quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Conselho.


Se tudo é uma questão de hábito, sofrer ou ser feliz também é?

A sensação de identidade é uma das melhores. Como não vibrar quando encontramos em outra pessoa os nossos próprios pensamentos? Sentimo-nos no colo de Deus. Porque é no colo de Deus que costumo me deitar quando sinto que não pertenço a esse mundo. É muito mais complexa que pretensiosa esta última frase. Acontece que, vez ou outra, o mundo fica estranho demais.

E nessa viagem com Ramilson Maia trocamos impressões sobre a vida, os amores e as dores do ser. Pareceu melancólico? Mas não foi. Rimos e liberamos a vaidade de sermos evoluídos a ponto de não assumirmos nossa incapacidade de sermos bons e preenchidos o tempo todo.

Mas concluímos. Concluímos que independente da montanha russa emocional e dos domingos vazios a conexão com o mundo real nunca deve ser perdida. Mesmo que os “nóias” tenham que se apoiar em outros tão “nóias” quanto.

Mostrei a ele minha nova listinha. Não que esteja virando um hábito sem sentido enumerar tudo, mas tenho notado que realmente as coisas fluem melhor quando escrevemos – e principalmente lemos o que escrevemos – e deixamos que as ações aconteçam naturalmente.

Sentada ali, no Centro Cultural Rio Verde, uma casa incrivelmente linda e elegante localizada na Vila Madalena, eu inspirava forte e conscientemente aquele ar da madrugada tomado pelo cheiro úmido de madeira. A decoração do lugar me fez sentir dentro do livro Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf. O que sempre imaginei materializou-se e minhas ideias se descortinaram ali.

Mas uma música nos interrompeu. Leve e sorrateira, a versão reggae da famosa “Conselho”, de Almir Guineto, contou-nos sua verdade. E ouvimos com aéreo sorriso no rosto:

Deixe de lado esse baixo astral
Erga a cabeça enfrente o mal
Que agindo assim será vital para o seu coração
É que em cada experiência se aprende uma lição
Eu já sofri por amar assim
Me dediquei mas foi tudo em vão
Pra que se lamentar
Se em sua vida pode encontrar
Quem te ame com toda força e ardor
Assim sucumbirá a dor (tem que lutar)
Tem que lutar
Não se abater
Só se entregar
A quem te merecer
Não estou dando nem vendendo
Como o ditado diz
O meu conselho é pra te ver feliz


Foto: Sarau do Marcelo Mira, no Rio Verde.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

IN SAO PAULO


Ramilson Maia: Já ta aí.

Eu: Nooooooooooooossa. Eu soube que meu nome está na contra capa. Noooooooossa.
Pirei. Lindo. Te amo muito. Eu quero que mundo se acabe de ouvir isso. PUTA QUE PARIU.

Ramilson Maia: Você é locona, né??? EEEEE NOISSSSSSS.

Eu: : )
Sou apaixonada por esse disco e por vocês.

Ramilson Mais: Gata, vamos fazer um barulho!!!!!


Eu começo, então! Vi o disco IN SAO PAULO nascer. E se minha vida um dia se revelar em uma trilha sonora algumas músicas desse álbum farão parte. Não é porque tenho afinidades com todos eles que amo o álbum IN SAO PAULO. Os motivos são muito maiores. IN SAO PAULO é sensual, chique, cosmopolita e diverso como eu sou, como minha cidade é. Acompanhei boa parte da produção e amei com muita verdade todos os instantes que dividi com esses moços na troca de ideias, impressões, palpites. Sim, eu, muito metida em opinar em um trabalho cujas assinaturas deveriam me fazer ficar caladinha, só ouvindo. Mas minha petulância sempre foi muito maior quando o assunto é cultura, arte, vida que pulsa através da música. E nunca me cansei de ouvir as histórias que todos eles contaram desde que nos conhecemos. Impossível cansar diante de tanta inteligência e sensibilidade. Impossível não se maravilhar diante de tanta habilidade em transformar sentimentos em sons.

Que poder é esse que a música tem? Quem ela revela acima de nossos sentimentos? E as faces ocultas de nossa personalidade que só ela conhece? É ao som de uma música que o durão chora, que se lamenta o amor não correspondido. Além de uma asa para voar para o futuro sem tirar os pés do chão, é também o transporte que nos leva até Deus.

Quem ama música como eu amo, como esses meninos amam, não consegue listar em poucos segundos canções que marcaram a vida, mas é inevitável que ao refletir sobre essa pergunta um sorriso se abra e alguns momentos já saltem à mente. IN SAO PAULO conta sobre mim e sobre uma parte de minha vida que nunca poderei esquecer. Uma paixão, muitas lições, infinitas risadas e sensações de o tempo ter parado.

Desejo que o mundo ouça mesmo tais canções. Que elas toquem corações como tocaram o meu. Que inspirem, façam sorrir ou amar como fizeram em mim. Desejo que elas sejam bandeiras de uma verdade absoluta que nunca deve se apagar: a música cura, liberta, transforma e deve sim ser levada a sério. Desejo que seus autores, todos do mundo e da história, nunca sejam esquecidos. E, principalmente, que os meus meninos, Ramilson Maia, Fernando Ferds e Mad Zoo, sejam os primeiros.

Music Feelings, City Love, Por do Sol e Copan. Tenho certeza que vão amar como eu amo. E reparem no Public Relations. Meu nome agora é parte da história também. Pelo direito de ser feliz amando e ouvindo música!

Ouvindo: Music Feelings

Foto: IN SAO PAULO

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Egoismo, Insegurança e Liberdade

Qual o maior problema do ser humano? Solidão? Insegurança? Ganância?
Conectada às infinitas redes sociais em um dia tranquilo, meu grande amigo Edvaldo Rodrigues me chama:

Eddi diz:
Oi. Tudo bem? Como está o seu dia?

Eliana de Castro diz:
Oi, meu querido. Tudo bem sim. Está um dia tranquilo. E o seu?

Eddi diz:
Hoje estou um pouco perturbado. Soube que um amigo meu matou a esposa, fiquei triste.

Eliana de Castro diz:
Jura? Conte-me direito. Um amigo muito próximo?

Eddi diz:
Pois é, ela era mais minha amiga, saiu ontem nos noticiários. Acho que foi por ciúmes.

Eliana de Castro diz:
Uau. O mundo está assim, amigo. É triste, né? As pessoas estão perdendo a razão por nada.

Eddi diz:
Fico pensando na situação dos dois agora. Um já não existe e o outro arrependido.

Eliana de Castro diz:
É.Que acabou com a própria vida. Dificilmente se perdoará. Como ele a matou?

Eddi diz:
Com uma faca, tinham apenas três anos de casados.

Eliana de Castro diz:
Pouco. Nossa. Que triste. E eram jovens?

Eddi diz:
Sim, ela tinha 28 e ele 35. O mundo está louco e estressado. As pessoas estão matando por nada.
Não sei o que é pior, se sentir ciúmes ou remorso depois de tudo feito.

Eliana de Castro diz:
Pode crer. Olha, tenho tanto medo de um como de outro. Tenho medo de alguém com ciume de mim e de mim temendo perder alguém. Ninguém merece esse arrombo que a insegurança faz em nosso emocional. Parece que nada supre. E é essa insegurança que nos leva a essa loucura de matar, de morrer, de fazer mal a alguém.

Eddi diz:
A insegurança, sempre a insegurança, só uma coisa modifica tudo isso: alternativas. Mas isso ainda vejo como falta de educação. Não posso tirar o direito do outro de viver porque não se interessa pelo o meu sentimento.

Eliana de Castro diz:
Sempre a insegurança sim, amigo. E depois o egoismo. Se não temos, não podemos deixar o outro ter. É simples. E o povo está cada vez mais preguiçoso para cuidar de si. Hoje li uma frase que até ri depois. Era mais ou menos assim: "Todos os dias quando acorda e antes de sair você arruma o cabelo, porque não faz isso com seu coração?" É boba mas é interessante ao mesmo tempo.

Eddi diz:
Rsrsrsrsrsrs. Pode crer.

Eliana de Castro diz:
Realmente nos arrumamos fisicamente. Mas não prestamos atenção a nenhum sentimento pela manhã. Não meditamos nas razões de estarmos felizes, tristes. Para nos conhecermos melhor.

Eddi diz:
Pura verdade. Estamos atentos ao que vemos o tempo inteiro. Agora, ao abstrato, que é o que sentimos, pouco ligamos. As coisas mais significativas da vida não vemos, apenas sentimos, não é palpável.

