segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Madonna. No Brasil. Disciplina. Determinação.




Há pouco mais de uma semana, a maior estrela da música pop iniciou uma série de shows no Brasil. Parte da “MDNA Tour”, nona turnê de sua carreira, Madonna deixou fãs enlouquecidos, admiradores embasbacados e aqueles que pediam sua aposentadoria com um sapo entalado na garganta. Iniciada em 31 de maio de 2012, a “MDNA Tour” já passou por 63 cidades até chegar no Brasil. O espetáculo, a mega produção, os detalhes quase imperceptíveis que tornaram tudo tão perfeito, tão harmônico chocaram até os mais acostumados com grandes produções. Se ela é a maior estrela da música pop, ela é primeiro a maior produtora executiva do show biz. E é sobre esse perfeccionismo que dirigimos a atenção.

A determinação de Madonna já é conhecida pela maior parte das pessoas. Por maior que seja sua equipe, nada passa despercebido por ela, sempre a primeira a chegar e a última a sair. Neste show que tem duração de duas horas, outras duas são dedicadas a um ensaio que passa sim a impressão de “para quê?”. Como se os ensaios pré-estreia e a passagem pelas 63 cidades não fossem o suficiente. Para Madonna nunca é. Desde sempre. Suas biografias deixam isso tão claro quando sua ambição de ser uma grande estrela. Para alcançar qualquer objetivo, Madonna dedica um tempo e uma energia fora do comum. Qualquer outro artista não empenharia tanto de si a um show. E disso tenho certeza por ter visto praticamente todos que passaram pelo Brasil nos últimos quatro anos.

Como todas as turnês anteriores – e sim, cada uma foi revolucionária no seu tempo – “MDNA Tour” entra para a história como, provavelmente, a prova final do sonho de uma garota de vinte e poucos anos que nos anos 1980 quis dominar o mundo. Impactante, dançante, lúdico, sensual e com um toque saudosista, Madonna mais uma vez desafia o tempo, as leis da gravidade e da flexibilidade de seus bailarinos e emociona. Única no mundo do entretenimento. Posto que, apenas musicalmente, Michael Jackson também ocupou.

“Girl Gone Wild” abriu com empolgação, depois de alguns instantes de devoção a quem não se sabe. À Madonna, à arte, à música ou a um símbolo que mudou uma época. O cenário que simula uma catedral é impecável. A pureza do som dos sinos, a beleza do grande incensário, as capas e túnicas dos serviçais e o repetitivo “oh my God” do início de “Girl Gone Wild” criam um clima de mistério e sedução. Tudo é muito classudo e ironicamente reverente. Ela então surge. Linda e impecável. Ninguém consegue acreditar em seus 54 anos quando ela começa a dançar. É sobre-humano. É um desafio a todos aqueles que possuem sonhos e acham que é difícil batalhar por eles. E para mim esse é o maior mérito de Madonna. A desculpa não é falta de dinheiro ou de tempo. Aliás, não há desculpas.

Os telões usados nessa turnê são os maiores já utilizados, medem 1820m² cada. Seus efeitos são uma impressionante sensação de movimento e troca de cenários constante. O palco abriga inéditas plataformas de LED que sobem e descem durante o show. Os figurinos deslumbrantes são grifados: Jean Paul Gaultier, Dolce & Gabbana, Swarovski, Prada, MiuMiu, Alexander Wang, Jeremy Scott, J.Brand e Arianne Phillips. Todo o staff reúne mais de 700 pares de sapatos e roupas para todos os 22 dançarinos. E, de verdade, há cristais Swarovski em quase todas as suas roupas e sapatos.

Uma das partes mais empolgantes do show são os dançarinos praticando Slackline, treinados pela equipe do Cirque du Soleil. Impressionante, no mínimo. Ela também arrisca. Nada comparado, mas incomparável quando se confronta com qualquer outra artista.

É o risco de inovar que seduz em Madonna. A Rainha do Pop pode se despedir dos grandes shows certa de que pelo menos pelas próximas décadas ninguém a superará. Mesmo que alguém apareça com tanta disciplina e determinação, sempre será Madonna o grande modelo. E, honestamente, um modelo que pode se aplicar à vida, em qualquer área. Na simplicidade do dia-a-dia ou em grandes momentos. A recompensa pode ser diversa. Para mim, porque já parei para pensar nisso, é poder ir ao limite. É um presente descobrir que sempre se pode ir além.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

"Forever King of Pop". No Brasil. 2013. Michael Jackson.




Qualquer evento ou produto sobre o Rei do Pop chama a atenção. Sei que não é só a minha. Muita gente ainda para – e por muitíssimos anos parará – para saber o que está sendo lançado sobre Michael Jackson. A extasiante novidade divulgada hoje aos fãs de MJ e amantes da música pop é a vinda ao Brasil do musical "Forever King of Pop". Serão 14 apresentações sem data marcada, mas que acontecerão ainda no primeiro semestre de 2013.

Dirigido pelo espanhol Carlos López, "Forever King of Pop" tem duração de duas horas. No elenco estão 30 atores bailarinos e três deles interpretam Michael Jackson. O nível da produção é alto uma vez que todas as músicas são cantadas ao vivo e nos tons originais. O garoto que vive MJ quando criança imita o Rei do Pop com perfeição, o que impressiona não só pelo talento do ator e dançarino como pela “ressurreição” do ídolo pop. Os ensaios pré-estreia duraram sete meses. Quem assina as coreografias é Yolanda Hernandez. Como o espetáculo é baseado no álbum "Thriller", de 1982, obviamente as canções de sucesso "Billie Jean", "Beat It", "Human Nature", "Wanna Be Startin' Something" e a própria "Thriller" fazem parte do setlist. Ao todo são 20 canções. Este musical já foi visto por mais de um milhão de pessoas ao redor do mundo. 

Michael Jackson esteve no Brasil duas vezes, a primeira em 1974, quando ainda fazia parte do Jackson Five, a segunda vez foi em 1993 com a turnê Dangerous e ainda quando gravou, em 1996, o videoclipe "They Don't Care About Us".

O eterno Rei do Pop está de volta! Pelo jeito, muito bem representado.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Sandy. Encerramento. Turnê Manuscrito. Elegância.



É de um profundo respeito pelos fãs quando um artista apresenta um show impecável. De som, de cenário, de figurino, de setlist e, claro, de interação. Este foi o caso da apresentação de encerramento da turnê “Manuscrito”, da cantora Sandy, ocorrida ontem, domingo, 9, no HSBC, em São Paulo. Elegante, harmonioso e satisfeito – do ponto de vista de quem estava executando, no caso, Sandy e sua equipe – o show foi uma premiação justa de um trabalho tão esperado e talvez, ainda, não compreendido, pós fim da dupla Sandy & Júnior.

A casa de shows estava lotada e os fãs eufóricos não deram um segundo de trégua para a cantora. Gritos e coros enfeitaram ainda mais a noite dela que, como sempre gentil, agradecia e devolvia com o mesmo carinho.  “Pés cansados” foi a música de abertura, cantada em uníssono. Depois de “Dedilhada” e “Perdida e Salva”, foi a vez de “Beija eu”, de Marisa Monte. Sandy mesclou inteligentemente músicas próprias e de outros artistas e apresentou um show maduro, mas sem perder o clima jovem que a consagrou. As letras revelam mais experiências e questionamentos, contudo o pop melódico continua – embora claramente mais arranjado. Sandy cantou ainda “Hoje Eu Quero Sair Só” de Lenine e “Bad” de Michael Jackson, uma interpretação rica, por sinal, que não só não descaracterizou a canção original como se revelou uma versão interessante, com seu ar de cabaret.  Das antigas, “Quando Você Passa” e “Estranho Jeito de Amar” realizaram os fãs presentes que chamaram pelo Júnior, presente na plateia. Júnior, aliás, assina a co-direção do show. 

As últimas canções, depois de 1h10 de apresentação, foram “Casa”, de Lulu Santos, o single da vez “Aquela dos 30” e "Tempo", faixa de "Manuscrito". A turnê que estreou em 19 de novembro de 2010 é de seu primeiro disco solo homônimo. O show tão aguardado revelou a maturidade da cantora em detalhes como no cenário retrô, cheio de espelhos e telões em forma de espelho, móveis rústicos e tapetes, além de suas próprias roupas sempre com ar vintage, mais de mulher e bastante feminina.

