sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz 2012! Músicas Novas e Músicas Velhas na Mesma Medida.

Estou fazendo a segunda lista deste final de ano, preparando o terreno para 2012 que está chegando. Esta é a famosa lista de promessas que todo mundo faz – diferente da que fiz esses dias e publiquei logo abaixo. A música para estimular? Óbvio, óbvio, óbvio, Aerosmith! O disco Young Lust: the Aerosmith Anthology (Universal, 2002) tem sido meu companheiro de reflexões desde antes do Natal. Méritos de Cesar Suga que sempre me ajuda a achar o disco desejo do momento. Meu grande amigo que, óbvio, vai comigo para 2012 na classe VIP.

Por que um disco tão antigo? Este ano consegui realizar umas das minhas grandes vontades musicais desde minha infância, quando o meu irmão, Emerson de Castro, adolescente nos anos 1990, ouvia muito rock. Steven Tyler! Ooooh. Steven Tyler. Sempre desejei entender essa pessoa, ou minimamente conhecê-lo. E quando menos imagino, eis que surge uma autobiografia assustadoramente interessante – pelo menos para mim que o desejo desde que me conheço por gente. E quando menos imagino mais ainda, minha querida amiga Juliana Alves me presenteia com este livro. Ok! Sou tão privilegiada quanto Steven Tyler no quesito ser feliz.

Deixei passar as duas grandes chances de ver o Aerosmith tocando e este ano foi quase imperdoável, mas, ok. Acredito que tenho que me concentrar no futuro e colocar este item na minha lista de promessas. Quem sabe não acontece o que aconteceu – ou teria acontecido – em 2009 quando veria Michael Jackson novamente nos palcos em Londres. Futuro!

Publilquei no finalzinho de 2010 a lista de promessas para 2011. E, olhando agora o post, sinto-me feliz por ter conseguido ser fiel às minhas promessas – ou pelo menos ter tentado. Ouvi muitas músicas! Li muitos livros, não o tanto que prometi, mas um número razoável: 25 livros! Pratiquei meu Yôga. Corri. E, a grande novidade foi a aquisição da minha bike. Então, corri e pedalei! O item que acho que fiquei mais devendo foi o da moda. Quis ter sido mais estilosinha esse ano. Estudei muito, superei alguns limites que nunca pensei que conseguiria, provei minha fé em Deus em momentos difíceis, amei muito, muito, muito, fortaleci alguns laços afetivos e afrouxei outros que estavam me sufocando. Perdi amigos, ganhei outros, renovei votos com outros tantos. Em resumo: 2011 foi um ano difícil, mas também o que mais me fez crescer. Coincidência ser meu último ano na casa dos 20? Não acredito. Essa virada tem dois saborosos gostinhos para mim: final de um ciclo menor, de um ano, e de um ciclo maior, de uma década.

“Angel”, “Love In An Elevator”, “Love Me Two Times”, “Livin´ On The Edge”, “Amazing”, “Cryin”, “Crazy”, “Dream On” – claro, e essa música me fez fazer o primeiro “check” da minha listinha, mas não vou contar o que é – “Hole In My Soul” e “Sweet Emotion” em altíssimo volume estão me fazendo sentir a mais livre do mundo. Ah, estava me esquecendo de “Blind Man”. É... O disco perfeito para inspirar.

Não vou publicar a lista inteira porque muitos itens são bem particulares, mas alguma coisa posso contar. Aí vai:

Falar inglês fluente
Passar menos tempo no Facebook
Aprender a nadar (É, não sei nadar!)
Comprar uma máquina fotográfica
Usar mais batom
Assistir a um clássico de futebol no estádio
Ler 40 livros
Ir para Budapeste
Reaproximar-me de amigos antigos
Meditar
Passar mais tempo com meu papai
Ir mais à Igreja
Fazer um curso de vinhos

Quero terminar este post com dois trechos da autobiografia do Steven Tyler. Este homem que adoro tem o que ensinar sobre a arte de ser autêntico. Pode parecer um modelo um tanto bizarro, mas, acredite, para mim ele é um grande modelo. Liberdade de ser.

