terça-feira, 26 de outubro de 2010

Desafio 30 Dias - Simone Sarmento


Esses relatos têm me impressionado! O da Simone Sarmento dividirei em dois post, para não prejudicar a leitura. Vale a pena!

Simone: O primeiro dia do desafio foi maravilhoso. Sentia-me leve e aliviada por ter tomado a decisão de mudar o que mais me prejudicava. Estava feliz e tranquila por não precisar me ridicularizar e muito menos ter nojo de mim mesma. Mas foi apenas no primeiro dia. No segundo, logo pela manhã, tive meu primeiro surto. Senti meu corpo reagindo violentamente. Tudo começa com uma raiva. Sinto como se todos os órgãos reagissem a tal emoção. E como uma bomba explode. Como e por que acontece? Eu previa que o gás da cozinha ia acabar, mas o dinheiro para comprar outras coisas. Como o previsto, no dia seguinte, acordo para fazer o café do marido e adivinha o que aconteceu? O gás acabou. Senti-me culpada, irresponsável, o pior dos seres humanos, afinal meu amor ia para o trabalho sem café da manhã. O gás seria comprado à tarde, mas prejudicar meu marido é uma situação que eu não aceito. Chorei, sofri até que me lembrei do desafio. Meu marido ajuda a lembrar do desafio e esta ajudando até hoje. Reordenei as ideias e fui colocando novos pensamentos até me acalmar e compreender que isso faz mal tanto para mim quanto para os que estão ao meu redor. Afinal, surto até mesmo por um copo que quebrou na cozinha. Neste dia do incidente, fiquei um pouco tensa e muitas e muitas vezes precisei conversar comigo mesma como se conversa com uma criança.

No terceiro dia, sentia meu corpo necessitando de algo como que fosse uma droga. Fiquei inquieta, insegura, e os medos tomavam conta. Não conseguia olhar no espelho e sentia-me feia. Para ajudar em tal processo, resolvi ir ao curso a pé. Agora vou ao curso (contabilidade) a pé. Caminho 40 minutos para ir e 40 minutos para voltar. Isso ajuda a aliviar minhas tensões e vou pensando no caminho sobre quem sou. O efeito disso é que já consegui esboçar minha opinião em sala de aula. Mas detalhe, fiquei o dia seguinte questionando se a ideia realmente era certa. Gritei pra mim mesma! NÃO IMPORTA SE ESTÁ CERTO, DROGA! FAÇA APENAS. FAÇA! Como sempre eu converso comigo mesma, lembro do desafio e mudo os pensamentos no sentido contrário.

(continua...)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Desafio 30 Dias - Cláudia Oliveira

Uma semana depois do desafio lançado, alguns depoimentos. Os posts serão separados pelas pessoas, acho que ficará mais fácil compreender. Como a ideia não é acompanhar o dia-a-dia, então, não precisa haver coerência entre as datas. O mais importante é a atitude delas de expor o que estão sentindo e suas vivências. Vamos lá!

Cláudia Oliveira, 19/10/10: Ufaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!! Ah ah ah ah ah ah... O primeiro desabafo foi por ter chegado ao final do dia inteira, apesar do cansaço físico e mental, e o segundo é por estar apavorada pelo desafio que se apresentará para mim até dezembro. Vou explicar por partes. Lembram-se do encontro com a coordenadora? Pois bem o percurso percorrido até esse momento foi marcado por muitas emoções. Ao chegar à universidade, encontrei uma ex-aluna do curso de auxiliar que agora está no segundo período de Enfermagem. Ela e uma amiga estavam aflitas, pois tinham que apresentar uma palestra sobre Educação e o profissional que havia sido convidado, na véspera ligou avisando que não iria comparecer e na bucha elas me perguntaram se eu poderia socorrê-las. Não pensei e respondi que sim. Quando a ficha do que disse caiu, já era tarde. Agora tinha que enfrentar o Golias. Por sorte, o professor das meninas era um grande amigo, o mesmo que falou de mim para a coordenadora e isso me deixou mais confiante. O problema era concatenar as idéias para falar sobre Educação e se é possível melhorá-la. Meu amigo sugeriu que eu falasse sobre o tema do TCC que defendi na pós-graduação, que tem por título: A Morte e o Morrer - Uma proposta de Educação na Enfermagem. Foi fantástico!!! Fiz uma abordagem geral sobre a diferença entre educar e ensinar e partindo do conhecimento dos alunos, fomos construindo a palestra juntos. Foi tão bom, que voltarei na próxima terça para mais um encontro com eles. Depois disso me dirigi à coordenação para o meu tão esperado encontro. A coordenadora só estaria lá à tarde. Pensei, isso é um teste de persistência e paciência, mas tudo bem. Resolvi dar uma passada na antiga escola de Enfermagem que lecionei há uns anos antes de ir para São Paulo, pois soube que uma amiga é quem coordena. Chegando lá, depois de colocarmos as fofocas de anos em dia, vem a pergunta: Cláudia, você tem tempo livre para supervisionar estágios para nós? Mais uma vez sem pensar, respondi afirmativamente. Resumindo, estou com turmas até o mês de dezembro. Ao sair da escola, a adrenalina tomou conta do meu corpo e condicionamentos mentais negativos passaram a me atormentar. Pensamentos do tipo: você não dará conta, é muito tempo, vai ter que abrir mão da música, etc... Não foi fácil manter o foco e recordar de alunos que hoje são enfermeiros, de que já coordenei uma escola de enfermagem, mas no final, pelo menos naquele instante a vitória foi dos comandos positivos. Vocês devem estar se perguntando, e o encontro? Ele aconteceu logo em seguida. A coordenadora havia sido minha professora na graduação. Se ela de fato se lembrou de mim eu não posso garantir (também sei o que é ter muitos alunos para recordar), mas foi muito atenciosa. O resultado não foi positivo ainda. Digo ainda, porque o motivo por não ter ficado é que ainda não tenho mestrado (esse é um próximo Golias a enfrentar). Não fiquei triste. Agora é me preparar de todas as formas para dar mais esse passo. Para concluir, vou falar só um pouco da minha rotina. Acordo as 5h para preparar o café para meu filho mais velho, faço o que chamo de devocional, uma leitura que sirva de reflexão para o dia, e depois vou para a casa do meu namorado para fazer o café da manhã dos nossos caçulas e dele e sigo para o que estiver programado para o dia. O que mais me chamou atenção foi o título da reflexão: Nada Acontece por Acaso. Perceberam alguma semelhança com o meu dia?!! E sigamos com o desafio.