Sandy pode não agradar de cara quem espera receber a personificação de uma memória, a doce adolescente. Entretanto, surpreende quem se abre para o novo.  Suas composições dão o tom mais sério, mas as melodias são ainda tão pop como adoramos há uma geração.

domingo, 23 de setembro de 2012

Sensibilidade. Inteligência. Devoção. Leonardo Gonçalves




“O novo fica tão mais bonito quando emoldurado do velho; o moderno tão mais profundo quando enraigado numa tradição; a erudição tão mais elegante quando de mãos dadas com a simplicidade.” Essas são algumas percepções sensíveis de Leonardo Gonçalves belamente escritas, contidas no encarte do seu quarto e seu mais recente álbum “Princípio e Fim”. Aos 33 anos, nascido em Palmares, Pernambuco, com porte europeu e refinado repertório cultural, o cantor religioso é articulado, inteligente e dono de uma capacidade ímpar de se expressar. “Minha vida gera minha arte, minha maneira de pensar. Quanto mais me conhecerem, mais entenderão quão pessoal é tudo o que eu apresento musicalmente.”

Início do século 20. Em uma igreja qualquer, de uma comunidade formada por negros americanos cristãos, pessoas comuns se reúnem ao redor de um órgão e entoam louvores a Deus. O ato livre de expressar seus reais sentimentos ao Todo-Poderoso reinventa, mesmo que inconscientemente, a música religiosa praticada nos cultos até então. Conhecida como “gospel”, esse estilo musical popularizou-se de tal forma que ultrapassou os limites da igreja afro-americana e um século depois movimenta um mercado de milhões de dólares em todo o mundo. Em terras brasileiras, em pleno século 21, este mercado tão desfragmentado devido aos diversos estilos que abraça, possui este artista que é um representante blindado dos principais rótulos negativos que ainda envolvem o segmento. Com o álbum “Princípio e Fim”, Leonardo Gonçalves tornou-se o primeiro de sua categoria a conquistar o primeiro lugar no iTunes – e na classificação geral, deixou para trás cantores como Roberto Carlos e Adele.

O início da trajetória deste rapaz tem total ligação com o que houve há um século: a mudança de uma prática que envolve a música sim, mas antes da própria música uma atitude, uma cadeia de valores e pensamentos que, hoje, não é mais ignorada. Em maio de 2010, Leonardo Gonçalves foi um dos primeiros contratados da gravadora Sony Music, quando a empresa decidiu se abrir para o mercado gospel no Brasil. Inserido em um universo que abriga mais de 38 milhões de pessoas, segundo o Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, o cantor está entre os nomes que renderam ao país em 2011 cerca de R$ 1,5 bilhão, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Discos. Inusitado, Leonardo Gonçalves tem também apresentado possibilidades de expressão artística alternativas no segmento. Exemplo é o álbum “Avinu Malkenu”, gravado todo em hebraico e lançado em 2010, feito encarado pela própria Sony Music como um divisor de águas em sua história.

Nascido em uma família atuante na Igreja Adventista do Sétimo Dia, Leonardo Gonçalves é filho de pais separados e morou parte de sua vida com a mãe, Telma, e o padrasto, Wolfgang, em países como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. Sua complexa e profunda maneira de pensar é tão característica quanto sua habilidade vocal, que impressiona até quem não faz parte do meio evangélico como o cantor Ed Motta. Em outubro de 2010, Leonardo Gonçalves deu uma “canja” em um de seus shows. “O Ed Motta conheceu meu trabalho através do Youtube e me convidou via Twitter, publicamente. A princípio não levei muito a sério, achei que fosse mais empolgação da parte dele, mas a produção do Ed procurou minha assessoria. O próprio Ed Motta me ligou e a conversa foi muito boa, muito agradável. Ele sugeriu de cantarmos juntos a música “Isn’t She Lovely” do Stevie Wonder. Gostei da escolha, é um clássico do Stevie que ele compôs quando sua filha nasceu. É uma música que fala de Deus, inclusive, e da gratidão do próprio Stevie Wonder a Deus.”

O ano é 1994. Leonardo Gonçalves está com quinze anos e estudando em regime de internato – costume comum e até desejado entre os jovens adventistas – no, então, Instituto Adventista de São Paulo (IASP), localizado em Campinas, interior de São Paulo. O adolescente entra para o Coral Jovem do IASP e para o conjunto vocal Tom de Vida, momento em que começa a chamar a atenção dos já consagrados músicos religiosos e do público adventista. Aqui, vale mencionar que a música adventista entre os cristãos é uma das músicas mais respeitadas por sua qualidade vocal, de produção e orquestração. A técnica vocal chamada “melisma”, que nada mais é que variar as notas musicais em uma única sílaba cantada, foi como um vírus propagado por Leonardo Gonçalves e outro cantor chamado Sergio Saas, também expoente da música gospel contemporânea. Como uma febre, jovens cristãos do final dos anos 1990 e de toda a década seguinte foram capturados e hipnotizados pelo estilo tão próprio do “negro spiritual”.

O primeiro álbum solo de sua carreira, intitulado “Poemas e Canções” teve um estrondoso sucesso, principalmente pela canção, “Getsêmani", cuja versão mais vista no Youtube apresenta imagens do filme “Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, e já foi vista por mais de 1,5 milhão de pessoas. “Poemas e Canções” vendeu mais de 85 mil cópias. Este número significativo, ainda mais em tempos de pirataria e downloads, revela a missão deste cantor, ou como se costuma falar no meio, o ministério desse cantor que não possui interesses financeiros maiores que o de anunciar suas crenças e seus valores. Algo difícil de colocar em palavras e de acreditar piamente, principalmente em uma época em que os programas televisivos religiosos e as práticas religiosas em geral levantam dúvidas quanto sua sinceridade pelos tantos cifrões que geram. 

Casado com Daniela Araújo, também cantora religiosa, a sincronia é perfeita, tanto de ideais como de conhecimento musical. Parte fundamental da fase mais amadurecida do cantor, que se revela principalmente neste último disco, Daniela Araújo é quem tem pegado Leonardo Gonçalves pelas mãos e puxado rumo a experimentações diferentes não só na música como na maneira de se relacionar com o seu público. No Facebook, o cantor possui mais de 65 mil “likes” e no Twitter mais de 42 mil seguidores.

Um rapaz que morou em três países, fala quatro idiomas e é formado em Letras pela Unicamp já é, mesmo se for um típico acomodado e uma espécie de esponja do que acontece ao redor, uma pessoa de medianas vivências culturais. Entretanto, não é o seu caso. Suas influências são variadíssimas. “Um livro que mudou a minha vida, no sentido de sintetizar minhas influências musicais, foi o de Igor Stravinsky “Poética Musical”, que nada mais é que uma série de aulas que ele ministrou em Harvard. Definir-me musicalmente é muito difícil porque ouço de tudo, de instrumentos barrocos renascentistas, viola da gama, à música contemporânea como Emicida, que acho muito interessante. Minha banda predileta, por exemplo, é Radiohead.” 

Em um meio que tem como característica no Brasil certa alienação, tanto comportamental como de conhecimento intelectual, Leonardo Gonçalves sai na frente, mesmo que isso não seja para ele uma vantagem competitiva, pois seu trabalho não é apresentado por ele como um produto que disputa um lugar por seu valor mercadológico. Respeitado pelo trabalho de qualidade em arranjos, produção, vocais e até em textos literários, “Princípio e Fim” é a prova mais recente que revela engenhosamente sua estética. O disco conta com a participação das cordas da Orquestra Filarmônica de Praga e Orquestra Sinfônica da Republica Tcheca. O videoclipe da primeira música de trabalho do disco chamada “Novo” foi gravado em Londres e Berlim. O conceito deste trabalho foi claramente definido, embora não seja algo simples de entender, muito menos possível de se resumir. “Nem sempre uma das premissas do mundo ocidental se prova verdadeira; os opostos, os paradoxos e o que é fundamentalmente diferente nem sempre precisa estar separado ou distante um do outro. Aliás, não é difícil perceber que algumas das coisas mais belas deste planeta frequentemente são fruto de combinações improváveis e/ou inesperada. É somente quando sol e chuva se fundem que temos o arco-íris; a lua cheia, quando vista de dia, parece ainda mais bonita, quase transparente contra um céu azul; e o que dizer das fontes de água quente que na Islândia jorram em meio a um deserto de gelo...”, divaga o cantor.

Sobre o autor de sua fé, Deus, Leonardo Gonçalves o entende como o amor ou o ato de amar. “Se Deus é Amor, Ele faz morada em mim quando amo; e quanto mais amo, mais Ele habita em mim”. Sua capacidade de conhecer tão profundamente todas as coisas não o torna arrogante ou impossibilitado de conversar com qualquer pessoa, ao contrário. Leonardo Gonçalves revela claramente em atitudes o profundo respeito que tem pelas pessoas, principalmente colegas de trabalho. Sua participação neste ministério que tem o intuito de tornar a vida do ser humano menos opressora, por meio da adoração a Deus, revela uma percepção importante em época como a atual, que questiona religião, dogmas e modelos de conduta e em contrapartida deixa o homem completamente desbussolado. “Exigir que fizéssemos algo que Lhe pudesse acrescentar alguma coisa seria esmagador. Impedir-nos de retribuir tudo o que recebemos e somos por Sua causa igualmente um castigo. Por isto, Ele nos pede que façamos pelo próximo o que gostaríamos de fazer por Ele. Por aqueles que não possuem perspectiva e expectativa. Por aqueles que não compartilham sequer de nossas perguntas, quem dirá de nossas respostas”.