“A vida é curta. Quebre as regras, perdoe rápido, beije lentamente, ame verdadeiramente, ria descontroladamente e nunca se arrependa de nada que o fizer sorrir”

“Aprendi que, se eu for atirar uma flecha de verdade, primeiro devo mergulhar sua ponta no mel. Aprendi a mais antiga lição sobre a culpa – assuma-a. Isso vai apagar muitos incêndios pelos quais você possa passar na vida.”

Muita música em 2012! E... “Dream on”.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Glee Warblers. Código de Ética. Feliz 2012!

Uma das coisas mais legais que fiz neste final de ano foi voltar a escrever um diário. A ideia veio de uma conversa com as lindas Paula Mariano e Beatriz Grantham. Comprei um caderno e tenho escrito todos os dias como eu fazia há... Hum... 20 anos? Às vésperas do meu aniversário de 30 anos – bem vividos, que fique muito claro – voltei a algumas práticas adoráveis.

Coloquei para tocar um dos discos mais fofos de 2011 – Glee Warblers (Sony, 2011). De verdade. Cada canção é de emocionar! Talvez, porque me lembra os grupos a capela que eu ouvia quando adolescente. Enfim, Glee Warblers é a trilha sonora para uma listinha importante que vou colar na capa do meu diário. Vou chamá-la de Código de Ética.

Sou praticante de SwáSthya Yôga há dois anos. Não há palavras para explicar as mudanças que o Yôga fez em minha vida. Mas não quero falar sobre isso agora. Só estou comentando porque meu Código de Ética é baseado – e em muitos itens literalmente copiado – do Código de Ética do Yôga escrito pelo Professor DeRose.

Glee Warblers começa com “Teenage Dream”. E que delícia é lembrar do jeitinho do Blaine cantando esta música. Uma das grandes novidades da 2ª Temporada de Glee sem sombra de dúvida foi a entrada do Blaine com seu grupo Warblers. “Hey Soul Sister” é outra delícia. O disco todo, sério. Acredito que neste caso não dá para citar cada canção porque eu só conseguiria falar “maravilhosa”, “incrível”, “emocionante”. O álbum Glee Warblers é mais uma prova da sensibilidade desta série.

Por que estou escrevendo um Código de Ética? Bom, me fiz essa pergunta também. Mais do que ter um norte para ser uma pessoa cada vez melhor é tentar fazer alguma coisa pelo entorno. Não sou dessas que ficam esperando sentadas e muito menos colocando a culpa em outras pessoas.

Infelizmente – ou felizmente – 2011 foi um ano muito difícil para mim em termos de relacionamentos. Rompimentos sérios aconteceram e rompimentos improváveis. Hoje, depois de uma séria faxina emocional, acredito que certas coisas aconteceram para eu amadurecer meus conceitos e, pela primeira vez na vida, aprender a romper. Sempre tive essa dificuldade. Apesar de ser considerada tão “de personalidade forte”, sempre, sempre, sempre preferi resolver e consertar a abandonar ou romper. A verdade é que, algumas coisas em sua vida nunca vão andar de verdade enquanto conceitos ou práticas forem contraditórios. É importante olhar com honestidade para suas próprias escolhas e admitir que nem tudo o que você fez ou quis foi inteligente. E isso não é vergonhoso. E que fique muito claro: seja o que for que você queira deixar para trás – ou quem quer que seja – não deixe com sentimentos ingratos. Por pior que tenha sido qualquer coisa, alguma satisfação te causou ou nunca teria permitido tal vivência. Negar qualquer felicidade que algo ou alguém tenha causado é falta de gratidão sim. Pelo menos, eu acho que é.

Em 2012 quero isso para mim e desejo fazer o mínimo de diferença na vida de quem eu passar.


Será inadmissível não conseguir superar uma emoção a fim de evitar um desentendimento com alguém.
Emoções pesadas sujam mais o organismo que fumar, beber e comer carnes.
Não agredir gratuitamente outro ser humano.
Não compactuar com outras pessoas que agridem gratuitamente.
Não ser conivente com acusações e difamações.
Defender energicamente os meus direitos.
Falar sempre a verdade.
Praticar o desapego de objetos materiais.
Praticar o desapego de pessoas – sem confundir com descuido.
O ciúme e a inveja são manifestações censuráveis do desejo de posse de pessoas, objetos ou realizações pertencentes a outras pessoas.
Consumir alimentos saudáveis e limpos.
Estar limpa interiormente compreende não alimentar minha mente com imagens, ideias, emoções ou pensamentos intoxicantes como: tristeza, inveja, impaciência, irritabilidade, ódio, ciúme, cobiça, derrotismo e outros sentimentos inferiores.
Ser tolerante com pessoas que não compreendem a limpeza de forma tão abrangente.
Extrair contentamento de todas as situações.
Auto-superar-se sempre!
Buscar o autoconhecimento mediante a observação de mim mesma.
Estar sempre interiormente segura e confiante de que a vida segue o seu curso, obedecendo às leis naturais, e que todo o esforço para a auto-superação deve ser conquistado sem ansiedade.