Eliana de Castro diz:
Dá trabalho ter sentimentos. Dá trabalho sentir conscientemente. Inconsciente é menos trabalhoso.

Eddi diz:
Pois é, somos escravos dessa sociedade de consumo que mecanicamente o tempo inteiro nos orienta a valorizar só o que vemos, por isso banalizamos as pessoas e valorizamos mais os objetos. O mundo ocidental consegue se relacionar melhor com coisas do que com pessoas.

Eliana de Castro diz:
Coisas desligam quando não estamos a fim. É simples. Aí é que está, né. Hoje o mundo é assim porque se desliga muito fácil.

Eddi diz:
Verdade.

Eliana de Castro diz:
Chateou, desliga. Doeu, desliga. Me traindo? Desliga. É louco. Acho que a solidão é a única coisa que não desliga. E isso leva muita gente à loucura. Essas coisas de relacionamento, sabe. É ego. Mas é ego solitário. Acho que até a pessoa egocêntrica, mas cheia de coisas que a fazer viver, não comete essas loucuras. O ego solitário é mais propenso.

Eddi diz:
Que coisa, é um absurdo.

O caminho da felicidade não é o desapego das pessoas no sentido de não precisar delas, quando as desligamos de nosso sistema quando algo nos incomoda. Pratica-se o desapego errado. O segredo é apegar-se a tal ponto para deixá-la livre. Como podemos deixar livre quem temos medo de perder? Talvez, amando mais nossa própria liberdade.

Ouvindo: Undisclosed Derises – Muse
Foto: Da Internet

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ainda Sobre Nelson Motta.

Falando ainda sobre Nelson Motta e o quanto o admiro por sua onipresença – porque para mim é impossível que uma pessoa tenha vivido tantas coisas com tantas pessoas e seja uma personalidade tão importante na história – fico pensando no quanto necessito também fazer parte. Seja do que for. Ir ao show do momento, ver o filme do momento (exceto a saga Crepúsculo que abomino) ver pessoas, movimentar-se. E fico pensando também no que plantei para minha vida estar hoje onde está.

Sempre chegamos onde desejamos? Quando encontramos algum amigo do passado casualmente e vemos que seus sonhos não aconteceram como ele sonhava em diversas conversas memoráveis qual é a sensação? Sorte? Destino? Ausência de gana?

Tudo tem um preço. Cada escolha é uma renúncia. Duas frases famosas e tão reais quanto o presente – e como o presente tão difíceis de viver. Mas será que fazer parte de uma história – seja ela em que área for – não depende somente de quanto investimos nisso? É interessante perceber na trajetória desses grandes nomes da música o quanto tudo estava ligado. O quanto um fazia parte da vida do outro desde muito cedo, mas alguns escolheram sair, casar, viajar ou não acreditavam que poderiam fazer sucesso, e nem sempre quando decidiram voltar à cena puderam.

À mesa com Ramilson Maia em nosso último café, enquanto ele me apresentava uma pessoa com quem está dividindo novos sonhos na música, eu ouvia maravilhada os inúmeros episódios que tecem a grande história da música eletrônica no Brasil. O livro do Nelson Motta sobre Tim Maia estava sobre a mesa, ali, testemunhando uma verdade que nem me dei conta até que o Ramilson disparou: nós também vimos tudo, conhecemos tudo e todos, e você hoje está vendo tudo e fazendo algo, sendo parte da história que será contada amanhã.

Ser eu Nelson Motta. Ser eu alguém que vive tudo o que pode. Ser eu alguém que todos os dias abre mão de alguma coisa para conquistar outra. E a vida vai seguindo e sendo escrita. Que falem sobre mim ao menos em uma linha nos livros do futuro. Ou que me permitam ser Nelson Motta.

Ouvindo: Amazing - Seal

Foto: Nelson Motta

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Tim Maia e Blogueiro Divertido.


Hoje, como editora de conteúdo, uma de minhas deliciosas funções é encontrar o que há de mais cool acontecendo por aí. No mundo real ou virtual, tenho a missão de conhecer, entender e propagar. E visitando um montão de Blogs encontrei esse: Wrapped Up In Books, escrito por João Baldi Jr. O espaço é divertido, com textos leves e com um olhar apurado sobre coisas cotidianas.

Replico uma parte de um post chamado: Problemas Práticos do Romantismo Teórico.

Como eu já disse aqui antes, as pessoas quando se apaixonam tendem a, ainda que sutilmente, se dissociar da realidade e das pessoas ao redor, de certa forma se fechando em um mundo pessoal onde as nuvens são cor-de-rosa, o universo tem música ambiente e gastar 300 reais numa blusa faz sentido se ela tiver realmente achado aquilo bonito. E com isso, com essa vida imersa numa bolha de amor, paixão, sentimentos românticos e depoimentos de orkut com letras do Jota Quest, o casal começa a desenvolver um grau de intimidade que gera praticamente uma linguagem própria, tanto no campo verbal quanto no não-verbal, com gestos, silêncios, e movimentos que dizem mais do que palavras, frases ou mesmo livros inteiros jamais poderiam dizer. E claro, é nesse contexto que também surgem eles: os apelidos carinhosos.

Vale a visita:
http://justwrappedupinbooks.wordpress.com/


Outra recomendação, tardia talvez porque o livro existe há muito tempo, é a biografia do Tim Maia. Estou amando! Claro, tirando a adoração que tenho por Nelson Motta – porque a vida dele é invejável para mim mesmo quando eu penso que ser a Carrie Bradshaw é a melhor coisa do mundo – tudo que rola naquelas páginas é inacreditável. Pela importância do Tim na música brasileira, pelas loucuras e pelo cenário em que ele viveu com tantos outros personagens importantíssimos. Vale a leitura também!

Ouvindo: Azul da Cor do Mar – Tim Maia.

Foto: Tim Maia.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Quais Causas Você Defende?

Ao sair do escritório do Greenpeace depois de uma reunião interessantíssima, fiquei pensando no valor incalculável de um princípio. O que a todo custo eu defendo? O que por nenhum dinheiro desse mundo eu abro mão? Qual o tamanho da minha coragem para fazer valer o que penso sobre tantas coisas? No mundo da comunicação rápida, das relações superficiais, dos encontros e desencontros num espaço cada vez mais sem fronteiras, quais são as rosas que cuido no meu pequeno e íntimo país?

Não sei se todos sabem, mas o Greenpeace não aceita dinheiro de empresas ou governos. Os trabalhos são financiados por mais de três milhões de ativistas em todo o mundo. Esse posicionamento tem a ver com o desprendimento que eles necessitam para colocar o dedo na ferida. Críticos, sérios e muitas vezes temidos, os greens preservam antes do verde a própria liberdade de ser.

Enquanto o taxi seguia rumo ao próximo compromisso tentei responder as questões acima. Palavras, argumentos, teorias, mistérios em torno de pessoas e sentimentos. Um mar escuro de ideias. Dá trabalho ter opinião própria. A única coisa que já sei é que é solitário defender causas de essência simples. O Pequeno Príncipe, clássico da literatura estrangeira, é um dos livros mais lidos no mundo e um dos menos compreendidos. Assim como o amor, a preservação do nosso espaço, a honestidade.

Ouvindo: Ainda Bem – Vanessa da Mata

Foto: Centenas de milhares de estudantes chineses insatisfeitos com o governo saíram às ruas de Pequim, em maio de 1989, para protestar contra o Partido Comunista. Vinte anos depois, a atitude de um homem é lembrada como um dos momentos mais marcantes do século 20. O "rebelde desconhecido" colocou-se em frente a um comboio de tanques de guerra e fez sinal para que parassem. Por breves momentos, foi atendido. O ato entrou para a história como um símbolo de luta pela paz.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Plano Myself.


Depois de ter elaborado o Plano MySelf resolvi colocá-lo em ação. A ideia surgiu depois do último almoço com a Katy Corban, amiga querida e meu espelho, e finalizou em outro almoço com a Ana Bentz. Alguns assuntos, entre tantos fúteis, elevaram nossa alma quando comprovamos que nada é mais importante que ser/estar completo. Quando todas as áreas da vida estão em harmonia com o que somos de verdade.

O que é o Plano MySelf? Difícil explicar porque é muito pessoal, mas se posso resumir para ser copiado: são ações saudáveis ligadas ao físico, emocional e espiritual que tem como objetivo alcançar X metas. Esse plano envolve práticas e pessoas e todos os dias têm que ter uma ação que deve ser anotada num diário. Aqui, vale copiar com carinho o que a publicitária Gisela Rao coloca ao final de cada post no seu blog Vigilantes da Autoestima: “o que fiz de bom para mim:”.