Para os ateus ou agnósticos, Leonardo Gonçalves é, no mínimo, aquela agradabilíssima companhia com quem se pode passar horas a fio falando sobre qualquer assunto. Para os músicos e apreciadores de música que não ouvem gospel, ele é um desafio. Aceite e tire suas próprias conclusões.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Rita Ora. Primeiro Álbum. Jay-Z. Ora.


O show biz alimenta-se de rivalidade. O tão aguardado álbum “Ora”, de Rita Ora, abre oficialmente a competitividade entre ela, Rita, e Rihanna. Pelo som que produzem, mas principalmente porque ambas nasceram do mesmo produtor, o visionário-do-pop, Jay-Z.

Como tudo que vem de Jay-Z, em “Ora” ouve-se o que há de mais moderno em sonoridade. “R.I.P.”, o single lançado há algum tempo, em parceria com o rapper britânico Tinie Tempah, é a faixa mais impressionante no quesito combinação de sons e arranjos vocais. Rita Ora impõe presença e faz bonito. 

“How We Do (Party)” é a típica faixa melódica que funciona muito bem; vibrante na medida ideal para ouvir, mas não para dançar. “Shine Ya Light” e “Radioactive” são mais do mesmo e de um mesmo preguiçoso, típico de épocas em que aquela inexplicável inspiração passa longe dos estúdios, e que nem geniais artistas nunca puderam fazer qualquer coisa a respeito.

“Fall in Love”, em parceria com Will.I.Am, provavelmente alcançará mais espaço pela parceria em si e porque os trejeitos sonoros típicos de suas produções são claros e, por isso, certos de sucesso.

“Young, Single & Sexy” é uma balada envolvente absurdamente “jay-z’ístca”. E isso é bom e ruim, porque garante um bom posicionamento quanto single, mas lembra Beyoncé.

Quem vem acompanhando e gostando dessa tendência de sons mais pesados, mais voltados para a pista, fica um pouco desapontado com o conjunto da obra. “Ora” não emociona. Cumpre, talvez, o seu papel de produto para consumo imediato. Longe de ser o disco de estreia memorável com o qual sonha todo cantor, “Ora” apenas apresenta a moça natural de Kosovo, naturalizada britânica, que deseja conquistar seu lugar no cenário musical mundial.

Se a competição com outros nomes, não só Rihanna, será acirrada, impossível prever, mesmo falando de um mercado tão feito de fórmulas para lá de conhecidas. O que se pode dizer de Rita Ora é que é bom sim prestar atenção nela.


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Michael Jackson. 54 anos. Spike Lee. Documentário. Bad 25.


Hoje, o Rei do Pop completaria 54 anos. Este é um dos artistas que mais tenho dificuldade de falar como jornalista porque é o que mais aprecio, com um amor muito profundo. Michael Jackson é e sempre será o maior nome da música pop e ainda bem que temos uma obra vasta para sempre estarmos em contato com ele. 

Deixando a saudade de lado, o assunto é o filme de Spike Lee sobre Michael Jackson. “Bad 25” estreia hoje no Festival de Veneza e conta sobre os 25 anos do disco “Bad”, de Michael Jackson.

Imagens inéditas, entrevistas, detalhes técnicos de gravação fazem parte deste documentário que ainda conta com outros artistas como Mariah Carey e Sheryl Crow.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Devlin. Ed Sheeran. Dueto. No Church in the Wild.




Gosto muito quando cantores deixam de lado seus estilos e arriscam canções diferentes. Melhor ainda quando se trata de parceria. Amei este vídeo do Ed Sheeran com o rapper Devlin cantando “No Church in the Wild” de Kanye West e Jay-Z, aliás, a melhor faixa do álbum da dupla poderosa.

Sheeran e Devlin se apresentaram no programa da Fearne Cotton, na BBC Radio 1. Para quem não sabe ou não lembra, Fearne Cotton apresentou o Top of the Pops.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Nelly Furtado. Outra Faixa. Parking Lot.


Nelly Furtado apresentou nesta terça-feira a faixa "Parking Lot" de seu mais recente álbum “The Spirit Indestructible”. A música chatíssima conta com a colaboração do produtor Darkchild. A letra é de uma profundidade tão rasa que nem combina a mulher Nelly Furtado. Qual é mesmo o público-alvo dela?

Ouça:




Katy Perry. Capa. DM.


Katy Perry arrasando na capa do mês da DM. A edição de aniversário conta também com uma capa com o One Direction.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Nicki Minaj. American Idol. 2013.


Nicki Minaj está negociando com os diretores de "American Idol" para compor a nova banca de jurados do programa. A cantora de 29 anos possivelmente se juntará a Mariah Carey na próxima edição que retorna em Janeiro de 2013. Steven Tyler e Jennifer Lopez anunciaram suas saídas no último mês.

Rihanna. Chris Brown. Marketing? Amor.


Em entrevista para Oprah, Rihanna com lágrimas nos olhos diz o quanto Chris Brown é importante em sua vida: “Somos amigos muito, muito próximos. Estamos construindo uma relação de confiança novamente, e é isso. Nós nos amamos e provavelmente sempre vamos nos amar. E isso não é algo que vamos tentar mudar”, confessa. A cantora admite não estar sendo fácil essa reaproximação. “É estranho, porque eu ainda o amo. Sinto um frio no estômago quando o vejo, mas tenho que manter minha “poker face” e suprimir”.

É sempre bom desconfiar de uma declaração tão íntima como esta. Jogada de marketing?

sábado, 18 de agosto de 2012

Polêmica. Capa. Azealia Banks.


Eis a capa polêmica – que de polêmica não tem nada – da Dazed & Confused com Azealia Banks. Estava todo mundo à espera e, sinceramente, quero realmente saber quem se constrangeu. A rapper tem chamado a atenção com sua música e letras, essas sim, controversas.

Escultura. John Lennon. Tem Dente Natural.



A artista plástica canadense Kirsten Zuk fez uma escultura de John Lennon que carrega um pedaço do dente natural do cantor. A obra inusitada tem chamado a atenção no Festival Fringe, em Edmonton, Canadá. Tudo começou quando seu irmão, o dentista Michael Zuk, arrematou por US$ 32.000 um pedaço do dente molar de Lennon em um leilão no Reino Unido, em 2011. Sim, um pedaço, não o dente inteiro.

Kirsten pretende reverter toda a renda da exposição para a instituição Smile Train, que dá assistência odontológica a crianças carentes. O irmão, Michael, é até autor de um livro chamado "John Lennon Tooth".

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Primeiro Single. Novo Álbum. Alanis Morissette. Havoc and Bright Lights.



Com show marcado no Brasil em sete capitais, agora em setembro, Alanis Morissette chega com o novo álbum: “Havoc and Bright Lights” (Collective Sounds, 2012). O primeiro single, "Spiral", caiu na rede no início desta semana. A letra trata de alguém em um espiral de dúvidas e sentimentos confusos e alguém chega para estender a mão. 

“E aqui estou eu no meu espiral de vergonha/ Estou sugado por ele novamente/.../Você traz a luz de volta/ Não me deixe aqui com todas estas vozes críticas/ Porque elas fazem o seu melhor para me levar para baixo/ Quando eu estou sozinho com todas essas vozes negativas/ Vou precisar de sua ajuda para transformá-las”

O álbum “Havoc and Bright Lights” chega às lojas em 28 de agosto, pertinho do primeiro show da cantora dia 2 de Setembro, em São Paulo. Alanis passa por Curitiba (5), Rio de Janeiro (7), Belo Horizonte (9), Recife (12), Belém (14) e Goiânia (16). “Havoc and Bright Lights” é o oitavo álbum de estúdio da cantora.



Ke$ha. The Beatles. Juntos. Mashup.



Um americano, que virtualmente atende pelo nome de “doctordude”, combinou Ke$ha com The Beatles. Oi? Não que eles naturalmente combinem, mas a experiência ficou até interessante, para quem gosta mais do som da Ke$ha. Ouso dizer, sinceramente, que Glee faria melhor o mashup, porque acho todos eles quase que absolutamente perfeitos.