Cláudia de Oliveira, 20/10/10: Já ouviram falar sabotagem pessoal?! Pois é, vez por outra me pego fazendo isso. Pela manhã, o pânico e o fantasma do fracasso quanto ao estágio estava por um fio para me dominar. Graças Senhor por meu companheiro. Recebeu minha alma angustiada, ouviu minhas inseguranças e de forma amável e linda trabalhou meu moral, pontual meus pontes fortes e mais uma vez a nuvem passou. Não falei ainda, mas dou aula de inglês em uma escola filiada a uma ONG todas as quartas pela manhã. E agora, como ficaria o estágio matutino? Não poderei supervisioná-lo, pois nem tem como cogitar abandonar a ONG. Já tinha um motivo para desistir. Comandos positivos entrando em ação: como solução, é só aumentar mais um dia na data das turmas matutinas. Comandos negativos: você nem bem entrou e já quer fazer mudanças?! E vencem os positivos: O máximo que pode acontecer é você receber um não e ter que se reajustar na ONG. Final da manhã e tudo resolvido. Vou continuar na ONG e com os estágios terminando um dia depois para compensar as quartas. Conclusão que tiro: O bicho sempre é menos feio do que o pintamos e se você não dominar o medo ele dominará você. Hoje eu o dominei.

Cláudia Oliveira, 21/10/10: Yes, yes, yes... Foi essa a minha situação extasiante depois de sair do hospital com as alunas. Óbvio que não fiz isso na frente delas, pois achariam que eu sou louca e pediriam para trocar de professora, rsrs. Mas, brincadeira à parte, foi fantástico. Não tenho como negar, hospital é a extensão da minha casa, de mim mesma. Sinto-me totalmente à vontade e confesso que nem lembrei das neuras. Percebi algumas coisas das quais tenho que recordar, por não estar praticando sempre, mas nada que me enlouqueça. Posso dizer que estou em estado de graça. As meninas ainda estão meio assustadas com o ambiente, mas tenho certeza que com o tempo se tranquilizarão. Tudo é uma questão de prática, que só adquirirão com o caminhar de cada dia. Golias vencido por hoje e a sensação de dever cumprido que faz a alma flutuar. Por hoje é só e vou me dar o prazer de um bom banho morno, uma música tranquila (quem sabe uns mantras), uma comida leve e meu inceso de mirra.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Mikhail Baryshnikov em São Paulo.


23h35. Estava muito feliz por estar dentro de um taxi. Sono, dores fortíssimas nos dois joelhos e uma sensação incrível de deleite espiritual, contrariando todos os desconfortos físicos. O motivo para tal satisfação interna foi ter passado 80 minutos diante de Mikhail Baryshnikov, 62, maior ícone vivo da dança. Queria que o mundo – ou apenas o meu mundo – pudesse entender a importância desse momento. Desconcentrando-me desse plano, corrompido por dores e males, tentei elevar-me a outro lugar, à mente, à imaginação, para viajar um pouco mais por tudo aquilo que vi.

A leveza, a música, a disposição de dois monstros da dança deslizando sobre um palco. Baryshnikov e Ana Laguna, 62 e 54 anos, respectivamente, arrasaram. Como pode? Eu, ali, sentia tanta dor que nem ao menos conseguia ficar sentada com conforto. Mais que o condicionamento físico deles, a perfeição dos movimentos, o bom humor de Baryshnikov e até o solo dramático de Ana Laguna, foram inenarráveis. Quem é capaz de descrever a paixão por uma carreira? Muito mais forte que a paixão por outro ser humano, certamente. Quem é capaz de dedicar-se tão profundamente a algo que até o tempo é capaz de parar ou, minimamente, andar mais devagar do que para os seres humanos normais, os desprovidos de fissura.