Entre tantas coisinhas fofas que fiz por mim, o que quero descrever:

Um: Voltei a correr. Poucas sensações são melhores que a energia que corre no corpo depois de uma corrida. Eu tinha me esquecido completamente disso depois da Maratona Roacutan, iniciada no ano passado.

Dois: Convidei uma das pessoas mais interessantes que conheço para jantar: Mad Zoo. É o tipo de ação impossível de viver sem. Como havia um tempo que eu não o via e ele não poderia saber das mudanças da minha vida por qualquer outra pessoa ou por um encontro aleatório do destino, liguei e convidei. Aqui está um dos grandes segredos de uma vida feliz: saber devolver a quem muito te deu. Saber retribuir, nem que seja com um delicioso jantar acompanhado de um bom vinho, a quem teve paciência de segurar uma fase difícil de sua vida.

Por que criei o Plano MySelf? Estou em um emprego top. Meu chefe é top. Seus sócios são os caras mais tops que admiro com a alma. Meus amigos me amam e eu a eles. Tenho uma vida estilosa e tudo o mais que desejo. Mas faltava algo. Talvez o algo que cansei de escrever sobre: a insaciabilidade de minha alma.

Fiquei dias pensando, angustiada, até que cheguei à conclusão obvia, edênica, original: cuidados com o meu próprio corpo. Serotonina, endorfina, adrenalina. Todos os inas estavam longe de mim. A moral da história desse texto é o quanto suas emoções precisam de atenção. E não falo simplesmente de identificá-las. Sinto raiva, sinto amor. A estrutura de uma emoção é coisa séria. Envolve muito mais que coisas externas. Cuidar do corpo é garantir a felicidade real. Aquela que, infelizmente, nada top vai poder proporcionar a não ser um cuidado top de você para com você mesmo.

Ouvindo: Shared – Mad Zoo Feat. Geanine.

Foto: Da Internet.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Poderes e Responsabilidades - Comentário.


Meu amigo Everton me mandou o link de um post do Blog do jornalista Gustavo Poli, do Globo Esporte, falando sobre o caso do goleiro Bruno, do Flamengo. Ele pediu para eu ler e dar a minha opinião. Resolvi colocar aqui também como uma forma de estimular a busca de si mesmo – nunca o julgamento porque isso só pertence a Deus. Para quem quiser ler, vale muito a pena pelo incrível texto e questionamentos.

http://globoesporte.globo.com/platb/gustavopoli/2010/07/08/poderes-e-responsabilidades/

Segue:

O jornalista Gustavo Poli é o tipo de cara que imagino ser insaciável, alguém que possui um buraco na alma e vive constantemente em busca de respostas. Para suas perguntas, para as perguntas dos outros - ele é jornalista! -, mas, principalmente, para as perguntas sem respostas. Ele é do tipo que anota as frases impactantes dos filmes. A primeira eu sempre ouvi de uma amiga, ela sempre me dizia isso quando eu queria desistir de uma pessoa, por não aguentar compreender mais e ter que fazer cara de botox e ainda não ter de volta alguma coisa, o mínimo de uma relação. Ela me via com esses grandes poderes e sempre me lembrava que não adiantaria eu chorar. Na hora que comecei a leitura me emocionei porque lembrei dela e já previ o que viria a seguir.

Agora, a frase do Cage é de escrever no teto do quarto para ler todo dia quando acordar. Linda. Aliás, não é linda, é séria! E a dança com o demônio começa sempre com sentimentos pouco perceptíveis para si mesmo como orgulho, presunção e, como ele disse sabiamente, a sensação de estar acima do bem e do mal. Mal dos famosos? Dos poderosos? Não sei. Essa parte é muito discutível porque para mim todos somos poderosos, porque abraçamos um número X de pessoas e para elas somos modelos ou mesmo quando não somos modelos, se temos um pouco mais de poder de persuação, fodeu. Levamos qualquer um para qualquer lugar.

O que está acontecendo com o Bruno acontece todos os dias com muitas outras pessoas. Muitas outras famílias perdem filhas (não estou de forma alguma achando que a mulher é 100% vítima, por mais chocante que isso possa parecer). O que faz com que o caso seja chocante é por ele ser um cara que nunca, nunca, nunca, seria capaz de fazer algo assim, por um motivo óbvio: ser esportista. E ser esportista para mim significa muita coisa que vai além de ser disciplinado ou sarado. Envolve o que se come, como se vê o outro, como se supera limites (físicos e emocionais), entre outras tantas coisas. Existem muitos Brunos por aí, nesse exato momento caindo na real, vendo que sua divindade foi só uma historinha que sua consciência prepotente contou ou talvez o próprio diabo. Embora eu nem goste tanto de responsabilizar o diabo por certas coisas por achar que Deus nos deu inteligência suficiente para sabermos escolher. Mas que seja o diabo, a influência de amigos do mal ou a própria sina de alguém que não consegue entrar em contato com o seu eu (isso sim é mega perigoso).

A questão final que o jornalista coloca é muito mais importante que qualquer outra linha cheia de pensamentos elaborados. Você fuma perto do seu filho? Eu minto para meus amigos ou pessoas que eu amo. Eu sou capaz de ser alguém que transgride porque acha que transgredir é ser livre? Um dos versos bíblicos que mais amo e acho de uma riqueza incapaz de absorver é: conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará. Hoje, na favela, nos bairros nobres, nos uniformizados ou nos engravatados, quase só é possível ver prisão. Prisão sentimental, física (tais pessoas não conseguem nem cuidar do próprio corpo) e, neste caso, emocional, porque perde o valor de si mesmo, porque a pessoa nem contabiliza o mal que fará a si mesmo sendo preso, sendo uma vergonha nacional e afins. Os problemas sociais citados no texto, as cidades partidas e valores partidos para mim são só reflexos de almas partidas.

Ouvindo: Maria Gadú – Lounge.

Foto: Da Internet.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Mudanças.


Mudanças. Uma noite inteira sem dormir. No momento que a vida passa diante dos olhos não temos voz, não temos pensamentos coerentes, não temos ação. Mudar. Deixar pessoas, lugares, costumes. Por que mudar é tão difícil mesmo quando o que vem adiante é algo tão desejado?

Logo cedo, caminhando pela penúltima vez pela Av. Paulista, vi uma cena que me fez sorrir. Uma moça parecia estar indo para o seu trabalho como todo mundo só que de forma diferente. Em cima de uma bicicleta ela andava muito bem vestida e de salto alto. Seus cabelos curtos, ultra modernos, e suas roupas despojadas compondo um belíssimo look Hi Lo me deixaram extasiada. Essa moça me falou sem saber sobre a beleza de mudar, de ousar sem se importar com quem está olhando, de usar novos meios de transporte, novos cortes de cabelo, roupas ou adotar completamente um novo estilo de vida.

Ainda que saibamos que a impermanência é uma das poucas certezas que temos, é difícil trocar, mesmo quando algo não funciona ou alguém não nos faz bem. O universo paralelo que criamos, onde residem nossas fantasias que constantemente confundimos com realidade, é invasivo. O resultado dessa guerra nem sempre é felicidade e vida pulsante.

Queria tê-la fotografado. Queria, aliás, também fotografar todas as mudanças desse meu momento. Para me incentivar, experimentar e, principalmente, olhar as fotos daqui a algum tempo quando tudo voltar a ser comum – se voltar – e não ter medo de mudar outra vez.

Alvin Toffler, o grande analista de tendências encerra por mim: mudança é o processo no qual o futuro invade nossas vidas.

Ouvindo: My Tribute - Israel Houghton

Foto: Da Internet.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Liberdade.


Não sei se é de aquariano, mas toda vez que me sinto triste ou angustiada quase sempre tem a ver com a sensação de estar presa a alguma coisa ou a alguém. A liberdade é a minha felicidade. Mas antes que se pense que eu falo de liberdade no sentido de - direito de ir e vir – digo que não é isso. Falo da sensação indescritível que vem do mais íntimo, de poder ser quem você é. Coisa de aquariano? De artista? De qualquer ser humano minimamente consciente? Não sei.

Sentadas a mesa no Tahitian Café, Mafê e eu falávamos sobre os caminhos que nossas vidas tomaram depois da Fábrica de Criatividade. Embora sejamos muito diferentes, algo que sempre tivemos em comum é o desejo de viver cada dia com festa, arte e significado. Partilhamos coisas lindas em cinco anos e todas elas estavam relacionadas com o anseio de nossos dias terem um propósito. E não falo de um dia na semana, mas todos os dias! Como os anos passam e com cada um surgem mais responsabilidades, hoje a vida não é tão simples como antes e é muito claro que o esforço de torná-la ideal é muito maior.