As músicas acasaladas são “Come Together”, composta por John Lennon, parte do álbum “Abbey Road” (Apple Records, 1969) e “Tick Tack” (RCA Records, 2010).

Para ouvir:

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Madonna. A Revolução.




Quando digo que Madonna é a própria revolução não estou me referindo apenas ao número de álbuns que vendeu ao longo desses 30 anos de carreira ou aos escândalos que causou em cada fase de sua vida milimetricamente planejada. Madonna é a revolução porque sobrepõe às suas fraquezas e emoções uma enigmática capacidade de manter o foco. Obcecada por “check”. É assim que vejo e me apaixono por Madonna. Quem, além dela, em tantas áreas da vida ou dominando tantos talentos, conseguiu chegar tão longe?

Em cada fase de sua vida, logo da vida de muitos dos seus fãs, Madonna mostrou que nada precisa ser como os padrões impõem. Hoje, aos 54 anos, não é diferente. Enquanto muitas pessoas a criticam pela busca de uma juventude perdida, que mesmo ela com tanta disciplina e determinação jamais será capaz de reverter, leio seu comportamento como mais uma tendência que se antecipa. Se os 30 anos são os novos 20, se não escolher a tríade apartamento/casamento/filhos depois da formatura não é mais um escândalo ou um encaminhamento para a terapia, por que aos 50 anos o corpo da mulher não pode exibir uma bela forma e ser desejável e tão livre de qualquer dependência psicológica do tipo que se expressa “é a idade”. Madonna é a revolução da ciência e do poder da mente sobre o corpo que desafia os anos com um riso malicioso.

Hoje, diante desta moça, mulher, senhora, pouco importa, o mundo vive o mesmo momento de incompreensão que viveu em todas as fases de sua carreira. Provavelmente, só daqui a alguns anos, quando mais mulheres se assumirem tão quentes como aos 20 anos, Madonna voltará aos discursos como exemplo de precursora. Porque é sempre assim, alguém precisa sempre ver mais longe, puxar a fila e, em alguns casos, pagar o preço da incompreensão.

Mas quem acha que Madonna realmente se importa?

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Pop no Brasil. Quem Faz?


Música pop no Brasil, quem faz? Falo do pop original, em resumo o nascido no início dos anos 80, principiado por Michael Jackson, e não o que costumamos chamar de pop, na definição de “popular”, pois neste sentido estaríamos falando de Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Luan Santana, entre outros. Falo de um som como o de Madonna, Rihanna e Lady Gaga. Um som que é caracterizado pela redundância dos elementos rítmicos, proposta dançante, melodias suaves e pelos sons sintéticos criados a partir de possibilidades quase infinitas pela capacidade tecnológica dos equipamentos de hoje – outra grande característica da música pop.

Difícil, não?

Há algum tempo tenho pensando sobre o assunto a fim de entender porque o Brasil não tem um representante marcante nesse segmento. É um tema que renderia uma tese, porque requer entender outros fenômenos que não estão ligados diretamente à música, mas ao comportamento como: porque apenas mulheres dominam o cenário musical quase que em nível mundial ou como a cultura do brasileiro de sofrer de forma masoquista em relacionamentos amorosos influencia o mercado da música. O que uma coisa tem a ver com a outra? Tem tudo a ver. O chorar, o se colocar em posição de vítima, em exposição, o implorar e o ato de perseguir a pessoa objeto do desejo inspira composições e mais composições que precisam de um ritmo que dê sentido à sensibilidade musical. A proposta do pop é completamente hedonista. O pop é altivo, possui boa autoestima até quando está sofrendo, pois tanto as batidas quanto às letras falam de superação, de dar a volta por cima, o (pop)ular “você vai ver”.

A artista brasileira que mais se aproxima desta definição, hoje, é Wanessa. Apesar de cantar em inglês, Wanessa em suas letras revela o que Madonna começou a cantar, Beyoncé continuou e tantas outras ainda o fazem. O single “Worth It”, de Wanessa, o mais tocado de seu último álbum “DNA” (Sony, 2011) tem essa característica: “Quando você vir o que perdeu/ Você não vai querer pagar o preço/ Você terá má sorte/ Eu valho muito a pena/ Somente cale-se! Deixe-me falar/ Não jogue tudo fora/ Nós éramos perfeitos/ Eu valho muito a pena.”

Latino também pode ser chamado de artista pop. É difícil aceitá-lo pela imagem tão ligada à breguice e aos apelos sexuais – vindos um pouco do funk carioca –, mas se o desligarmos desses dois principais “ruídos”, podemos dizer que ele faz um som pop. 

Dois pontos importantes a considerar é que ligamos o pop – consciente ou inconscientemente – a outro idioma e outra postura comportamental. Querer encontrar um represente para o pop brasileiro passa a ser uma tarefa mais difícil e passível de ser entendida como uma tentativa de comparar a cultura brasileira com a americana, o que não é. Tampouco é menosprezar a música popular brasileira afirmando que estamos em déficit neste segmento. Talvez, seja apenas uma maneira de entender um pouco mais nossa música, nosso povo, o que é popular no Brasil, o que é popular no restante do mundo e, principalmente, se essas diferenças têm relação com a maneira como nos vemos, em relacionamentos cotidianos mesmo, uma vez que oito entre dez músicas falam de amor. 

Um artista brasileiro que represente o pop tem que ter características musicais e comportamentais diferentes dos outros artistas nacionais? Se sim, Wanessa deixa de ser um exemplo por ter adotado tanto um visual quanto um idioma diferente. A música pop é uma atitude, antes de ser um som. Para emplacar um artista no segmento pop no Brasil será preciso entender os três elementos imprescindíveis para lançar ou justificar uma epidemia, segundo Malcolm Gladwell no livro “The Tippinhg Point”: entender quem são os eleitos com irrefutável poder de influencia, quais fatores determinam a fixação de um hit e, neste caso o mais difícil, entender o poderoso poder do contexto. Audacioso projeto, porém não impossível, quem estiver produzindo um som que deseja torná-lo o “ponto da virada” no mercado fonográfico brasileiro deve observar quase com obsessão os pequenos detalhes, as pessoas menos óbvias capazes de lançar uma tendência e, o mais difícil, os brasileiros altivos, mas ainda assim brasileiros.


domingo, 1 de julho de 2012

Lana Del Rey. National Anthem. Sem Muitas Palavras.


É isso que chamo de genial. Nada de polêmico. Simplesmente genial. Novo clipe de Lana Del Rey. National Anthem traz A$AP como o Mr. President Jonh F. Kennedy e Lana como Marilyn Monroe e Jackie O. Demais!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Sérgio Saas. Raiz Coral. DVD Vencedor. 7 de Julho.




Em menos de um mês, exatamente dia 7 de Julho, será lançado o tão aguardado primeiro DVD do Raiz Coral. Tão aguardado porque quem já teve o privilégio de assistir a qualquer apresentação sabe o quanto é emocionante, não apenas pela qualidade musical quanto pela mensagem. Sérgio Saas e seu time estarão a postos para uma prometida belíssima apresentação na Igreja Bola de Neve, localizada no bairro da Lapa, em São Paulo. “Vencedor”, o DVD, reúne 23 canções do CD “Vencedor” (Saas Music, 2010), sucessos de outros álbuns, Além de algumas inéditas.

“Vencedor”, o CD, - disco de ouro, aliás – tem como destaque a música “Lugar Secreto”, de letra e música de Sérgio Saas, que sem dúvida será uma das mais aguardadas na apresentação. Dono de uma das vozes mais encantadoras desse país – juro! – Sérgio Saas é um cantor que merece estar entre os principais nomes nacionais não só pela trajetória pessoal – um dia, escrevo sobre isso –, mas pelo impacto que causou na música gospel, junto com alguns amigos, quando resgatou o estilo black music na prática do louvor. Mais que isso, Sergio Saas deu a este estilo sonoridade moderna, causando uma febre entre os jovens dos anos 2000. Falo de um contexto completamente diferente do pop que costumo escrever, mas tão influente quanto. É que música independe de segmento para alcançar e influenciar drasticamente o comportamento de uma cultura.

O Raiz Coral, juntamente com seu líder, são nomes respeitados neste mercado musical que rende ao Brasil cerca de R$ 1,5 bilhão em vendas de discos e DVDs, dados de 2011. Trabalhos como o de Sérgio Saas e Raiz Coral têm ganhado espaço na mídia em geral merecidamente. Os 38 milhões de pessoas que assumem ter uma crença em Deus e na Bíblia são consumidores de música e de música de qualidade. O segmento tem crescido em qualidade de produção, prova disso é quem está por trás desse lançamento. A Agência Richards é quem realiza o evento e tem em seu portfólio empresas conceituadas como Citroën e Claro. Em parceria com a BBS Entertainment, que já trouxe ao país nomes como Kirk Franklin, Michael W. Smith, Fred Hammond, Donnie McClurkin e Boyz II Men, prometem um evento de alta qualidade em som e iluminação.