Em vários momentos prestei homenagens a Deus. Agradecimento. Pela consciência de minha mortalidade, pela inteligência de aproveitar bem os meus bens, pela sensibilidade de meus sentidos que me permitem sempre estar mais feliz do que suponho poder estar. Se alguém acha exagero emocionar-se tanto, sugiro experimentar movimentar-se sozinho, trancado no quarto, ao som de alguma canção preferida. Sem medo, sem olhares, sem julgamentos. Quando estamos na plateia, nos projetamos no artista no palco. Transferimos para ele nossa vontade de ser livre, de saber ouvir música, de saber amar de verdade um corpo.

Três Solos e Um Dueto foi um presente para o meu corpo. Para a minha alma, foi um aviso de Deus em forma de arte acalmando minhas preocupações a cerca do futuro. Do que me espera os anos por vir, as escolhas que ainda não fiz e a paixão que tenho medo que acabe.

Ouvindo: Stella Errans – Cirque Du Soleil.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Desafio 30 Dias.


30 dias para mudar sua vida! Um clichê? Vamos testar. Fernanda La Salye, 28 anos; Simone Sarmento, 33 anos; Claudia Oliveira, 42 anos e eu, Eliana de Castro, 28 anos, vamos nos colocar em ação, fazendo alguma coisa que há algum tempo estávamos planejando fazer mas que sempre adiávamos. A ideia original - e interessantíssima - foi publicada na edição de Outubro da Revista Marie Claire Brasil. Quatro editoras se desafiaram e após um mês publicaram suas sensações, dificuldades, bons e maus resultados. Quando li a reportagem, já pensando em alguns hábitos que queria adotar, pensei: “por que não?”.

Melhor do que percorrer o “caminho das pedras” sozinha é poder levar amigas queridas junto. Sendo assim, convidei as moças que apresentei acima. Cada uma vencerá algo que precisa/quer e que sozinha, digamos, seria bem mais difícil. Ter o compromisso uma com a outra nos impedirá de vacilar, porque teremos também que relatar como está sendo o processo. O objetivo é trabalhar em grupo as dificuldades, comemorar as conquistas e, quem sabe, inspirar mais pessoas a fazerem o mesmo. Usar o tempo – calendário – a nosso favor.

Simone Sarmento: Começo agora! Não permitirei nenhum pensamento de desprezo em relação ao meu ser. Tenho a mania de criticar-me o tempo todo, não comemoro minhas conquistas e abomino minhas derrotas. A cada erro, seja ele o menor, me condeno e com um "chicote" me destruo por completo. A partir de hoje, me aceito como sou. Cantarei louvores para as conquistas, sejam elas pequenas ou grandes, e agradecerei todos os dias por eu ser quem sou. Não me comparo com mais ninguém. Assim Será! : D

Claudia Oliveira: Quando recebi a proposta do desafio, pensei que seria impossível fazê-lo. A sensação de que devo sempre servir, em detrimento à minha vontade ou desejos, é muito forte; tanto que por vezes chega a ser intransponível. E como poderia eu aceitar a idéia de que faria por 30 dias algo em que eu estaria em primeiro lugar, algo para mim. Euzinha? Depois de uma longa luta interna e um analisar do que faria para mim e por mim, me deparei com inúmeras coisas, e não uma específica, que nunca faço pela simples existência de um comando mental que me diz que não tenho o direito de ter, ser ou fazer algo por mim. Muito complexo, não? Ilógico talvez, mas muito real e angustiante. Então, tomando consciência plena da existência desse comando, me desafio a cada dia realizar coisas, que mesmo parecendo absurdas ao olhar dos outros, me trarão alegria e a sensação de estar vencendo um Golias a cada dia. E para começo, consegui entregar um currículo em uma faculdade que há muito gostaria de ensinar. E já posso dizer que o universo está conspirando a meu favor, pois amanhã já tenho o convite para um bate papo informal com a coordenadora do Curso de Enfermagem da faculdade em que me formei (e não é a que deixei o meu currículo). Está dada a partida.

Fernanda La Salye: Chegou o momento de aprender a diferenciar necessidade de desejo. Não que eu não possa gastar o meu dinheiro com o que eu quiser. É justamente porque posso fazer o que quiser com ele que quero usar da melhor forma. Isso com certeza será mais fácil que aprender a ouvir mais e falar menos. Ainda assim, eu vou tentar. 30 dias sem usar o cartão de crédito e aprender a ouvir mais e falar menos.

Eliana de Castro: Escolhi correr todos os dias 5k. Mais que mudar o meu corpo, meu objetivo é disciplinar minha mente. Focar meu pensamento no alvo e partir para a ação. Embora eu já tenha real propensão a não desistir do que quero, com este desafio pretendo habituar-me a dedicar um tempinho diário a alguma coisa que almejo. Hoje, é a corrida e o corpo ideal, mas amanhã será qualquer outro objetivo que exija mais tempo de dedicação. Game over para o imediatismo!

Faça você o mesmo. Se quiser entrar no Desafio 30 Dias é só me mandar um e-mail que relato também sua experiência: elianadecastro.press@gmail.com

Ouvindo: Papers - Usher

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Bon Jovi em São Paulo.


Cliquei em You Give Love A Bad Name no meu Ipod e fechei os olhos. Lembranças ainda bem vivas da última noite de quarta. Poucos acontecimentos me impressionaram tanto como o show do Bon Jovi. Na mesma vibração, 68 mil pessoas. Como descrever o que não tem descrição? Apenas uma tentativa.