Enquanto voltava para casa feliz pelo encontro, me distraia com uma edição especial da revista FFW Mag sobre Londres. Uma das reportagens contava sobre a relação intrínseca das drogas com as celebs. Certo trecho escrito pela jornalista Luciana Pessanha fechou com perfeição meus pensamentos:

(Sobre Amy Winehouse) Adoramos vê-la completamente high, afirmando que não é drogada. Ou vibramos com sua maquiagem borrada, com suas fotos ao lado do namorado ensanguentado e com todos os seus escândalos, que consumimos avidamente bombando a indústria da invasão de privacidade e suas revistas – a droga das pessoas de vida pacata. E pode apostar que somos voyeurs, muito menos por morbidez do que por admiração. Ainda que detonados, os ídolos que se jogam nas drogas têm uma aura de liberdade que admiramos. E talvez seu glamour resida exatamente nessa licença de fazer o que querem da vida, inclusive jogá-la no lixo, enquanto nós acordamos cedo, trabalhamos, assistimos TV e gastamos anos sem que um pico de emoção nos acometa.

Não estou, óbvio, fazendo nenhuma apologia ao uso de drogas, apenas comprovei que muito de nosso comportamento acomodado deve-se a covardia de pegarmos nossa vida pelas mãos e levá-la para onde sempre desejamos. E eu resisto muito a isso. Meu corpo chora quando algo está amarrado e não estou livre. Coisa de Aquariano? De Artista? De qualquer ser humano minimamente consciente? Não sei.

Ouvindo: Music Feelings – Ramilson Maia e Fernando Ferds

Foto: Kate Moss – Ícone de beleza e liberdade.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ninguém Está Só.

Normalmente convivo com um tipo de solidão – e não é a que a maior parte das pessoas conhece -, mas senti-me feliz, muito feliz, e naturalmente menos só, quando recebi as análises deste Blog. Mundo, obrigada! Às cidades Viseu e Lisboa, em Portugal; Luanda, na Angola; Croissy e Beaubourg, na França; Califórnia, Estados Unidos e Oshawa, no Canadá. Obrigadas!

Dentro do meu Brasil, tenho audiência em quase todos os estados, lindo! Obrigadas! Em São Paulo está a grande maioria e Rio de Janeiro vem em segundo lugar. É incrível ver que meus pensamentos alcançam outras pessoas em lugares tão diferentes do meu. Isso prova que a força de atração entre mentes “gêmeas” é muito mais forte que a geografia.

De presente a quem entra aqui e não mora em São Paulo uma foto da minha avenida preferida: Avenida Paulista. Por ela ando todos os dias, vivo histórias, encontro gente, sou testemunha de muita coisa interessante e, principalmente, me inspiro.

Valeu Ítalo Santana, meu querido amigo que me ensina a ser mais moderna aliando ao meu trabalho a irresistível tecnologia.

Ouvindo: Heroes & Saints - Nicolaj Grandjean

Foto: Av. Paulista – Foto Alex Uchoa.

domingo, 20 de junho de 2010

Fábio Jr. e o Tal do Borogodó.

O homem desejo nem sempre é belo ou rico, mas sempre é livre. Livre de frescuras, de pressa, de passado e futuro. O homem desejo é sempre hoje. Ele é intenso, dança num palco ou no meio da sala com a mesma paixão. Ele envelhece mas em seu rosto não se enxerga rugas. Ele pulsa vida.

Nasci em 1982 e Fábio Jr. já era um homem desejo. Hoje, 28 anos depois, ele continua. Cada um tem um gosto e muitos podem discordar, mas duvido que qualquer pessoa mais ou menos entendida do que é o tal do “borogodó” não se renda diante dele.

Assisti seu último show no Credicard Hall. Sempre quis gritar “lindo!” diante daquela mexidinha no cabelo na altura da nuca. Ele faz amor quando canta! (Ok. Brega) Tenho 100% de certeza que todas as mulheres naquele espaço iriam para a cama com ele, se pudessem. O que fiquei a pensar, depois, é: o que torna um homem o desejo em pessoa? (Adoraria muitos comentários sobre essa pergunta)

Fábio Jr. é para mim o homem desejo porque não consigo imaginar que ele use qualquer palavra vulgar enquanto está com uma mulher. Isso para mim é tudo. Ele é o homem que consegue o que quer contando histórias mansas, falando devagar, com voz baixa, agindo como se a coisa menos importante do mundo fosse o sexo. Acho muitíssimo charmoso quem deseja algo e não se comporta como quem deseja. É atraente demais quando um homem não demonstra onde ele quer chegar. Quando não consigo ler nada nos olhos de um homem ele se torna muitíssimo interessante.

Um Fábio Jr. adora uma mulher sem olhá-la como um simples composto de zonas erógenas. Um Fábio Jr. nunca concorre com uma mulher. Os namorados e maridos presentes no show se constrangeram um pouco diante da gritaria. Não sei se seus egos correram dali de vegonha, mas imagino que boa parte tenha se perguntado: o que ele tem que eu não tenho?

O show em si não me deixou totalmente satisfeita. Apesar de o repertório ter sido o que todos nós sonhamos, achei que ele cantou de qualquer jeito. Contratem um cenógrafo com urgência e nunca deixem que o Fiuk entre no palco e não diga ao menos um “oi” para a plateia.

Ok. Gritei muito com a entrada do Fiuk. Eu iria para a cama com os dois... Juntos.

Ouvindo: Sem Limites Pra Sonhar – Fábio Jr.

Foto: Show no Credicard Hall – 18 de Junho de 2010.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Maria Gadú.


Quando uma alma encontra uma canção que a preenche a sensação vivida é inenarrável. Na tentativa de chegar mais perto das palavras, normalmente apertamos a tecla “repeat”. É por isso que ouvimos muitas vezes a mesma música.

Altar Particular, de Maria Gadú. Que poesia! Minha alma está completamente apaixonada por esta canção. Confesso que não dei muita atenção ao seu álbum de estréia, tendo conhecido apenas a Shimbalaiê, porque ouvia sem atenção quando tocava na novela Viver a Vida. Shimbalaiê foi a Palpite, de Vanessa Rangel, em Por Amor (1997/1998). PS: Que saudade da doce rebelde Milena, personagem de Carolina Ferraz! Como todo grande sucesso de novela que lança um novo nome que nem sempre decola, não dei muita atenção.

Enquanto trocava impressões com o Filipe Vicente sobre algumas músicas da Vanessa da Mata e Ana Carolina, ele falou sobre Maria Gadú. Recomendou-me seu disco com bastante entusiasmo. Ouvi diversas vezes. Deixei que cada canção entrasse sem reservas e, claro, estou rendida! Sua voz é linda, as músicas são delícias e delas brotam uma energia relaxante. Nem todas arrebatam, mas a maioria sim – curiosamente as de sua própria autoria. Destaque também para Bela Flor e Lounge. A única que não gostei foi Laranja. E só para não perder a piada, a francesa Ne Me Quitte Pas lembrou muito o Joey tentando aprender francês na Décima Temporada de Friends. A versão Baba, da Kelly Key me deixou sem opinião.

Sem mais, a vida vai passando no vazio, estou com tudo a flutuar no rio, esperando a resposta ao que chamo de amor. Lindo!

Ouvindo: Altar Particular – Maria Gadú

Foto: Albúm Maria Gadú.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Casting.

Assisti “Casting”, espetáculo com Caco Ciocler e grande elenco. Não gostei! Os dois atos me incomodaram muito e em alguns momentos tive que apertar a “Tecla D” do meu sistema para continuar ali. Admito que o texto “pesado” foi passado com certa leveza, levando o público a rir em muitos momentos. O fato é que as atrizes não souberam controlar suas vozes – estridentes e sem harmonia quando tinham que interagir – o que matou a peça para mim, pois 90% do enredo é com elas. Outro ponto péssimo: a nudez total de uma das atrizes. Foi apelativo. Não foi nem de longe o tipo de nudez que agrada aos olhos – embora eu não tenha certeza se toda nudez tem que agradar.

“Casting” situa-se numa cidade russa e conta sobre a tentativa de seu povo de sair da apatia e desesperança geradas pelo fim do comunismo e início do capitalismo. As personagens principais, quatro mulheres de várias gerações – algumas sem um corpo ideal – batalham para ser levadas para Singapura para trabalhar em um “show” que depois se descobre ser um show erótico. Ciocler faz muito bem o papel de produtor do processo seletivo e seu lado ridículo – no bom sentido – é bem bacana.