Fica a dica do que ver e ouvir dia 7 de Julho, em São Paulo.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Interiores. Woody Allen. Primeiro Drama. 1978.



“Interiores” foi o primeiro drama produzido e dirigido por Woody Allen, em 1978. Impacta fortemente pelo retrato verdadeiro das emoções depois que um forte laço se rompe inesperadamente – no filme, o laço familiar. O pai, Arthur, vivido por E.G. Marshall, resolve pedir um tempo no casamento, nada aparentemente definitivo. A mãe, Eve, vivida brilhantemente por Geraldine Page, é uma mulher exigentíssima, perfeccionista, de um nível que oscila entre à admiração e à ojerija, e que por isso está doente. As três filhas: Renata, vivida por Diane Keaton; Joey, interpretada por Mary Beth Hurt e Flyn, personagem de Kristin Griffith, têm seus dramas pessoais que giram em torno de como se sentem em relação à doença da mãe, ao desejo de ver o pai feliz em sua nova escolha e quanto ao seus próprios papeis como esposa, profissional e irmãs.

É interessante se colocar no lugar de cada personagem e entender seus direitos e deveres, porque todos têm, na busca do objetivo de cada um poder ser feliz à sua maneira. O filme descompassa o ritmo da respiração se já se viveu alguma cena retratada, o que é fácil porque Woody Allen encena acontecimentos comuns em toda família que se separa. Mas como estamos falando de Woody Allen, é não é diferente por ser o seu primeiro drama, os diálogos são profundos e difíceis.

Imperdível, como tudo o que Woody Allen faz.

domingo, 3 de junho de 2012

Jay Vaquer. Mais Rock. Umbigobunker!?.



O som pop rock de Jay Vaquer é incomum. Ou seriam suas letras um tanto insólitas que tornam o seu som incomum? Seja qual for a resposta, Jay Vaquer nem sempre agrada, embora nem sempre choque, e mesmo tendo tudo para ser uma grande referência no gênero, não é. Em seu quinto álbum de estúdio, “Umbigobunker!?” (Lab 344, 2011), o rapaz com cara de anjo mas de língua afiada apresenta um álbum mais rock do que pop e com os característicos versos e trocadilhos inteligentes.

Jay Vaquer costuma musicalizar contos, personagens ou arquétipos como no sucesso “Cotidiano de um Casal Feliz”, do álbum “Você Não Me Conhece” (EMI, 2005) ou “Estrela de um Céu Nublado” e “Breve Conto do Velho Barão” ambas do disco “Formidável Mundo Cão” (EMI, 2007). Em “Umbigobunker!?” o cantor apresenta este formato em “Do Nada, Me Jogaram aos Leões”, um dueto com Maria Gadú – ótima, por sinal, no pop rock – embora esta seja uma letra mais subjetiva do que as anteriores. Como as composições são escritas pelo próprio cantor, tudo isso quer dizer que entender Jay Vaquer é mais difícil, pelo menos para a maior parte das pessoas que consome o pop rock fácil, extremamente fácil. “Umbigobunker!?” também não é um disco tão melódico quanto os anteriores. Mesmo as baladas vêm com um som menos terno.

Em se tratando de letra, destaque para “Meu Melhor Inimigo” com os versos: “Enquanto não passar a "tempestade"/ Nesse copo d'água de benzer ateu/ Se o dilúvio vem do conta-gotas/ Perco a conta e o prazer é seu”. Jay Vaquer tem uma inteligente capacidade de juntar extremos, harmonizar em frases o que é por natureza discordante. Sua interpretação também oscila, e às vezes na mesma canção, entre os extremos. Amor e ódio, doçura e desacato, tudo é Jay Vaquer.

“Umbigobunker!?” é um álbum para entrar de cabeça em dias que não se quer provar nada para ninguém, cujo único objetivo é colocar para fora os extremos incoerentes que habitam em todo e qualquer coração.

sábado, 2 de junho de 2012

Branca de Neve e o Caçador. Ausência de Sentido. Magia Quebrada.



Kristen Stewart tem mesmo o dom de fazer com que os homens a amem sem motivo algum. Essa é a impressão que fica quando “Branca de Neve e o Caçador” (Rupert Sanders, 2012) acaba. Se Rupert Sanders tentou fazer uma releitura pós-moderna da clássica fábula contada pelos Irmãos Grimm – porque há outras versões do conto alemão que era tradicionalmente recitado e não lido – ele conseguiu apenas quebrar a agradável magia infantil que nos envolvia e nos fazer sentir burros. Não é exagero. Há tantos elementos sem sentido e tão pouca razão para ceder ao carisma de Stewart que o incômodo chega a ser constrangedor. Nem a beleza de Charlize Theron, no papel da bruxa Ravenna, salva. Aliás, quais são as razões para o “Espelho, Espelho Meu” dizer que Kristen Stewart é mais bela que Charlize Theron? Um equívoco capaz de gerar risadinhas na plateia pela simples razão de que não há comparação entre um rosto tão clássico como o de Theron com o exotismo de Stewart. Uma explicação seria exatamente por ser uma releitura pós-moderna de Branca de Neve, logo a princesa possui traços pós-modernos? Um minuto de silêncio.

Depois da morte de seu pai, o rei, Branca de Neve é jogada numa masmorra pela madrasta Ravenna, uma bruxa belíssima que mantém sua juventude e beleza matando moças bonitas até que descobre que no reino há uma mulher mais bonita do que ela, Branca de Neve. O terror começa quando Ravenna manda buscar a princesa da prisão, mas mais esperta do que poderíamos supor, a princesa consegue escapar, o que faz Ravenna enlouquecer de ódio. Ok. Chris Hemsworth, no papel do bêbado, porém esperto, Eric é escolhido pela rainha má para capturar a fugitiva em troca da ressurreição de sua esposa, uma das vítimas-fonte-da-juventude da bruxa. Quando Eric descobre que Ravenna não cumprirá sua palavra, passa a proteger Branca de Neve, e a aventura torna-se impressionantemente insossa, com diálogos dos mais profundos, tanto que é preciso o dom da clarividência, porque o espectador o ouve no silêncio.

Uma obra primorosa para a lista de filmes que não valem a pena assistir, mesmo em dias chuvosos ou de extremo tédio, “Branca de Neve e o Caçador” e lamentável para a carreira de Theron e de Stewart também, sem injustiça. E sem ironia também.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O Corvo. Edgar Allan Poe. Filme Correto.



Crimes mais do que bárbaros norteiam o enredo do filme “O Corvo” (James McTeigue, 2012), que traz John Cusack no papel do escritor, poeta, editor e crítico literário Edgar Allan Poe, personagem central da trama, cujos romances inspiraram um assassino em série. 

Encarregados de capturar o criminoso, Poe e o detetive Emmet Fields, interpretado por Luke Evans, unem força e inteligência para entender a mente do assassino e assim impedir que outros crimes aconteçam, além de resgatar a noiva de Poe, Emily Hamilton, vivida por Alice Eve, sequestrada pelo matador. 

O roteiro correto, típico de um filme de suspense policial, não empolga, mas também não insatisfaz. Com cenas bem amarradas e bem interpretas, principalmente por Luke Evans, o filme deve pela química que não aconteceu entre Cusack e Eve, mesmo o romance não sendo o mote principal, e pela ausência de surpresas – discodam, talvez, os sensíveis a cenas sanguinolentas. Um filme correto e ponto. Vale a pena pela história de Edgar Allan Poe e os traços marcantes de sua personalidade que ficam evidentes na atuação de Cusack. Poe é considerado o precursor do romance policial pelos textos macabros e envoltos por histórias misteriosas.

“O Corvo” é um dos contos mais famosos de Edgard Allan Poe que morreu aos 40 anos, causa nunca descoberta. Sabe-se apenas que foi encontrado em uma praça, sentado, em estado de delírio, como reproduz o filme nas primeiras cenas. É importante, contudo, salientar que o filme retrata uma história completamente ficcional.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Vem aí. Mixirica. A Festa da Música Brasileira.

A “Gambiarra” é uma das festas mais famosas de São Paulo. Quem já foi sabe. As pistas bombam, as pessoas festejam, o público é composto por pessoas felizes ou muito a fim de felicidade. É isso. Uma festa onde se tem a certeza de alcançar a alegria ao som de muito pop. Mas essa nota não é sobre a “Gambiarra”. É sobre “Mixirica”, o novo projeto dos criadores da Gambiarra, que nada mais é que uma festa composta só por remixes de músicas brasileiras. 