Se a crítica, o público e até alguns fãs pensaram que a banda tinha parado no tempo – diferente da contemporânea U2 – a surpresa: Bon Jovi se garantiu. Mais do que proporcionar uma viagem ao passado, a banda tornou nossas vidas, nossas histórias atemporais. Uma impressão que sei que os 68 mil validam. Com música atual ou não, muita tecnologia e um vocalista que ainda provoca muitos suspiros nas mulheres e profundo respeito dos homens – sim, eu vi! – Bon Jovi assinou uma página importante dos mega eventos do país.

Não sei como foi o último show há 15 anos, pois eu tinha apenas 13, mas desde aquela época a banda fazia parte de minha vida. Lembro que Cross Road era um dos meus vinis preferidos. Hoje, exatamente hoje, o Ipod me presenteou com as mesmas sensações. Baixei Cross Road. Não só as baladas românticas, hits de minha adolescência; também as entusiasmantes You Give Love A Bad Name, Runaway, In These Arms, entre tantas outras, fizeram parte de minha história. Às 21h20, de 6 de Outubro de 2010, o chão subiu um pouco e tornou-se uma superfície etérea. Foram 2h50 suspensa no tempo e no espaço.

Infalível, o setlist trouxe as músicas de todos nós. Intercaladas inteligentemente, os hits agradaram a todos. Mesmo as mais recentes, pouco conhecidas dos saudosistas, envolveram. O show foi muito parecido com o apresentado em Buenos Aires, inclusive em duração, mas não sei se lá Bon Jovi encontrou uma plateia tão entregue. O ponto alto do show – e quanto a isso também acredito ter o apoio dos 68 mil – foi o início de Livin’on a Prayer. Só a multidão e o Jon, a capela. Arrepiou. Não sei se foi de onde assisti ou se realmente a sintonia era única entre todos, mas esses minutos foram impressionantes. Foi um dos momentos que vimos o sorriso sincero do Jon. O galã sabe a hora de tudo: de mexer o cabelo, de fechar os olhos ao cantar, de sorrir. Mas nós, o público de São Paulo, pudemos ver também o seu sorriso autentico. Merecemos.

O telão absurdo foi uma atração a parte. Nenhuma canção passou descaracterizada, o que deu dinamismo ao show. Muito mais do que ouvir boas músicas, vimos ótimos vídeos, criativos, interativos e muito modernos.
Bad Medicine foi outro estouro. O público inquieto e vibrante teve uma surpresa: a interpretação de Pretty Woman, sucesso na voz de Johnny Rivers. Quando se pensou que seria apenas isso, Bad Medicine voltou com entusiasmo.

O bis foi outro show. A segunda, Someday I'll Be Saturday Night acabou com o fio de voz que me restava. Uma inesquecível canção de minha adolescência. Não podia ser melhor. Sim! Podia! O show acabou, mas o público não se deu por satisfeito e não parou de gritar. Eles olharam para nós por alguns segundos, que pareceram minutos, e voltaram para a última: Bed of Roses.

Quase três horas depois, quem agüentaria mais? Certamente, os 68 mil.

Ouvindo: These Days – Bon Jovi.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Commitment - Seal


Já ouvi alguns amigos dizerem que disco x ou y mudaram suas vidas. É claro que algumas músicas marcam – e todos nós temos pelo menos dez – mas um álbum que mude a vida? Parece exagero. Contudo, conscientemente, nunca me senti tão influenciada por um disco como com Commitment, do Seal. Talvez seja cedo para dizer, mas o que tenho sentido há uma semana tem me impressionado. Mudança de sentimentos, vivências, planos e, principalmente, do entusiasmo que tenho dedicado a tudo o que desejo.

Havia escrito sobre o clipe do single Secrets e o quanto aquelas cenas me emocionaram, mas sobre o álbum especificamente, não. O disco – reflexo de sua felicidade ao lado de Heidi Klum, como ambos têm declarado – é diferente de todos os outros, distante do pop eletrônico muito bem misturado que o consagrou, mas ainda assim muito Seal, ou seja, envolvente e sensual. O cantor declarou em entrevistas que as letras retratam o que eles têm vivido nos últimos sete anos, na redoma de paz construída com muita cumplicidade e paixão – o que as revistas e sites de gossips não deixam mentir.

Commitment abre com I’m Any Closer, para mim a mais sexy do disco. Se rolar uma turnê, é a música que deve abrir o show e que fará a platéia delirar. A melancólica You Get Me faz parar no tempo e enquanto a música rolar você não conseguirá pensar em muita coisa. Secrets – a preferida – encanta pela simplicidade da letra e pela combinação de piano e cordas. O disco vale do começo ao fim. A única que não me agrada muito é Big Time, mas isso é um detalhe diante de toda a obra.

Commitment tem sido o meio de transporte para mais um mergulho da pele para dentro. Necessidade urgente de silêncio, de um canto para ficar e só ficar. Sem pretensões.

Ouvindo: All For Love - Seal

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Comer, Rezar e Amar - O Filme.

Comi, rezei e amei em duas horas. A versão cinematográfica do livro de Elizabeht Gilbert é tão encantadora quanto o romance. Impossível não se entregar ao enredo – e que bom saber que tudo aquilo foi verdade; esperança para todos que vez ou outra são obrigados pela vida/destino/Deus a traçar novas rotas. Enquanto a belíssima Julia Roberts representava com sensibilidade o drama de Gilbert, eu revivi minha própria história quando, há dois anos, o livro caiu em minhas mãos.