É claro que escrever sobre qualquer produto de arte e cultura é muitíssimo complicado pela realidade óbvia: além do gosto de quem escreve pesa também o tamanho do conhecimento que se tem sobre o contexto. Ratifico, então, que não tenho nenhuma intenção de mostrar-me como profissional do assunto. Minha opinião é livre.

Para gostar ou não gostar, incentivo sempre que se vá ao teatro. Que se saia de casa! O melhor de uma crítica sempre é o fato de ter vivido a experiência.

Ouvindo: Quem Sou Eu – Sandy Leah.

Foto: Casting – Divulgação.

domingo, 9 de maio de 2010

Frescor dos Tempos da Faculdade.


Ela estava sozinha. Era minha chance. Há um ano a encontro e claramente ela me ignora. Um dia até tentei falar mas sua postura foi tão ríspida que fiquei constrangida. Estranho. Ela era a Miss Simpatia nos tempos da faculdade. Carinhosa, sempre feliz e sorrindo. Lembro que um colega dizia que todos os seus e-mails vinham com desenhos de ursinhos sorrindo.

Levantei-me e fui até ela. Pedi licença para sentar com uma falsa educação porque não poderia permitir que negasse. Ela não gostou. Disparei, sem demora “queria fazer uma pergunta: por que você não fala comigo”. Ela paralisou. “Não sei, não tenho uma resposta, estranho me perguntar isso”. Eu disse que não era estranho já que convivemos quatro anos e que eu lembrava dela com muito carinho.

O diálogo não foi promissor e ele não importa muito neste texto. O que me fez pensar durante o caminho voltando para casa é o quanto nós mudamos ao longo do tempo e deixamos de ter o frescor dos tempos da faculdade. Falo daquela característica irresponsável que nos tornava únicos. Algo que superava a importância do dinheiro, de um emprego estável, da pressão de um casamento, entre outras coisas.

Ela não mudou muito fisicamente, suas roupas e cabelos continuam quase os mesmos. Mas ela mudou a melhor parte, pelo menos para mim. O olhar puro. Hoje ela tem mágoas, é rude.

O que hoje eu carrego comigo que não levava antes? Embora eu me sinta muito melhor hoje que nos tempos de faculdade, será que as pessoas ao me encontrarem por acaso saem com uma impressão de eu ter pedido algo muito meu?

De Eliana para Eliana: hoje sou resultado de uma batalha vencida contra uma montanha de medos e mágoas. Hoje meus sorrisos são constantes e minha disposição de ser feliz renovada a cada manhã.

Na segunda vez que ela comentou que achava estranho eu fazer tal pergunta, finalizei dizendo que nada do que era importante para mim era estranho, que eu ia atrás quando algo valia a pena para mim, e ela valia. Isso pelo menos eu sei que preservo dos tempos da faculdade ou desde que nasci.

Ouvindo: Believe - Cher

Foto: Jackie DeShannon.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Tempo de Comédia


Ontem, conferi a pré-estreia da peça Tempo de Comédia. A personagem principal, a robô JC, é atriz de novela de um pequeno canal de televisão onde todos os atores são robôs. Um jovem escritor decide visitar os estúdios para conhecer o lendário diretor desta novela e acaba descobrindo em JC algo especial. A andróide não apenas reproduz os comandos dos produtores, em alguns momentos possui vida própria, expressando um senso de humor obviamente incomum e até sentimentos. A história se desenrola em cima de uma impossível/possível paixão entre a robô e o jovem escritor.

Não vou tecer nenhuma crítica sobre a peça, cargo que deixo para meu querido Filipe Vicente, ator, alguém capaz de fazer isso com mais competência e que, óbvio, assistiu a peça comigo. O que quero falar é sobre uma das curiosidades da JC, para mim uma das coisas mais fofas da peça.

Um dos comandos básicos da robô é tocar uma música cada vez que sente uma forte emoção – seja ela qual for. Pensando sobre o enredo, enquanto voltava para casa, fiquei imaginando quais músicas eu tocaria espontaneamente nessa atual fase da minha vida. Seria bem interessante se isso pudesse realmente acontecer. Uma, sem dúvida, que estaria tocando muito é I Didn't Know My Own Strength, da Whitney Houston. A letra é muito forte, a melodia linda, vale conferir a tradução e se render.

Enquanto minha trilha sonora não está totalmente composta, eu, robô, reproduzo alguns comandos e também me revelo como a JC. E toco algumas canções que em certos momentos falam melhor que eu mesma.

Ouvindo: Whitney Houston - I Didn't Know My Own Strength

Foto: Tempo de Comédia

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Lista da Felicidade




Um caderno de anotações antigo chamou minha atenção na pilha de livros que decora meu quarto. Não lembrava mais o que continha nele. Colorido, com páginas muito bem desenhadas, reli o que escrevi ao longo de alguns anos: desabafos, frases de livros que me marcaram e uma lista muitíssimo interessante, a Lista da Felicidade.

Não lembro em que momento a criei, mas recordo que a preenchia religiosamente, cada vez que eu vivia um momento feliz. O objetivo era, ao final de cada ano, fazer uma espécie de Balanço. Esta prática me permitia visualizar como eu estava aproveitando meus dias.

Por diversas razões que não preciso citar, esqueci deste caderno. Esqueci de preencher essa lista. Não deixei de viver bons momentos, mas esqueci do Balanço, esqueci do compromisso de ter sempre um ano melhor que o outro, de fazer tudo ser mágico.

Reler cada tópico foi como ter injetado serotonina em minha corrente sanguínea. O que é a vida, afinal? Para mim, um incrível Parque de Diversões. Mesmo tendo vivido muita coisa estranha, triste, sem sentido, sempre fiz questão de sentir-me viva. E um pouco desta vida, quero colocar aqui, até para ensinar esse método a quem também não quer deixar passar um dia feliz.

Selecionei tópicos que talvez façam mais sentido para quem não convive comigo. E a forma como escrevi indica a sensação do momento.

1) “A Laura Pausini pegou na minha mão, como assim? Ela disse “no chora, no chora”. Ela pegou na minha mão!”

2) “Caraca! eu fiquei pertinho da Madonna.”

3) “Filipe me ligou às 4h da madrugada, inacreditável: temos ingressos para ver o Michael Jackson em Londres!”

4) “Alô? Amiga? Não vai adivinhar quem está aqui, ao meu lado, na festa! Cauã Reimond.”

5) “Não acredito, a Xuxa está de mãos dadas com o Denílson. Essa ele vai me dever a vida inteira.” (Gravamos o TV Xuxa, em 2008, no Projac)

6) “Nossa! a produção do Jornal Nacional me ligou interessada em fazer uma reportagem sobre a Fábrica de Criatividade.”

7) “Fiquei muito nervosa, acabei de conversar com o Gilberto Dimenstein.”

8) “E subo bem alto pra gritar que é amoooooooooooooor”. (Quando comprei o DVD Estampado, da Ana Carolina, eu cantava bem alto, quase gritando, de frente para a TV).

9) “Estou de ponta cabeçaaaaaa” (Rapel no Viaduto Sumaré com a equipe Los Amigos; inesquecíveis Maskara, Rafael Rocha, Binha e Thiago Zamith)

10) “Coloquei salto alto e fiquei linda, sem NENHUMA dor no joelho.” (em 2005 fiquei três meses sem andar devido a um problema no joelho)

11) “Fingi que perdi a chave na mochila só para demorar para abrir o portão e ver o Bruno passar.” (Bruno, em 2005 morri de amor por ele, hoje um grande amigo)

12) “Sou muito abençoada, nem acredito que hoje o Júnior é meu mentor.” (José Júnior, coordenador executivo do Grupo Cultural Afro Reggae, uma pessoa que mudou drásticamente minha vida. Devo muita coisa a ele, muita. E nessa época, aliás, até hoje, cada vez que o vejo na mídia é como se Deus me dissesse: está vendo? Eu Sou contigo e te colocarei onde desejar. Sem palavras)

13) “Dei muitas risadas com a Mafê. Sentamos no chão do ônibus e nos acabamos comendo Chocooki e tomando Coca-cola.”

14) “Simone, Silvana e eu decidimos, do nada, ir ao Embu das Artes à noite. Deitamos num banco, olhando para as estrelas, ficamos ouvindo um garoto tocar violão.”

