sempre desejamos. E eu resisto muito a isso. Meu corpo chora quando algo está amarrado e não estou livre. Coisa de Aquariano? De Artista? De qualquer ser humano minimamente consciente? Não sei.

Ouvindo: Music Feelings – Ramilson Maia e Fernando Ferds

Foto: Kate Moss – Ícone de beleza e liberdade.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ninguém Está Só.

Normalmente convivo com um tipo de solidão – e não é a que a maior parte das pessoas conhece -, mas senti-me feliz, muito feliz, e naturalmente menos só, quando recebi as análises deste Blog. Mundo, obrigada! Às cidades Viseu e Lisboa, em Portugal; Luanda, na Angola; Croissy e Beaubourg, na França; Califórnia, Estados Unidos e Oshawa, no Canadá. Obrigadas!

Dentro do meu Brasil, tenho audiência em quase todos os estados, lindo! Obrigadas! Em São Paulo está a grande maioria e Rio de Janeiro vem em segundo lugar. É incrível ver que meus pensamentos alcançam outras pessoas em lugares tão diferentes do meu. Isso prova que a força de atração entre mentes “gêmeas” é muito mais forte que a geografia.

De presente a quem entra aqui e não mora em São Paulo uma foto da minha avenida preferida: Avenida Paulista. Por ela ando todos os dias, vivo histórias, encontro gente, sou testemunha de muita coisa interessante e, principalmente, me inspiro.

Valeu Ítalo Santana, meu querido amigo que me ensina a ser mais moderna aliando ao meu trabalho a irresistível tecnologia.

Ouvindo: Heroes & Saints - Nicolaj Grandjean

Foto: Av. Paulista – Foto Alex Uchoa.

domingo, 20 de junho de 2010

Fábio Jr. e o Tal do Borogodó.

O homem desejo nem sempre é belo ou rico, mas sempre é livre. Livre de frescuras, de pressa, de passado e futuro. O homem desejo é sempre hoje. Ele é intenso, dança num palco ou no meio da sala com a mesma paixão. Ele envelhece mas em seu rosto não se enxerga rugas. Ele pulsa vida.

Nasci em 1982 e Fábio Jr. já era um homem desejo. Hoje, 28 anos depois, ele continua. Cada um tem um gosto e muitos podem discordar, mas duvido que qualquer pessoa mais ou menos entendida do que é o tal do “borogodó” não se renda diante dele.

Assisti seu último show no Credicard Hall. Sempre quis gritar “lindo!” diante daquela mexidinha no cabelo na altura da nuca. Ele faz amor quando canta! (Ok. Brega) Tenho 100% de certeza que todas as mulheres naquele espaço iriam para a cama com ele, se pudessem. O que fiquei a pensar, depois, é: o que torna um homem o desejo em pessoa? (Adoraria muitos comentários sobre essa pergunta)

Fábio Jr. é para mim o homem desejo porque não consigo imaginar que ele use qualquer palavra vulgar enquanto está com uma mulher. Isso para mim é tudo. Ele é o homem que consegue o que quer contando histórias mansas, falando devagar, com voz baixa, agindo como se a coisa menos importante do mundo fosse o sexo. Acho muitíssimo charmoso quem deseja algo e não se comporta como quem deseja. É atraente demais quando um homem não demonstra onde ele quer chegar. Quando não consigo ler nada nos olhos de um homem ele se torna muitíssimo interessante.

Um Fábio Jr. adora uma mulher sem olhá-la como um simples composto de zonas erógenas. Um Fábio Jr. nunca concorre com uma mulher. Os namorados e maridos presentes no show se constrangeram um pouco diante da gritaria. Não sei se seus egos correram dali de vegonha, mas imagino que boa parte tenha se perguntado: o que ele tem que eu não tenho?

O show em si não me deixou totalmente satisfeita. Apesar de o repertório ter sido o que todos nós sonhamos, achei que ele cantou de qualquer jeito. Contratem um cenógrafo com urgência e nunca deixem que o Fiuk entre no palco e não diga ao menos um “oi” para a plateia.