Julia declarou numa entrevista que foi difícil para ela fazer o filme, pela profundidade do texto. As cenas gravadas em ordem cronológica – sacada genial dos diretores – permitiu a ela sentir na pele as emoções vividas pela autora. Mérito não só de Roberts, obviamente, pois o número de mulheres que choravam ao meu redor me impressionou. Todas ali, de alguma forma, compraram o ingresso da primeira sessão não sem motivo. Mais que curiosidade quanto a um tão aguardado filme em dia de estreia, o que se buscava ali era o retrato de algum momento divisor de águas – do passado ou do presente.

Dois anos depois de eu ter virado a última página de Comer, Rezar e Amar sinto-me como Gilbert – ou Julia – no final da história. Largar o conforto para descobrir-se é sempre a melhor escolha quando tudo ao redor parece não lhe pertencer.

Os olhares de Julia Roberts no início da trama foram os meus olhares e o que imaginei ter sido vivido por Gilbert. Casamento, filhos, uma vida que não satisfaz pelo simples fato de satisfazer a maior parte das mulheres. E mais triste que a sensação de abandonar algo que se desejou tanto – e que lutou-se para ter – é continuar dormindo ao lado da solidão, do abandono de si mesmo.

O filme é uma graça. Faz refletir e faz desejar algo mais. Um amor maior, melhor, Deus, paisagens diferentes, novos amigos, mil coisas. Mas o mais importante é a sensação que fica, que por mais que desejemos algo ou alguém, não há ganho em gastar nossa energia em outra coisa que não o autoconhecimento.

Ouvindo: I Know What You Did - Seal

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Seal, Heidi e Secrets.

Seal e Heidi Klum como casal é o retrato do que desejo para mim. Não sei quando começou, só sei que quero há muito, muito tempo. Um desejo tão real que nem consigo imaginar um futuro diferente. O amor. O contraste em forma de amor. Ou o amor em contraste. E nesse amor não haverá o mais forte. Nem o mais lindo ou o mais aceito. Qualquer notícia sobre um dos dois – ou sobre os dois - sempre me faz parar. A beleza dela tão radiante – e ninguém me convence que ela não é muitíssimo amada por ele – é o meu Ideal de vida. E nem preciso dizer o quanto ele transmite uma energia incrível, não só por sua voz única. Mesmo no mundo tão fugaz e superficial das celebs é possível identificar quem vive e sente de verdade.

A expressão de tudo o que estou dizendo e que é uma referência para mim acabou de ser lançada. O clipe do single Secrets, do novíssimo álbum Commitment, está na rede. Foi inevitável não chorar. A canção de letra simples, porém tão sincera, não poderia ter outras imagens. Penso que vai chocar, principalmente pela total ausência de pudor, mas tenho certeza que ao final da canção a sensação que vai prevalecer é a de que o amor existe, que músicas originais são sempre as melhores, que a arte deve ser uma expressão da vida – e não só uma rota de fuga – e, principalmente, que um clipe feito com sensibilidade impressiona muito mais que milionárias produções.

Vale assistir e clicar no “Ver Novamente”:

http://www.youtube.com/watch?v=vOuL2AnJPok

A todos o amor de Seal e Heidi.

Ouvindo: Secrets – Seal.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Colour Me Free.

Colour Me Free, Joss Stone. Estava curiosa para ouvi-la desde a primeira resenha na Revista Billboard, antes do álbum chegar às lojas. O disco saiu em 2009 e estou teoricamente atrasada, mas como com música não há tempo ou espaço, aqui cabem sim minhas impressões.

São claros os motivos que fazem de Joss Stone uma querida no meio musical. Ser tão jovem, tão talentosa, ter tanta expressividade e, principalmente, como veio se confirmar com Colour Me Free, ter muita personalidade. A loira tem causado um barulho criticando a indústria da música e provocando cantores de um nível, digamos, inferior, como Lily Allen. Mas ela tem consciência. O álbum que chamamos de último é uma viagem. Sensacional. Sensorial. Vai na contramão de tudo que odiamos no mainstream. Sua voz lindíssima nas músicas “de pegada” ou nas mais suaves faz você entrar em um universo paralelo. Ideal para os momentos que precisa de inspiração. Energético, bem produzido, as canções se diferem uma da outra com sutileza, tendo todas muita autenticidade, elas são partes independentes dentro de um todo muito bem organizado.

Joss como compositora me arrebentou. Como se tivesse escrito tudo sobre minha vida, suas letras estão explicando meus sentimentos. Parallel Lines – uma de minhas preferidas – tem versos encomendados: "Eu vejo você e eu sei que você me vê/ nós vamos caminhado/ Nossos caminhos nunca coincidem/ parece uma tela invisível.../ Apenas mais um lugar perdido na multidão/ Não dizendo nada, mas eu estou gritando alto/ Desejando do meu coração porque deveria ser essa vida solitária que vivemos... Nós somos tão ocupados tentando seguir em frente..." Lady é sexy, forte. Stalemate é o pedido de qualquer alma apaixonada. E a top, Girlfriend On Demand, provoca um surto de emoção com aquele piano. “Eu quero que você seja livre/ Mas eu não quero estar aqui ao seu lado pra você ficar me negando”. Piano em qualquer canção é de fazer chorar.