Quem vai tocar? Atenção:



DJ Ramilson Maia, responsável pelo sucesso “Tem que Valer” do Kaleidoscópio, além de remixes de Daniela Mercury, Vanessa da Mata, Fernanda Porto e, atualmente, de Wanessa, porque o remix de “DNA” ocupa o primeiro lugar em uma rádio pop da Alemanha. Bombando!


DJ Mad Zoo, um dos precursores da Drum n’ Bass no Brasil, quem assinou trabalhos de feras como DJ Patife, Elis Regina, Cesar Camargo Mariano, Fernanda Porto, Veiga & Salazar, Morcheeba, Funk Como Le Gusta, Jorge Ben, Luiz Gonzaga, Jonh Secada, Clara Nunez, Secos&Molhados, Technozoide, Patricia Marx, Wilson Simonal e Tim Maia, e uma dos ouvidos mais sensíveis que se pode conhecer.


Deeplick, produtor de música eletrônica que já trabalhou com Shakira, Seu Jorge, Jennifer Lopez, Wanessa, Claudia Leitte, é hoje certamente é um dos maiores nomes da música eletrônica no Brasil.

A festa vai rolar toda quinta-feira no clube The Society, no Baixo Augusta, a partir do dia 14 de junho. Quem vai? _o/

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Fame. O Musical. Case para Estudo.



Tenho duas perguntas, por enquanto sem respostas, sobre a versão brasileira do musical “Fame”, em cartaz no Teatro Frei Caneca, em São Paulo. Conferi a apresentação fechada para convidados, ontem, estrelada por Corina Sabas, substituta da atriz principal Paloma Bernardi que foi afastada, segundo comunicado oficial, por um problema na corda vocal.

É louvável a iniciativa de produtores brasileiros em tentar tornar musicais de sucesso em versões tão boas quanto as originais. Acredito que é assim que se aprende: tentando. É louvável mais ainda o empenho dos atores de musicais – falo dos autênticos – que dedicam suas vidas ao canto, à dança e à interpretação em um país que não permite que pessoas se dediquem mais de oito horas por dia a essas artes. Privilegiados são os que conseguem fazer qualquer uma dessas atividades uma hora por dia, no momento que podemos chamar de “válvula de escape”.

Reconhecendo a importância desses dois pontos, passo para as minhas perguntas:

Produtores, por que vocês ainda optam por atores “celebridades” em vez de atores especializados em musicais? Quem acreditou que Paloma Bernardi levaria mais pessoas ao teatro que a Corina Sabas? Quem é Corina Sabas? Pode ser uma pergunta-resposta. Entendo as justificativas do marketing. Agora, em um mundo no qual a internet tem tanta força quanto à televisão, um bom vídeo de Corina Sabas, com sua voz e performance maravilhosas, não convidaria pessoas com mais eficácia?

Atores que não dedicam suas vidas aos musicais, uma pergunta, qual a razão para se colocar na frente do canhão? Sou incapaz de falar mal de Paloma Bernardi, por respeito a ela como artista. Por respeito a qualquer um que tem mais coragem do que eu de fazer tal coisa, e que ensaia e tenta fazer um bom trabalho. A questão é outra. Com tantos vídeos, virtuais ou não, como não criar modelos, ter parâmetros, e estabelecer uma meta possível de ser alcançada pelo trabalho árduo e pelo estudo?

“Fame” tem dançarinos ótimos, atores ótimos, cantores ótimos, mas não tem nada disso em um único profissional. Ou talvez tenha, mas ele está tão escondido quanto Corina nas entrevistas e material publicitário. O Brasil ainda está engatinhando na produção de bons musicais? Não temos atores preparados para tal empreitada? Ou temos, mas somos reféns das celebridades que pensam que o impulso para ir ao teatro demanda a mesma capacidade cognitiva de sentar em frente à televisão e se deixar envolver?

Corina Sabas e outros bons cantores salvam “Fame” de um fracasso quase fatal. Uma pena, pois poderia não ser assim. Mas se posso encerrar com otimismo, talvez seja o grande case para estudo. Como mudar o rumo das produções nacionais de musicais.

sábado, 19 de maio de 2012

Leonardo Gonçalves. Princípio e Fim. Oásis no Deserto.


Alguns artistas merecem estar no topo do mundo pelo talento descabido e a capacidade de transformá-lo em um produto artístico de primeiríssima qualidade. Um desses artistas é Leonardo Gonçalves, um dos nomes mais respeitados da música religiosa no Brasil. Com o recém lançado álbum “Princípio e Fim” (Sony, 2012), o cantor tem tudo para sair do universo que categoriza sua música e ganhar espaço entre os mais competentes artistas do país. Inserido em um mercado tristemente visto como fabricante de músicas de qualidade duvidosa – o que se deve muito mais à cultura evangélica brasileira do que propriamente ao talento desses intérpretes – Leonardo Gonçalves é um oásis neste deserto. Cristãos ou não, evangélicos ou não, devotos de qualquer fé ou não, todos são capazes de se emocionar com o trabalho deste artista.

Longe do viés depressivo, “Princípio e Fim” é composto por músicas refinadas, com letras interessantes e sem os enfadonhos clichês que caracterizam a maior parte das músicas religiosas. Um álbum para elevar a alma, sem dúvida, mais ainda, um álbum para honrar aquEle que muitos acreditam ser o responsável pelo dom da música: Deus.




sexta-feira, 18 de maio de 2012

R.I.P. Donna Summer.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Pop Art. Andy Warhol. Superfície Polaroides. São Paulo.



Ícone da Pop Art, Andy Warhol é tema de mais uma exposição em São Paulo. “Superfície Polaroides” reúne 300 fotografias Polaroid tiradas entre 1969 e 1986. Diana Ross, Farah Fawcettt, Mick Jagger e Jane Fonda são algumas das celebridades fotografadas, além de amigos do artista, lugares e objetos. Em exibição no Museu da Imagem e do Som (MIS) até 24 de Junho, a mostra revela o início do processo de criação de Warhol que resultava nas serigrafias icônicas.

Instrumento fundamental para as criações do artista, máquinas e mais máquinas Big Shot da Polaroid eram guardadas, em estoque, caso a que estivesse usando quebrasse ou se perdesse. Com sua técnica, Warhol imprimiu rostos célebres como os de Michael Jackson, Marilyn Monroe, Liz Taylor e Pelé.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Madonna. Foto Leiloada. 15 Mil Libras.


A foto de Madonna nua, tirada em 1990 pelo fotógrafo Steven Meisel, foi arrematada por 15 mil libras – mais ou menos R$ 48 mil – por um colecionador anônimo em leilão que aconteceu ontem, em New York. A fotografia em preto e branco tirada para o polêmico livro “Sex não fez parte da seleção final.

Sensualíssimo, o livro foi lançado em 1992 e exibe Madonna não só nua como em “atividade sexual” com homens, mulheres, em fetiches sadomasoquistas, lésbicos e historinhas como em tiras de quadrinhos – entre outras categorias comuns aos conteúdos pornográficos: oral, anal, grupal.

“Sex” está até hoje em primeiro lugar na lista dos livros mais procurados em sebos. Aos 34 anos, Madonna também revelou-se em fotografias maravilhosas, absoluta e totalmente confiante de sua beleza - como nesta foto que foi leiloada. Em apenas três dias, “Sex” vendeu 1,5 milhões de cópias, sendo até o hoje o livro fotográfico mais vendido no mundo.

Ed Sheeran. Videoclipe. Small Bump.


Por que ele é o melhor? Porque ele é o melhor! Fã absoluta de Ed Sheeran. A suavidade de sua voz, sua introspecção, a profundidade emocional de sua interpretação. Ed Sheeran lança o videoclipe da canção “Small Bump” que revela tudo isso e mais um pouco de solidão e vazio. 

Mas há nada de melancólico em sua música, apesar de minha descrição. Pelo contrário! Ed Sheeran faz o som mais sereno que ouvi nos últimos tempos. A carinha de bom moço é tão marcante neste videoclipe que só atiça o assédio em torno do britânico. Ed Sheeran declarou recentemente que não comprometerá sua carreira por uma noite de prazer com qualquer fã. Recado dado. Mas voltemos ao videoclipe... Clicando em “Ver novamente”.



Rita Ora. R.I.P. Número 1. Reino Unido.