15) “Decidimos subir na mesa do Santa Faria, a Sil e eu. Foi tudo. O melhor ainda é que um dos dançarinos da casa gostou da ideia e veio dançar conosco”.

Pode parecer sem importância para quem lê, mas dou tudo o que tenho para provar que cada item causou uma sensação de felicidade indescritível. É claro que tem muito mais, mas sem sentido para quem não convive comigo ou viveu aquele momento comigo. É isso: uma Lista da Felicidade. Um documento que prova que minha vida foi impactada com fortes emoções e vivida do melhor jeito que se pode viver.

Hoje, uma lição para mim mesma.

Ouvindo: Michael Jackson – Blood on the Dance Floor

Foto: Laura Pausini no dia que ela pegou na minha mão.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Grande Questão


Semana passada rascunhei essas frases para reestrear este Blog:

Esperar ou partir para cima? Correr atrás ou deixar acontecer? O que aconteceria se eu mandasse currículo para todas as empresas, se me cadastrasse em todas as promoções, se beijasse todos que me querem, se comprasse tudo ou fosse a todos os lugares que recebo convite? Onde nessa correria toda, nessa ânsia de me sentir preenchida ou fazendo algo de minha vida, saberia quem sou eu o que eu realmente quero?

Pois é. A grande questão da existência humana se revelou novamente a mim alguns dias depois: sobre o que realmente temos controle?

Depois de rascunhar tais linhas, decidi passar um final de semana no Rio de Janeiro e partir para cima. Testaria as alternativas de movimentar o Universo – para quem sabe colher alguma boa reação. Mas há uma Verdade além do que podemos compreender que prova que não temos controle sobre nada. Uma aparente cólica menstrual me prendeu em um hospital e me levou a uma sala de cirurgia. Hoje, escrevo praticamente deitada, com muita dor e com longos dias sabáticos a serem “curtidos” com muito silêncio, calmaria e nenhuma atividade.

É o que sempre digo: se você não escolhe, alguém escolhe por você. E uma boa lição já aprendida é que, não passe, não passe nenhuma vontade. Porque é assim: o Universo tem sua própria lei. Deus tem seus próprios métodos e sobre alguma parte disso tudo você e eu não podemos fazer nada.

Tenho gostado de pensar que estou com Deus em um avião, sobrevoando por todas as mais incríveis paisagens deste mundo. Só que é Ele quem pilota. Eu apenas opino e sugiro. Mas também não sou uma passageira. Ele é o piloto; eu, o co-piloto. Neste posto minha opinião tem tanto valor quanto a dEle. A única diferença é que Ele tem mais experiência.

Ouvindo: Jeremy Camp – My Desire

Foto: Simone – com quem passei muitas horas conversando sobre os mistérios da vida e quem, nos últimos tempos, me pilhou muito para voltar a escrever.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Presente.


Sentei-me na parte dianteira do ônibus. Não passei a catraca. Queria ficar sentada, quieta, no escuro. Não por nada, apenas para descansar. Viajava em meus pensamentos enquanto ouvia uma música forte, linda.

Entrou um senhor, negro, magrinho, bastante simples em suas roupas. Um lugar ficou vago no mesmo momento, porém ele não sentou. Pediu que uma moça, que estava logo à frente, em pé, sentasse. Um gesto sensível, educado, que chamou minha atenção. Ele permaneceu em pé, à minha frente. Passei a observá-lo. Em certo momento, a bolsa que ele carregava bateu em mim. A preocupação deste senhor foi grande. Não queria me incomodar. Simpaticamente sorri e deixei claro que estava tudo bem. Eu segurava minha mochila, minha bolsa e uma sacola, presente que havia comprado para o meu pai.

Quase perto de casa ele sentou, meio que ao lado. Cantava alguma música que não pude entender. Ele notou que eu o observava. Notou, virou-se para mim, disse sorrindo: “Eu não sou louco, não, tá? Você deve estar pensando...”. Sorri. Eu não estava pensando que ele era louco. Eu pensava na miséria do meu estilo e na liberdade do sorriso dele, do canto espontâneo que eu não tinha naquela hora da noite. Suas meias relaxadas, velhas, cheias de bolinhas...

Chegou o meu ponto. Antes de descer, falei a ele: “Sabe o que eu estava pensando?”. Seus olhos distraídos, acenderam. Continuei: “Eu estava pensando no quanto o senhor é educado, dando o lugar à moça. No quanto é espontâneo sorrindo. Deus mandou dar esse presente ao senhor, por favor, aceite”.

Dei a ele a sacola com o presente do meu pai.

Ouvindo: Minha Esperança – Rafael Brito.

Foto: Olhos de Deus.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Sorriso x Lógica


Eu quero acreditar mais no sorriso e menos na lógica. Quero aprender a responder consciente cada bom dia e irradiar sinceros desejos a quem me encarar. Quero encarar cada medo com o peito aberto, acreditando que o vencerei cada vez que eu esticar os meus lábios para o lado. Talvez eu precise forçar isso nos primeiros momentos. Quero acreditar mais no sorriso e menos na lógica porque não tem sentido entender. A busca pela verdade tem me feito correr atrás de meu próprio rabo. Eu quero sorrir também quando eu vir um cachorrinho fazendo isso. Quero pensar que ele é mais esperto que eu porque não pensa, apenas corre. Talvez eu deva correr mais sem pensar. Correr atrás de alguém. De um sonho. Atrás de Deus. A lógica por outro lado é linda. E como a amo. Amo a teoria e o pensar. As palavras que explicam uma sensação e, pronto, ela passa a existir! Amo a explicação que abre caminhos e muda o mundo. Mas o sorriso pode ir mais longe. Pode trazer a paz, fazer as pazes, pode trazer alguém de volta ou simplesmente não ter explicação. Eu quero sempre preferir o sorriso. Quando a água quente do chuveiro cair pesadamente sobre meus ombros, quero sorrir imaginando que suporto o peso do mundo sim! Quando o escuro invadir meu quarto à noite, quero sorrir pensando que mesmo na escuridão posso ver. Preferir os sorrisos em vez das respostas. Preferir o pouco da verdade que posso sentir como um frescor enquanto não a tenho por completo. Talvez o sorriso me faça melhor hoje. Melhor hoje do que foi ontem quando tudo fazia sentido.

Ouvindo: Michael Bublé - Home.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Pacto com Deus


Resolvi publicar essa conversa porque mais pessoas, assim como eu, podem estar precisando entender algo tão magnífico.

Eliana de Castro diz:
Fê, amor. Quando puder, pode me explicar o significado de um pacto com Deus. Como se faz? Por que se faz? O que se deve levar em conta e não se levar em conta? Qual a importância? Eu acordei com umas idéias...

Fernanda diz:
O Pacto nasceu de uma necessidade de Deus em selar algo com o ser humano. Foi Deus quem originou isso. Quando Ele quis uma grande nação, selou um pacto com Abraão. Qdo quis assegurar a humanidade de q o mundo jamais acabaria em água, prometeu isso a Noé. Ao longo dos anos, o homem percebeu que o fato de Deus estabelecer um pacto, uma ligação de confiança e extremo compromisso com o homem, fez com que a humanidade mudasse a sua percepção de um Deus de juízo, mas passaram realmente a crer num Deus que realmente tem algo mais para quem se relaciona DE VERDADE com Ele. O pacto nada mais é do que um relacionamento fora do comum com Deus, onde você vive para um objetivo que traçou com Ele e Ele cumpre o que prometeu. Em nada se assemelha ao sistema de promessas da igreja católica, onde se eu fizer, Ele vai me dar. Não! O pacto significa que a despeito do que sou e faço, quero MESMO que Ele interfira em TUDO na minha vida e me faça aceitar o que Ele quer pra mim, porque eu nao vou querer mais fazer o q Ele nao quer. E aí entra uma coisa muito séria, q só o peso do pacto com Deus tem: cuidado com aquilo q se pede ou se compromete com Deus, pq Ele pode cumprir e vc tem q estar preparado para receber, quer seja bom ou ruim, pq nas 2 circunstâncias, a falta do preparo espiritual não o faz viver de vdd o momento da benção e isso causa extrema frustração. Não sei se me fiz entender...hehe


Eliana de Castro diz:
Sim! Puxa, que lindo! Arrepiei.

Fernanda diz:
É demais msm! Exemplo claro: Eu sou o resultado do pacto da minha mãe com Deus.

Eliana de Castro diz:
Então, não tem muito a ver isso: você me dá uma casa e eu distribuo 10 mil kilos por mes de alimentos aos pobres, por exemplo.