Para os sensíveis, para os amantes, para quem sabe ouvir música, para quem deseja se refugiar em melodias legítimas. Colour Me Free.

Ouvindo: Girlfriend On Demand – Joss Stone.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

30 Dias Depois.


Estou sentindo falta de um agito. O último, o salto de paraquedas, foi incrível e eu achei que ia sair como uma louca fazendo tudo o que queria, mas que nada. Com uma de minhas melhores amigas na área, depois de dois anos na Irlanda, o mês foi só casa/ trabalho/ trabalho/ casa. Somos vizinhas, então, nos vemos todos dos dias quando chego e ficamos o restante das horas conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo, como nos velhos tempos.

Só que agora, me deparando com a falta de movimento na minha rotina - estou lendo o Blog da Joyce Pascowitch, o que faz com que qualquer pessoa com a vida mais agitada do mundo se sinta numa monotonia – estou a pensar que há exatos 30 dias não tenho uma experiência marcante. Como 30 dias passam e não percebemos? Como um ano inteiro passa e não conseguimos contar nos dedos de uma mão as coisas incríveis que aconteceram? Fora as preocupações que tomam parte desse tempo, o que mais nos ocupa?

Criei uma conta extra no Gmail para escrever para mim mesma – quando não tenho um amigo para desabafar – e para guardar coisas que recebo. Passando por lá para dar uma limpeza revi alguns e-mails que enviei para alguém (com cópia para esse arquivo secreto) e dei muitas risadas. O caso x era tão urgente naquele mês, e eu precisava tanto de uma solução, no bom e velho estilo Eliana de Castro de sentir tudo exageradamente, que o caso x ainda permanece em minha vida.

Se dedicássemos menos tempo tentando resolver “problemas” que só precisam de tempo para por si só se resolverem e nos empenhássemos mais em planejar uma viagem, quem já teria dado a volta ao mundo? Não estou contra o autoconhecimento e a troca, que acho importantíssimos para o crescimento pessoal, mas até que ponto é saudável falar, falar e não agir?

Os 30 dias simbólicos deste texto podem ser uma vida desperdiçada, um casamento desgastado que nunca teve um pico de emoção ou um trabalho que apenas paga as contas. Quando 30 dias viram 30 anos?

Ouvindo: Ne Yo – Miss Independent.

domingo, 26 de setembro de 2010

Mudança de Planos.

Sempre li e ouvi que devemos chegar onde planejamos. Nunca perder o foco. Aconteça o que acontecer, temos que alcançar a meta. Mas se pararmos no meio do caminho?

Correndo forte e concentradamente percebi que havia dias que eu não deixava tantos sentimentos evaporarem numa corrida. Notei a tensão dos meus pensamentos e sentimentos impulsionarem meus passos de tal forma que em certo momento achei que fosse desmaiar de cansaço, embora eu não estivesse cansada.

Em determinado trecho, diante de uma paisagem linda, cheia de árvores e aquele perfume rústico de madeira, decidi desacelerar até que parei num quiosque bastante simples. Meu squeeze tinha caído na lama e senti que não poderia seguir sem água. Pedi à senhora que atendia para lavá-lo e enquanto isso aproveitei para sentar e simplesmente observar.

Não havia nada demais para ver, a não ser meus próprios pensamentos. Prosseguir? Parar? Tentar mais um pouco? Desistir? Valeria a pena ou tudo o que penso ser interessante não passa de mera ilusão?

Não queria mais correr. Estava tão bom ficar ali sentada que permaneci. Sem pressa para decidir, sem me importar com o que qualquer um poderia pensar já que eu não comia nada, não falava com ninguém, apenas olhava.

Ali, pensei se realmente temos que ir adiante com todos os planos. Não falo dos planos que ficam para trás pelo comodismo, pela distração. Aqui falo dos planos que em alto e bom som damos por encerrado. Sem arrependimentos, sem medo de seguir para outro desejo que talvez nem esteja ainda claro.

Pedi um pão de mel que parecia delicioso e segui o restante da rota andando. Leve, deliciando-me com aquele doce e com a sensação que me envolvia, notei que tudo pode parar a qualquer instante. E que a falta de controle sobre inclusive o que determinei para mim mesma há cinco minutos é real não só em minha vida, mas principalmente na vida do outro. Um outro que pode abalar minha segurança fortemente.

Se a melhor forma de sentir segurança é viver constantemente inseguro, pois nunca viveremos a sensação de o chão se abrir diante de nós, é saudável mudar de ideia a qualquer instante? O que, afinal, é garantido?

Ouvindo: Stalemate – Joss Stone

Foto: Embu das Artes – Foto Odele Souza.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Incêndio e o Tempo.

Olhei para a Roberta Milani e comentei “acho que vai chover, o céu está escuro”. Da minha mesa é possível ver parte do céu, entre alguns prédios. Continuei olhando até que notei que algo estava estranho. O céu escuro eram nuvens muito pretas, anúncio de algum incêndio. Descemos até o estacionamento e nos deparamos com um imenso e cruel incêndio na Favela do Real Park.