Gostei muito do primeiro single de Rita Ora, “R.I.P.”, em parceria com Tinie Tempah. A música que alcançou o primeiro lugar no Reino Unido tem colocando mais potência no holofote virado para a cantora desde que o apadrinhamento pelo todo-poderoso Jay-Z se tornou público. Aos 21 anos, natural de Kosovo, Rita Ora é o mais novo nome do R&B, sem muito diferencial, colocando-a lado a lado com Rihanna – embora eu acredite que Ora vai superá-la. As comparações já começaram, mas é preciso esperar pelo primeiro álbum da moça. Sinceramente? A produção de “R.I.P.” é sensacional e estou inexplicavelmente ansiosa para ouvir o disco inteirinho.


domingo, 13 de maio de 2012

Maria Gadú. Mais uma Página. No Tempo Certo.



Discos são como roupas. Ouvimos de acordo com a ocasião. Discos novos são como roupas novas, precisam do momento certo para ser ouvidos. Maria Gadú, “Mais uma Página” (Som Livre, 2011), meu disco novo que esperou o dia ideal e uma abertura sincera de sentimentos e sensações. Talvez muito tempo depois de seu lançamento, sim. Mas é assim mesmo. Como um Machado de Assis que existe para saciar a sede intelectual em uma época mais madura, mais recolhida, distante de qualquer obrigação pré-universitária, alguns discos só podem ser ouvidos depois, sem muito afã ou qualquer compromisso de estar “por dentro” dos lançamentos.

“Mais uma Página” não é um álbum para qualquer situação e não é para entreter. Talvez por isso tenha sido tão mal recebido pelo público em geral. Já o público diferenciado o abraça, o cumprimenta com respeito e o aceita. Maria Gadú provavelmente atirou em seu próprio pé no que se refere às vendas, mas escolhe não perder mais tempo em se firmar como um dos maiores talentos da Música Popular Brasileira. A moça que desde os sete anos compõe, canta e toca - e tendo permanecido tanto tempo entre os talentos do Lado B - de repente cresce, ganha notoriedade e fama, mas resolve voltar.

“No Pé do Vento” é a canção que mais destaco em “Mais uma Página”. Pela letra e pela música. Versos como: Sou pássaro no pé do vento/ Que vai voando a esmo em plena primavera/ Cantando eu vivo em movimento/ E sem ser mais do mesmo/ Ainda sou quem era; destoam do “um tanto pop” primeiro álbum – sem deméritos. É a maturidade, é a consequência natural de quem tem o que falar. A segunda faixa mais bonita é “Amor de Índio”, composta por Beto Guedes e Ronaldo Bastos. Um encanto de canção.

Produzido por Rodrigo Vidal, “Mais uma Página” possui 14 faixas – sendo oito delas autorais – todas bem arranjadas, com violões realçados e percussão sensivelmente bem colocada. O disco conta com as participações do português Marco Rodrigues, Lenine e Cassyano Correr. 

Depois de vender 180 mil cópias com o primeiro disco e viajar o mundo, Maria Gadú revela-se “Taregué” – palavra que significa “livre” – tradução perfeita em forma de canção para explicar quem se tornou. 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Usher. Sirius XM. Promoção Pré-Lançamento.



Usher não está brincando com os eventos promocionais pré-lançamento do sétimo álbum de sua carreira. Depois de participar de um espetáculo do grupo Fuerza Bruta o cantor vai se reunir com seus fãs em um encontro promovido pela rádio Sirius XM. O autor de “Looking 4 Myself” pretende contar todo o processo criativo que envolveu a produção do álbum e responder as perguntas dos fãs. O evento acontece dia 16 de maio.

Tanto barulho em torno de “Looking 4 Myself” só tem aumentado minha expectativa. Objetivo alcançado, Usher.

Greg Laswell. Sara Bareilles. Come Back Down.

Greg Laswell convida Sara Bareilles para um dueto e o resultado é uma canção pop de extremo bom gosto. "Come Back Down" tem piano marcante que dá suporte aos ricos vocais da dupla. O videoclipe conceitual é todo em stopmotion. Impossível resistir.


Pete Doherty. Pintura. Leilão. Sangue de Amy Winehouse.


O excêntrico Pete Doherty promove nesta sexta-feira um leilão no qual coloca para arremate alguns itens pessoais como diários, guitarras, jaquetas e uma polêmica pintura feita com o sangue de Amy Winehouse. A obra chamada "Dama" é um auto-retrato e estima-se que os lances cheguem a US$130 mil. O evento acontecerá na Cob Gallery, a mesma que abrigou no início do ano uma exposição do músico que contou com 20 pinturas feitas com sangue, entre elas "Salomé", que foi capa do álbum Grace/Wastelands, seu primeiro disco solo.

sábado, 5 de maio de 2012

Biblioteca Mário de Andrade. Que Tal?



Não é reflexo de nenhuma onda nostálgica, apenas um novo – ou velho? – hábito que pode ser muito gostoso de voltar a ter. Que tal fazer matrícula em uma biblioteca pública e dedicar algumas horas folheando livros antigos, com aquele cheirinho de história? Em tempos modernos, onde se lê em tablets e telas de computador, não sobra muito tempo para momentos tão prazerosos. 

O que mais poderia ser tão original? Apresento a Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Fundada em 1925, é a primeira biblioteca pública de São Paulo e a segunda maior do Brasil. O acervo abriga mais de 3,3 milhões de itens. O projeto arquitetônico é do francês Jacques Pilon e é considerado um marco da arquitetura Art Déco.

Boas leituras!

Biblioteca Mario de Andrade
Endereço: Rua da Consolação, 94
Telefone: 11. 3256.5270

sexta-feira, 4 de maio de 2012

R.I.P. Adam Yauch.


Jennifer Lopez. Follow The Leader. Reggaeton.




Gosto dela. Não amo, mas gosto. Vez ou outra dedico um tempo para assistir aos seus videoclipes, principalmente os antigos, porque ela é maravilhosa, e quase dá para desvencilhá-la de sua música – nem sempre boa. Exímia dançarina, ainda está no topo com seu corpo e sua dança. Só que desta vez, Jennifer Lopez, não deu. A música é horrorosa, o videoclipe é horrível, o figurino é terrível e quem fez essas tatuagens, por favor?

“Follow The Leader” foi gravado em Acapulco e conta com a dupla porto-riquenha de reggaeton Wisin & Yandel. O vídeo foi dirigido pelo namorado de J-Lo, Casper Smart – talvez aí esteja a razão de o clipe ser meio ruinzinho. Não deu.

Estreia. Um Homem de Sorte. Romance Raso ou Raio de Esperança?



Não me lembro de ter assistido a nenhum filme adaptado de qualquer livro de Nicholas Sparks. Por enquanto, por nenhum motivo realmente forte, talvez apenas por uma desconfiança crônica de quem vende milhões de livros assim, facilmente, e invade ruas, metrôs ou outros espaços. Deveria ficar feliz em ver muitas pessoas com livros nas mãos? Sim, e fico. Minha felicidade, contudo, não dura muito quando percebo que o título não é algo que agregue tanto – embora eu contraditória e humildemente me pergunte quem é capaz de julgar o significado “que fica” nos leitores, falando de livros como o de Sparks, por exemplo. Estou falando tudo isso porque estou com muita vontade de assistir “Um Homem de Sorte”, uma das estreias desta sexta-feira. Mesmo depois de ler uma crítica pouco empolgante publicada no G1, estou realmente pensando em ir assistir ao filme e tirar minhas próprias conclusões.

Exceto uma, que já tenho. A máquina sparksiana de romances açucarados e sem nenhuma utilidade no mundo real já pode começar a ser estudada. Como, ainda, em tempo pós-moderno, é possível envolver tanta gente com histórias tão primárias? Em um mundo em que precisamos cada vez mais de empenho para viver ardentes romances – entenda-se por empenho dinheiro e tempo – são raios de esperança filmes de romances fáceis e predestinados? 

E aí, me lembro de um almoço com os amigos Cesar Suga, Paula Mariano e Beatriz Grantham e de um momento em que a Bea nos contou sobre um vídeo do Felipe Neto – que você pode assistir logo abaixo – em que ele questiona como uma garota como a Bella chama a atenção de Edward “sem uma porra de um motivo”. O vídeo é imperdível.


Acabei de pensar que o Zac Efron pode ser o real motivo dessa minha vontade cinematográfica. Ele já é uma porra de um motivo.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Usher. Looking 4 Myself. O Mais Artístico Álbum.



Quase, quase saindo do forno está o sétimo álbum do Usher. Intitulado “Looking 4 Myself”, o disco chega aos fãs dia 12 de junho. Ao lado de renomados produtores como Pharrell Williams, Luke Steele e Rick Ross, Usher anda dizendo que este álbum é o mais artístico de sua carreira, tendo sido segundo a segundo produzido com criatividade. Vamos conferir, então. A verdade é que, artístico ou não, comercial ou não, Usher tem uma voz ma-ra-vi-lho-sa.