Ok. Gritei muito com a entrada do Fiuk. Eu iria para a cama com os dois... Juntos.

Ouvindo: Sem Limites Pra Sonhar – Fábio Jr.

Foto: Show no Credicard Hall – 18 de Junho de 2010.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Maria Gadú.


Quando uma alma encontra uma canção que a preenche a sensação vivida é inenarrável. Na tentativa de chegar mais perto das palavras, normalmente apertamos a tecla “repeat”. É por isso que ouvimos muitas vezes a mesma música.

Altar Particular, de Maria Gadú. Que poesia! Minha alma está completamente apaixonada por esta canção. Confesso que não dei muita atenção ao seu álbum de estréia, tendo conhecido apenas a Shimbalaiê, porque ouvia sem atenção quando tocava na novela Viver a Vida. Shimbalaiê foi a Palpite, de Vanessa Rangel, em Por Amor (1997/1998). PS: Que saudade da doce rebelde Milena, personagem de Carolina Ferraz! Como todo grande sucesso de novela que lança um novo nome que nem sempre decola, não dei muita atenção.

Enquanto trocava impressões com o Filipe Vicente sobre algumas músicas da Vanessa da Mata e Ana Carolina, ele falou sobre Maria Gadú. Recomendou-me seu disco com bastante entusiasmo. Ouvi diversas vezes. Deixei que cada canção entrasse sem reservas e, claro, estou rendida! Sua voz é linda, as músicas são delícias e delas brotam uma energia relaxante. Nem todas arrebatam, mas a maioria sim – curiosamente as de sua própria autoria. Destaque também para Bela Flor e Lounge. A única que não gostei foi Laranja. E só para não perder a piada, a francesa Ne Me Quitte Pas lembrou muito o Joey tentando aprender francês na Décima Temporada de Friends. A versão Baba, da Kelly Key me deixou sem opinião.

Sem mais, a vida vai passando no vazio, estou com tudo a flutuar no rio, esperando a resposta ao que chamo de amor. Lindo!

Ouvindo: Altar Particular – Maria Gadú

Foto: Albúm Maria Gadú.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Casting.

Assisti “Casting”, espetáculo com Caco Ciocler e grande elenco. Não gostei! Os dois atos me incomodaram muito e em alguns momentos tive que apertar a “Tecla D” do meu sistema para continuar ali. Admito que o texto “pesado” foi passado com certa leveza, levando o público a rir em muitos momentos. O fato é que as atrizes não souberam controlar suas vozes – estridentes e sem harmonia quando tinham que interagir – o que matou a peça para mim, pois 90% do enredo é com elas. Outro ponto péssimo: a nudez total de uma das atrizes. Foi apelativo. Não foi nem de longe o tipo de nudez que agrada aos olhos – embora eu não tenha certeza se toda nudez tem que agradar.

“Casting” situa-se numa cidade russa e conta sobre a tentativa de seu povo de sair da apatia e desesperança geradas pelo fim do comunismo e início do capitalismo. As personagens principais, quatro mulheres de várias gerações – algumas sem um corpo ideal – batalham para ser levadas para Singapura para trabalhar em um “show” que depois se descobre ser um show erótico. Ciocler faz muito bem o papel de produtor do processo seletivo e seu lado ridículo – no bom sentido – é bem bacana.

É claro que escrever sobre qualquer produto de arte e cultura é muitíssimo complicado pela realidade óbvia: além do gosto de quem escreve pesa também o tamanho do conhecimento que se tem sobre o contexto. Ratifico, então, que não tenho nenhuma intenção de mostrar-me como profissional do assunto. Minha opinião é livre.

Para gostar ou não gostar, incentivo sempre que se vá ao teatro. Que se saia de casa! O melhor de uma crítica sempre é o fato de ter vivido a experiência.

Ouvindo: Quem Sou Eu – Sandy Leah.

Foto: Casting – Divulgação.