Não consegui assistir aquilo tão de perto, tanta destruição e rápida destruição. Quando voltei à minha mesa, o fogo havia se alastrado tanto que já era possível assistir de camarote. Arrepios profundos surgiam em meu corpo. Todos os meus problemas sumiram. Famílias inteiras não tinham mais nada. E acima de qualquer perda material, muitas delas não possuem agora sequer esperança de um recomeço.

Quando troquei a frase do meu MSN para “Incêndio. Muito triste. Deus esteja com todos”, imaginei que muitos ali, vítimas, devem estar se perguntando: “onde está Deus?”. Pergunta tão antiga quanto o próprio fogo. Ninguém consegue responder com precisão o papel de Deus diante das tragédias.

Quando acordei, coloquei uma música antiga, linda, e cantei de olhos fechados por alguns segundos: Meu Jesus, Salvador, outro igual não há/ Todos os dias quero louvar as maravilhas de Teu amor/ Consolo, abrigo, força e refúgio é o Senhor/ Com todo o meu ser, com tudo o que sou sempre Te adorarei/ Aclame ao Senhor toda a Terra e cantemos/ Poder, majestade e louvores ao Rei/ Montanhas se prostrem e rujam os mares ao som de Teu nome/ Alegre te louvo por Teus grandes feitos/ Firmado estarei, sempre Te amarei/ Incomparáveis são Tuas promessas pra mim.

No momento que tragédias como essa passam diante dos olhos, qual a sensação que deve permanecer? O que entendemos ser Deus ou em que/quem nos seguramos quando tudo falha? Esperar que nossa própria vida mude para mudarmos nossos pensamentos e sentimentos pode ser por demais arriscado. Como o fogo que queima sem piedade e destrói tudo rapidamente, o tempo também não espera até que nos sintamos preparados para viver, sentir ou fazer. A vida mais uma vez é agora.

Ouvindo: Melody – Ray J.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A Vida é um Instante.

Todos sorriam para a foto. A noiva, o noivo, os pais da noiva. O pai da noiva – numa cadeira de rodas preso ainda pelas sequelas de um AVC – quando me viu abriu o sorriso mais incrível. Senti-me privilegiada. Pelo sorriso, mas muito mais pelo significado do sorriso. Um homem naquelas condições para sorrir tão espontaneamente precisa se sentir seguro. Que segurança, contudo, eu preciso para sorrir?

A festa seguia. Mulheres em seus vestidos longos, homens com suas gravatas já afrouxadas. Comida, bebida, sentimentos variados de felicidade (dos noivos), de sonho (dos que desejam casar) e de nostalgia (de quem um dia pensou que todos os dias seriam como o dia do casamento).

Sentada à mesa, observava todos. O pai da noiva ao meu lado esboçava o mesmo sorriso. Feliz ao meu lado. Eu feliz ao lado dele. Enquanto eu comentava trivialidades com uma amiga sentada à minha frente, notei que ele estava ligeiramente com sono. Segui esperando alguma novidade para me sentir parte daquela celebração. Não estava feliz, não tinha um sonho, nem nostalgia.

Dois segundos. Minha amiga chamou minha atenção para ele que de repente despencou os ombros e os braços. Levantei para tentar ajeitá-lo na cadeira de rodas. Corpo duro. Um instante. Minutos depois alguém o pegou desmaiado e o colocou dentro de um carro rumo ao hospital. Noiva em prantos, família suspensa entre o medo e a desilusão de não terem o direito de uma noite de conto de fadas.

Sentei-me, depois do primeiro tumulto consolando quem eu poderia consolar. Senti-me parte daquela celebração ali. Estava no lugar certo na hora certa. Acredito tanto que a vida é um instante e que nenhum sorriso deve ser guardado que não hesitei, quando entrei e os vi todos tirando a foto, em olhar para ele e falar entusiasmadamente: a próxima foto é nossa! Foi quando ele sorriu.

Ouvindo: Foolin’ Around – Usher

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Pensamento Acelerado.

Não é fácil ouvir sobre nossos defeitos. Fere nosso ego e a primeira reação é achar que quem está nos acusando é um canalha. Mas quando vemos alguém que supostamente age como nós paramos para pensar: “será que João está sendo/fazendo o que o José disse que eu faço sempre e não percebo?”.

Quando vemos no outro nossos próprios defeitos não dá vontade de sair correndo gritando? Pela verdade de que somos pessoas muito mais complicadas do que supomos e pelo trabalho escandaloso de mudar de postura, de pensamentos.

Eu sou a única pessoa no mundo que não pode julgar outra por criar universos paralelos. Mas agora estou tendo mesmo a dimensão do que é especular e se precipitar, que coisa louca! A energia fica turva, parece que demora mais para fluir.

Se o que tem que acontecer acontece, o que podemos fazer? Qual é a saída? Trabalhar e ouvir música.

Quando os medos tomam à frente complica tanto. E é incrível quando vemos isso nos outros. Essa energia turva envolve ao redor também. Logo, a conclusão óbvia chega a chocar: ninguém tem prazer em ficar perto de alguém que antecipa o imutável: o tempo.

Como desacelerar o pensamento para que ele ande no mesmo compasso do tempo?

Ouvindo: Minha Vitória – Sérgio Saas

Foto: Da Internet.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Conselho.


Se tudo é uma questão de hábito, sofrer ou ser feliz também é?