“Looking 4 Myself” está sendo aguardado com ansiedade pelos fãs, ainda mais depois da festinha privativa que aconteceu no Daryl Roth Theater na qual Usher apresentou todo o disco aos convidados. O evento contou com performances do grupo Fuerza Bruta.

A capa mostra Usher de perfil e com o pescoço tatuado com as mesmas imagens do plano de fundo. Vamos ver se ele conseguiu se encontrar. Ansiosa.

Assista aqui o videoclipe do single “Climax”.



Mallu Magalhães. Velha e Louca. Linda. Linda.


Como eu amo este videoclipe. Mallu Magalhães conquistou o meu coração com o disco "Pitanga" (Sony, 2011). Não tenho realmente conseguido parar de ouvi-la. Sem falar que ela está linda com este visual mais mulher. Este videoclipe foi gravado no alto de um prédio em São Paulo e tem a participação de Marcelo Camelo – o que não tem a participação de Camelo? Lançado em 24 de Janeiro deste ano, as primeiras exibições foram feitas em salas de cinema, antes do filme “As Aventuras de Tintim”.

Camaleoa. Norah Jones. “Little Broken Hearts”.



“Little Broken Hearts” (EMI, 2012), novo disco de Norah Jones, foi apresentado hoje aos fãs de todo o mundo. Em parceria com o renomado produtor Brian Burton – o Danger Mouse – Norah apresenta um som completamente diferente do que já fez até hoje. Muito mais pop, muito mais alternativo – podemos chamar o disco, então, de pop alternativo – Norah se abre completamente, em letras bastante pessoais, o que viveu nos últimos dois anos, principalmente quanto ao último término de namoro – e mais uma diva joga todas as suas frustrações na música, vide Adele que abraça os desesperançados no amor com tanta empatia.

Sem medo de revelar-se demais, a cantora confessa que o período de produção do disco foi uma fase muito difícil. O tom sombrio é fácil de notar, mas não chega a envolver. “Little Broken Hearts” é o típico disco interessante para um momento de introspecção, mas sem pretensões catárticas. “Little Broken Hearts” é o quinto álbum de estúdio de Norah Jones. Pouco fiel ao estilo que a lançou e consagrou, o jazz, Norah já passeou também pelo folk, pelo country e um pouco pelo de eletrônico. Ouvindo de coração aberto, “Little Broken Hearts” agrada e muito.

domingo, 8 de abril de 2012

Heleno. Rodrigo Santoro Impecável. Que Estética!

Sentada em minha cama, neste momento, reflito sobre “Heleno” (José Henrique Fonseca, 2012). Cercada de revistas e livros, tento elaborar pensamentos coerentes, livres de tantas emoções, porque escrever sem emoção sobre esse filme é impossível, por isso sem “tantas” emoções. Uma das revistas que está ao meu lado é a edição do mês da Lola, aberta na matéria com o Rodrigo Santoro. Do outro lado está o livro “Nunca Houve um Homem Como Heleno” (Marcos Eduardo Neves, Zahar).

Pois é. Saí tão estarrecida do cinema que fui direto para a livraria procurar algum título sobre o jogador tempestuoso. Mesmo que um jornalista, crítico, tente escrever com o máximo de coerência e embasamento, não é sempre que ele consegue abrir mão de uma opinião muito particular, que vai contra todos os critérios imprescindíveis para analisar uma obra cultural. E estou nesse impasse. Eu simplesmente amei “Heleno”. O filme é lindo, emocionante, com um ator impecável e, meu Deus, que estética!

São notórias as falhas no roteiro e ficam sim evidentes trechos da vida do jogador que não foram explicados e que por isso ficaram sem sentido, mas diante da confusão emocional e mental tão evidentes e interessantes precisaria de mais uma hora, no mínimo, para mais questões serem exploradas – algo que fatalmente vou descobrir mesmo lendo o livro de Marcos Eduardo Neves.

Achei exagerada a comparação com o filme O Artista (Michel Hazanavicius, 2012) porque o investimento também não pode nem de longe ser comparado. Mas adorei e achei de extremo bom gosto a escolha de contar a história de Heleno de Freitas em preto e branco – uma vez que o auge do ídolo botafoguense aconteceu nos anos 1940.

Desejo do fundo do meu coração que esse filme seja visto. Pelo trabalho primoroso, pelo personagem tão interessante que merece ser lembrado e conhecido pelas novas gerações e, principalmente, por Santoro. “Heleno” é o maior “cala a boca” que vi nos últimos anos. A transformação física pela qual Santoro vai passando ao longo da trama é de impressionar. Foram 12 quilos perdidos e sentido, pois seu emocional sentiu bastante a perda de peso. Louvável e louvável. Estou muito feliz e orgulhosa do cinema brasileiro. A mesma sensação que tive ao término de “Xingu” (Cao Hamburguer, 2012).

domingo, 25 de março de 2012

Bruno Mars na Capa da Playboy Americana.

Bruno Mars na capa da Playboy? Pois é. O cantor vai estampar a edição de abril da revista ao lado da modelo Raquel Pomplun. As meninas que ficarem empolgadas para conferir o recheio da revista já adianto – com muito pesar – que o moço não tira a roupa. Para comemorar o feito tão inédito na história da revista, Bruno Mar fez um show na Mansão Playboy na última terça, 20. Na celebração estavam ainda Britney Spears, Chris Martin e Cameron Diaz. Bruno Mars cantou o seu repertório e músicas Kanye West, The Police e Michael Jackson. Nas fotos, Bruno Mars posa de Elvis Presley, um de seus grandes ídolos.

Efervescência das Pistas. MDNA. Topo do Mundo.



O pop está resgatando a efervescência das pistas. Primeiro, Britney Spears lança o álbum “Femme Fatale” (BMG, 2011). Em seguida, Jennifer Lopez chega para a festa com “Love?” (Universal, 2011) e o hit “On The Floor” que se alastra como vírus. Rihanna não quis ficar para trás e entra em cena, chutando no peito, com “Talk Talk Talk” (Universal, 2011). No ponto alto da festa, porque não é do feitio da Rainha do Pop não aparecer sem causar impacto, chega Madonna com “MDNA” (Live Nation, 2012). O álbum dançante, diferente dos três primeiros, soa um pouco mais conceitual – não tão e não apenas comercial.

Para entender “MDNA” é importante conhecer quem está com Madonna neste trabalho. William Orbit é um deles. Músico, compositor e produtor musical, o inglês assinou o aclamado disco “Ray of Light” (Warner, 1998). Sua presença em “MDNA” é tão forte que nos remete facilmente a “Ray of Light” nas faixas “I’m a Sinner” e "Masterpiece" – trilha sonora do filme “W.E” e vencedora do Golden Globe Awards. Martin Solveig é um produtor francês conceituado por suas produções elaboradas – ele às vezes incorpora músicos ao vivo e instrumentos clássicos aos sons sintéticos – e o experiente Benny Benassi, produtor italiano, conhecido do grande público pelo hit “Satisfation”, tem inúmeros singles emplacados e discos premiados.

“MDNA” começa com “Girl Gone Wild” esquentando a festa que promete rolar até o final do disco. Uma faixa animada e “simples” que convida para a pista sem intimidar. “Gang Bang” escurece um pouco o cenário com uma produção mais conceitual, mais forte, embora com uma única batida marcante. “I’m Addicted” mantém o clima um tanto psicodélico. Minha preferida: “Turn Up The Radio” é dançante sem ser irritante. Leva o disco para o lado mais originalmente pop de Madonna. O álbum segue com "Give Me All Your Luvin”, conhecida por todos por ter sido o primeiro single a ser lançado.

O clima volta a esquentar com “Some Girls” e alivia novamente com “Superstar”. “I Don’t Give A” com Nicki Minaj é brilhante, forte, marcando presença no cenário atual com muita propriedade. Obra de Martin Solveig, é a faixa que mais revela a grandeza de Madonna, de conseguir imprimir sua marca em todas as épocas. Solveig também assina “Turn Up The Radio”, "Give Me All Your Luvin” e “Beautiful Killer”, que lembra um pouco “Die Another Day”, pelos violinos. É de Solveig as músicas mais atuais do disco. William Orbit está com Madonna nas faixas: "Falling Free", "Love Spent", "Masterpiece", “I’m a Sinner” e "Some Girls". “Superstar” é produzida por Indiigo Muanza e Michael Malih, e os vocais estão por conta de Lourdes Maria.

O disco é longo, mas não cansa. Um trabalho primoroso que permite que Madonna continue no topo do mundo. A mulher-sem-limites não brincou mais uma vez e mesmo que não alcance uma marca considerável em números de vendas ou de hits no Hot 100 da Billboard deixa mais uma obra-prima com o seu nome.