Fernanda diz:
Não tem não. Minha mãe tem isso no coração até hj: uma família estruturada, faz uma igreja salvadora". Cresci ouvindo isso. Qdo ela engravidou de mim, já estava em uma idade perigosa para isso. E eu corri muitos riscos de vida, tanto é q nasci com o cordão umbilical no pescoço e resultou na epilepsia... mas ao invés de orar para que Deus me protegesse de qq coisa, até da morte, ela fez um pacto com Ele. Que se cumprisse em mim a vontade de Deus para a sua igreja, quer fosse naquela época ou no curso de minha vida e que ela fosse capaz de aceitar isso. Eu tenho inúmeros problemas na vida, espirituais msm, q não são conflitos meus, mas originados dessa instatisfação do inimigo nesse pacto, mas é curioso ver, perceber e sentir q muitas coisas se cumprem na vida das pessoas, por minha causa, e pq um dia minha mãe orou por isso. A vida dela foi dignificada. Ela tem marcas nos joelhos de tanto orar e através do pacto dela, eu sou melhor com Deus. O pacto é a forma como vc diz a Deus que o ama e se preocupa com o q Ele pensa, entende? O ser humano faz o inverso: eu quero isso Deus, me dá?! O pacto permite q vc realize um sonho de Deus! Isso não tem explicação!!!!


Eliana de Castro diz:
Nossa, estou me emocionando.
Lindo.
"""O pacto é a forma como vc diz a Deus que o ama e se preocupa com o q Ele pensa, entende?""

Fernanda diz:
Verdade. Ngm se peocupa com o que Ele pensa. O "cara" vem aqui, deixa td, morre por nós, deixa um legado e só ouve pedidos, requerimentos de favores... Ngm entrega a vida por Ele e talvez por isso msm Ele tenha feito o sacrifício. Nosso relacionamento com ele nao é uma via de mão dupla. Incrível... cada vez mais eu vejo q temos a mania de "vender" o status e nao o "produto" Jesus. O produto seria tão melhor ao consumidor... na maneira bruita msm: sem embalagem sofisticada, sem assessoria, Ele....exatamente como é. Pq passamos uma vida na igreja e nao sabemos viver pra Ele... Temos medo de quem menos deveríamos ter...


Eliana de Castro diz:
É. Isso é muito certo. Eu tenho pensado tanto nissso. Pensado no amor incondicional, sabe? O nosso meio só vive para separar quando não é isso. A maior parte das pessoas querem igualar as pessoas (medindo por elas mesmas, o que é horrível). Mas isso nada mais é que uma tentativa de viver do seu próprio jeito, porque confiar no diferente, em alguém que você não conhece ou sobre quem não tem controle, é demais. Exige demais. E eu tenho pensado muito, muito, e isso tem fritado minha mente. Será que Deus deseja que eu mude minha forma de olhar o outro? Será que está errado não olhar o outro como uma extensão de mim? Aí entrou aquele livro, sobre a graça, que me deu respostas absurdas em tempo. Na hora exata. E eu entendi tanta coisa. Ou melhor, eu reafirmei o que está aqui dentro. E sobre o pacto, agora, porque eu acordei pensando no que posso fazer para não mais, nunca mais, nem sequer por um segundo, me sentir abalada quando alguém duvidar do "meu" método de amar. Eu pensei que só um pacto será capaz de me fortalecer de um jeito que não sentirei dúvida. Quando alguém achar que dou demais, que estou acreditando demais. Não! Foi só o que Ele fez. Acreditar. E eu percebo isso. Só que, agora, na prática, não sei muito o que fazer sobre esse pacto. Queria saber como começar, c0mo estabelecer. Onde eu assino?, sabe?

Fernanda diz:
Sei. Olha só... o pacto fnos faz aprender várias coisas e separar bem os conceitos. Orar = conversar com um amigo o dia todo, sobre tudo!!! Pacto = clamar com renúncia profunda aquele Deus que é só seu, do seu jeito, pra sua necessidade.

Eliana de Castro diz:
Entendi.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Muda.

Escrevi isso para Andréia Rodrigues, minha amiga, num dia triste que vivi, dia 6 de Junho agora.
"""Não se preocupe, estou bem. Mas se quiser ligar mesmo, ligue depois do meio dia. Estava tristinha, mas fui à doceria e quando fui pagar, o radiozinho do moço da loja começou a tocar a música (Human Nature) que poderia me fazer feliz e me mostrar o que preciso saber: EU VOU VER O MICHAEL JACKSON.
E nada no mundo vai me abalar. Nada!
A música entrou em minha corrente sanguínea e me limpou."""
Passagens aéreas canceladas. Um sonho cancelado. Um vazio.
Ouvindo: Roberta Sá.
Foto: Michael Jackson.

domingo, 10 de maio de 2009

Reino Efêmero.

Notei uma aglomeração diferente em frente à minha agência bancária, na Avenida Paulista. Um pouquinho ao lado há uma banca de jornal e a “fonte” do tumulto vinha dali. Como estava com pressa, e ultimamente não ando nada curiosa, não quis saber e entrei para resolver o meu problema.

A resposta veio depressa. Outra moça entrou na agência e “passou um rádio” para um amigo. “Você não sabe quem está aqui, a Priscila do BBB”. Claro! Só poderia ser algo assim.

Sempre sou sensível às celebridades rápidas, vindas do nada, sem um talento específico ou trabalho. Isso não é um complexo, não, não é. É um incômodo porque estudo tanto, me esforço tanto para que o meu trabalho, os meus projetos e eu mesma como pessoa não sejam ocos por dentro, não sejam uma camada fina de gelo quando embaixo é só água e bem gelada...

A gostosa da vez é ela. E eu gostaria de saber como ela se sente.

O mundo é dos espertos e ela terá, agora, um bom tempo para fazer sua vida. Para o que for, mostrar o que for, ser o que quer que seja. E eu tento entender, com minha limitada capacidade de pensar, como tudo será para ela, como foi para outros, quando os holofotes forem para outra pessoa. Outra gostosa da vez.

Terminei de ler “Marilyn e JK”. A narrativa conta sobre o caso do presidente Kennedy (ou dos Kennedy) com a fenomenal Marilyn Monroe. O livro é interessante, bem escrito, com frases curtas que tornam a leitura rápida, acelerando também sua curiosidade. E em todo o tempo eu me perguntava como Marilyn se sentia sendo tão cobiçada. Como aquilo não a incomodava de algum modo, porque não pode ser bom despertar tanta cobiça sexual. Quando não se tem mais alguma coisa a oferecer do que a beleza, a “gostosura” não pode ser algo bom. Ou pode? Talvez eu diga isso porque eu não saiba o que é ser desejada por todos. É. Pode ser sim.

Em nenhum momento no livro há qualquer frase dela se questionando. Nenhum desejo de ser vista de outro modo. E talvez ela realmente nunca tenha querido.

Pensei, ao final da leitura, que a beleza é mesmo um reino efêmero, como disse Platão, e que essa rapidez não está somente no curto tempo da juventude, mas na rapidez como as pessoas te desejam e também na rapidez como se esquecem de você, porque nem sempre sobra algo de você nelas.

Ouvindo: Stevie Wonder – Isn’t She Lovely
Imagem: Marilyn Monroe.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Aborto.


Tenho tantos questionamentos quanto à maternidade. Sempre, sempre, sempre tento imaginar se eu conseguiria fazer algum mal a um filho meu. E, mesmo tendo quase certeza de que não viverei isso, quando me imagino na situação, só consigo me emocionar imaginando uma loirinha pequenina, toda vaidosa, dançando por uma casa qualquer, que imagino ser minha também.

Eu não tenho mãe. É duro escrever isso, mas talvez eu tenha que começar a colocar essa verdade em letras. Assumir a ausência desse amor na minha vida. Entender que no lugar desse amor há a loucura de uma mulher que me cobra algo que não sei se tenho a pagar. A mulher que se diz minha mãe não me desejou, mas permitiu que eu viesse ao mundo. Ela me deu o direito de viver, mas se arrependeu, porque hoje cobra caro de mim.

Tenho pensado em começar a escrever sobre isso sem nenhum tipo de pudor. Um livro, talvez. Algum tipo de material que me permita olhar, depois, e ver que não há mais nada dentro de mim que precise sair urgentemente, para que eu não morra.

Ouvindo: Michael Jackson – Stranger In Moscow

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Ponto G.


Hermínia Pires mandou-me este texto. Uma continuação do meu pensamento sobre o modo mais eficaz de um homem tirar a roupa de uma mulher. É um texto de Martha Medeiros.