A sensação de identidade é uma das melhores. Como não vibrar quando encontramos em outra pessoa os nossos próprios pensamentos? Sentimo-nos no colo de Deus. Porque é no colo de Deus que costumo me deitar quando sinto que não pertenço a esse mundo. É muito mais complexa que pretensiosa esta última frase. Acontece que, vez ou outra, o mundo fica estranho demais.

E nessa viagem com Ramilson Maia trocamos impressões sobre a vida, os amores e as dores do ser. Pareceu melancólico? Mas não foi. Rimos e liberamos a vaidade de sermos evoluídos a ponto de não assumirmos nossa incapacidade de sermos bons e preenchidos o tempo todo.

Mas concluímos. Concluímos que independente da montanha russa emocional e dos domingos vazios a conexão com o mundo real nunca deve ser perdida. Mesmo que os “nóias” tenham que se apoiar em outros tão “nóias” quanto.

Mostrei a ele minha nova listinha. Não que esteja virando um hábito sem sentido enumerar tudo, mas tenho notado que realmente as coisas fluem melhor quando escrevemos – e principalmente lemos o que escrevemos – e deixamos que as ações aconteçam naturalmente.

Sentada ali, no Centro Cultural Rio Verde, uma casa incrivelmente linda e elegante localizada na Vila Madalena, eu inspirava forte e conscientemente aquele ar da madrugada tomado pelo cheiro úmido de madeira. A decoração do lugar me fez sentir dentro do livro Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf. O que sempre imaginei materializou-se e minhas ideias se descortinaram ali.

Mas uma música nos interrompeu. Leve e sorrateira, a versão reggae da famosa “Conselho”, de Almir Guineto, contou-nos sua verdade. E ouvimos com aéreo sorriso no rosto:

Deixe de lado esse baixo astral
Erga a cabeça enfrente o mal
Que agindo assim será vital para o seu coração
É que em cada experiência se aprende uma lição
Eu já sofri por amar assim
Me dediquei mas foi tudo em vão
Pra que se lamentar
Se em sua vida pode encontrar
Quem te ame com toda força e ardor
Assim sucumbirá a dor (tem que lutar)
Tem que lutar
Não se abater
Só se entregar
A quem te merecer
Não estou dando nem vendendo
Como o ditado diz
O meu conselho é pra te ver feliz


Foto: Sarau do Marcelo Mira, no Rio Verde.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

IN SAO PAULO


Ramilson Maia: Já ta aí.

Eu: Nooooooooooooossa. Eu soube que meu nome está na contra capa. Noooooooossa.
Pirei. Lindo. Te amo muito. Eu quero que mundo se acabe de ouvir isso. PUTA QUE PARIU.

Ramilson Maia: Você é locona, né??? EEEEE NOISSSSSSS.

Eu: : )
Sou apaixonada por esse disco e por vocês.

Ramilson Mais: Gata, vamos fazer um barulho!!!!!


Eu começo, então! Vi o disco IN SAO PAULO nascer. E se minha vida um dia se revelar em uma trilha sonora algumas músicas desse álbum farão parte. Não é porque tenho afinidades com todos eles que amo o álbum IN SAO PAULO. Os motivos são muito maiores. IN SAO PAULO é sensual, chique, cosmopolita e diverso como eu sou, como minha cidade é. Acompanhei boa parte da produção e amei com muita verdade todos os instantes que dividi com esses moços na troca de ideias, impressões, palpites. Sim, eu, muito metida em opinar em um trabalho cujas assinaturas deveriam me fazer ficar caladinha, só ouvindo. Mas minha petulância sempre foi muito maior quando o assunto é cultura, arte, vida que pulsa através da música. E nunca me cansei de ouvir as histórias que todos eles contaram desde que nos conhecemos. Impossível cansar diante de tanta inteligência e sensibilidade. Impossível não se maravilhar diante de tanta habilidade em transformar sentimentos em sons.

Que poder é esse que a música tem? Quem ela revela acima de nossos sentimentos? E as faces ocultas de nossa personalidade que só ela conhece? É ao som de uma música que o durão chora, que se lamenta o amor não correspondido. Além de uma asa para voar para o futuro sem tirar os pés do chão, é também o transporte que nos leva até Deus.

Quem ama música como eu amo, como esses meninos amam, não consegue listar em poucos segundos canções que marcaram a vida, mas é inevitável que ao refletir sobre essa pergunta um sorriso se abra e alguns momentos já saltem à mente. IN SAO PAULO conta sobre mim e sobre uma parte de minha vida que nunca poderei esquecer. Uma paixão, muitas lições, infinitas risadas e sensações de o tempo ter parado.

Desejo que o mundo ouça mesmo tais canções. Que elas toquem corações como tocaram o meu. Que inspirem, façam sorrir ou amar como fizeram em mim. Desejo que elas sejam bandeiras de uma verdade absoluta que nunca deve se apagar: a música cura, liberta, transforma e deve sim ser levada a sério. Desejo que seus autores, todos do mundo e da história, nunca sejam esquecidos. E, principalmente, que os meus meninos, Ramilson Maia, Fernando Ferds e Mad Zoo, sejam os primeiros.

Music Feelings, City Love, Por do Sol e Copan. Tenho certeza que vão amar como eu amo. E reparem no Public Relations. Meu nome agora é parte da história também. Pelo direito de ser feliz amando e ouvindo música!

Ouvindo: Music Feelings

Foto: IN SAO PAULO