Vou dedicar ao meu querido Mad Zoo.

"Ah, o Ponto G. Esse paraíso secreto que leva os homens a explorações minuciosas. Tanto trabalho por nada. Não temos um Ponto G, mas dois, um em cada lateral da cabeça, e não é preciso tirar nossa roupa para nos deixar em êxtase. Falem, rapazes. Digam tudo o que sentem por nós, assim, assim...assim.

Concordo com a autora de A Casa dos Espíritos: o melhor afrodisíaco é a declaração de amor. Não aquelas mecânicas, faladas no piloto automático, mas as verdadeiras, sentidas, aquelas que os homens imaginam que basta serem ditas com o olhar e com as mãos, mas que fazemos questão de escutar, também com a voz. “Como eu gosto de estar com você, como você é linda, esqueço do tempo ao seu lado, que horas são? Já? Que me esperem, não consigo desgrudar de você, amor.”

Caetano Veloso vendeu um milhão de cópias do seu último disco e tenho certeza que não foi por causa de “vou me embora, vou-me embora, prenda minha...” e sim “ por que você me deixa tão solto, por que você não cola em mim?”

As feministas mais ortodoxas devem estar bufando. Tanta coisa pra se exigir de um homem: mais espaço na política, mais ajuda em casa, salários iguais e nada de gracinhas no escritório, e vem essa daí clamar palavras! Pois essa daqui acha tão interessante a idéia de igualdade entre os sexos que adoraria vê-los soltar o verbo como nós fazemos, expressar os sentimentos sem medo de ser piegas, afirmar e reafirmar diariamente como a gente é importante para eles e que saudades estavam do perfume do nosso cabelo. Clichês em último grau, reconheço, mas quem quer ser moderna nessa hora? Tudo o que se reivindica é o desbloqueio emocional masculino. Nossos hormônios saberão como agradecer."

Ouvindo: Michael Jackson - Human Nature
Imagem: Da Internet.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Personificação.


Como fashionista, tenho optado estranhamente por passar despercebida. Trabalhando agora na Avenida Paulista – para mim uma das maiores passarelas urbanas do mundo – teria todas as razões para andar impecável. Mas não tenho feito isso. Nem sido o que estou observando as mulheres serem. Saltos altíssimos, roupas da moda, cabelos lisíssimos. O retrato perfeito da mulher executiva-moderna, aquela que não pode sentir medo, chorar e que sabe tão bem quanto um homem liderar, fazer e acontecer.

Esse período como anônima tem sido muito bom. Estou observando coisas que não observaria se estivesse também no estilo. Quantas mulheres forçam uma imagem de poderosa e quantas realmente são? E como é uma mulher poderosa?

Distraída, refletindo tudo isso sozinha, reclusa, ao voltar do almoço tive uma surpresa. Uma das mulheres mais estonteantes – para mim, certamente – bem ao meu lado. Linda! Esplendorosa!Marília Gabriela. Como ela adivinhou meus pensamentos?

Sua imagem é forte demais. Elegantemente vestida e tão alta, ela é a personificação da mulher poderosa. E pensei ali, diante dela, que mesmo que sua roupa fosse medíocre e seu carro não ostentasse também tanto poder, ainda sim ela seria. Paralisei.

Curiosa – e contando com um dia de trabalho um tanto monótono – vasculhei algumas coisas sobre ela na Internet. E no primeiro artigo que li, ela fala sobre solidão. Que sente a solidão, vive a solidão e que aprendeu a ser o homem e a mulher.

Depois que ela entrou em sua mercedez e seguiu, descendo a Haddock Lobo, nos Jardins, eu segui mais cheia de mim, peguei a “rabeira” de sua aura inabalável.

O que faz uma mulher poderosa? Talvez, a ausência do medo. Ou o constante desafiar.

Ouvindo: Marvin Gaye – Let’s Get It On

Imagem: Marília Gabriela.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Indulgência.


Quando a autocrítica é como uma navalha afiada a alma não consegue ser o que deveria ser. Traços sem sentido e profundos marcam e nunca mais somem. Por que maltratamos nosso coração e nos julgamos com tanta crueldade? Quando fazemos mais por outras pessoas que por nós mesmos, quando não temos autocompaixão ou amor a ponto de nos colocar no colo nos tornamos cruxificadores do Deus que mora em nós. Mas que tendência humana é essa?

Ouvindo: Tempestade – Família Soul
Imagem: Da Internet

terça-feira, 7 de abril de 2009

Habilidades Masculinas.


Enquanto esperávamos o pedido, Mad Zoo segurava carinhosamente minha mão. Seu jeito tão forte, imponente e direto encheu-me de segurança, fazendo evaporar todo o mau humor que eu sentia, devido à chuva que havia tomado e aos pensamentos que estavam ainda em erupção.

Eu, vulcão, entrei novamente em atividade ali, naquele restaurante. Fatiei o frango frito e os meus pensamentos, dissecando-os diante da única pessoa que poderia me dar algumas respostas – por ser alguém que não tem medo de me chamar de louca, decepcionante e de me fazer voltar ao mundo real. O que foi exatamente o que ele fez.

Mas não vou escrever sobre o assunto mastigado ali. Vou escrever sobre ele.

Toda mulher merece jantar, domingo à noite, com um homem como ele! É qualidade de vida! Alguém que anda pela rua colocando-se sempre ao lado esquerdo; alguém que ao atravessar, subir, descer ou virar coloca a mão em sua cintura para guiar o caminho; alguém que pede o cardápio e escolhe (e escolher sempre é muito importante); alguém que olha em seus olhos enquanto conversa; que quer realmente saber sobre seus sentimentos e não acha uma perda de tempo tentar entender a natureza deles e que, claro, não deixa passar qualquer chance de dizer que você é uma mulher muito interessante. Enfim, um homem que se abandona e que só tem um objetivo, jantar sua aura.

Alguns homens passam a vida inteira tentando tirar a roupa de uma mulher enquanto outros conseguem fazer uma mulher tirar a roupa sozinha, de forma tão espontânea e inconsciente, que elas quando percebem... Mad Zoo, para mim, é um desses homens.

Não tirei minha roupa para ele, já esclareço. Ele é um grande amigo de quem sou devota, por sua história pessoal e profissional, seu talento e sensibilidade. É que sua personalidade é tão interessante que decidi escrever sobre o assunto e chamar os homens a pensarem um pouco em suas abordagens. Um homem que transforma uma agitada, neurótica, ansiosa, nervosa, mal humorada em uma doce, engraçada e interessante mulher em segundos é merecedor de um texto, uma música e até um livro.


Ouvindo: Sara Bareilles - Gravity

Imagem: Da Internet.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Sobre a Raiva.


Foi o Rafael Brito que me acordou para esta verdade: a raiva me faz crescer! Contrariando (só um pouco) os malefícios que este sentimento causa às artérias do coração, a raiva é uma mola propulsora poderosa em minha vida. E eu consigo identificar, em segundos, passos importantes ou decisões que mudaram rumos da minha história, partidos desse sentimento.

Abre parêntese: esses dias, arrumando minhas coisas no guarda roupa novo, encontrei uma reportagem que fiz sobre o assunto quando eu ainda estava na faculdade, o que prova o quanto sempre me preocupei com a possibilidade de enfartar devido algum acesso de raiva. Fecha parêntese.

Não sei o motivo, mas sei que é real. A raiva me faz conquistar o inconquistável. E, dependendo da situação, me liberta de inúmeros outros sentimentos que para mim são ainda mais angustiantes como a dúvida, a insegurança e a sensação de prisão que sempre tenho quando algo não está resolvido.

Essa motivação não é uma forma de fazer a pessoa (ou a situação) me engolir, propriamente dito, mas de desafiar-me à verdade, triste verdade, que muitas vezes deixamos de crescer por acreditarmos que não podemos ou não conseguimos.

Para mim, a lógica é a seguinte: odeio ser desafiada. Fale que eu não sei, não sou ou não consigo. Detona dentro de mim uma bomba que explode preguiça, medo ou pudor. Porque decidi escrever sobre isso? Não sei ao certo. Apenas queria expressar que os sentimentos fazem bem, mesmo quando aparentam ser completamente inúteis.

Ouvindo: True Colors (ao vivo) – Cyndi Lauper.

Imagem: Raphael Tito, Rio de Janeiro. Talento para a fotografia que sempre me deixa sem palavras. É um gênio para as artes, com sensibilidade aguçada para sentir, viver, experimentar. Uma imagem.