O Glee Warblers traz canções interpretadas pela “The Dalton Academy Warblers”. Os Warblers venderam 1,3 milhão de faixas acrescentando ao Glee o total de 26 milhões de singles e 10 milhões de álbuns vendidos no mundo. Glee é um sucesso porque além de interpretaçõs lindas fala de humanidades. Defeitos e qualidades de todos nós. Que o seu Código de Ética caiba perfeitamente em seus esforços e que tenha o único e exclusivo motivo de te fazer mais feliz. Que 2012 seja um ano diferente em sua vida, porque você será uma pessoa melhor.

Que em 2012 você ouça ainda mais músicas inspiradoras porque elas nos ajudam a ser melhores. Se é um lugar ao sol que todos nós desejamos, sendo plenamente aceitos por quem somos, que o primeiro passo seja uma reflexão sincera do que temos a oferecer.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Seja Diferente. Lioness: Hidden Treasures. Amy e Steve Jobs.

Seja diferente. Esse foi um dos lemas de Steve Jobs.

Mergulhada na biografia do empresário mais emblemático de nossa era, coloco o disco que eu estava ansiosíssima para ouvir “Lioness: Hidden Treasures” (Universal, 2011). Dois seres diferentes. Duas pessoas que deixaram suas marcas na história. Amy Winehouse e Steve Jobs. Qual a ligação entre os dois? Nenhuma. Apenas fazem parte deste meu momento. Um momento em que tento definir o que é ser diferente.

“Lioness: Hidden Treasures” talvez não agrade logo de cara. O disco deixa a sensação de ser apenas uma maneira dos vivos ganharem dinheiro em cima de um talento já enterrado. Mas delete as versões das músicas já lançadas (ou não) e concentre-se nas inéditas. É singular. É lindo. É Amy Winehouse sendo ela mesma: diferente.

De volta à biografia, um trecho me faz parar e ficar olhando para o nada por minutos. Mergulho no mais profundo do meu ser e me pergunto: sou eu assim? Porque tenho resistido provocar? Ou provoco quando prefiro o silêncio às discussões tolas? Recuar é sempre dar um passo para atrás ou é apenas mais uma maneira de esperar o momento certo para conquistar? Somos diferentes quando decidimos não “destruir” o que está à nossa frente nos impedindo de seguir preferindo mudar a rota?

Entregue-se às canções “Between The Cheats”, “Like Smoke”, “Half Time”, “Song For You” e, principalmente à “Will You Still Love me Tomorrow” – disparado a minha preferida.

Eis o texto que me fez parar. Foi de um dos comerciais da Apple. Algumas frases foram escritas pelo próprio Jobs. Uma crença sua mais do que arraigada. Jobs viveu cada dia de sua vida odiando a mediocridade. Causou e foi injusto em nome dessa obsessão. Já Amy vivia entre a genialidade e a loucura – quando as duas não se misturavam - muitas vezes preferindo a loucura porque este mundo nunca conseguiu preenchê-la. Diferente de Steve Jobs, Amy Winehouse internalizou sua necessidade de fazer alguma coisa.

“Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os encrenqueiros. Os pinos redondos em buracos quadrados. Os que enxergam coisas de um jeito diferente. Eles não gostam muito de regras. Eles não respeitam o status quo. Pode-se citá-los, discordar deles, exaltá-los ou difamá-los. A única coisa que não se pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Eles empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os julgam loucos, nós os julgamos gênios. Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo... são as que mudam.”

A menor definição para mim do que é ser diferente é: não ter medo de não encontrar um igual.

A maior parte das pessoas não arrisca por medo da solidão, da não aprovação. Ser diferente é ser Jobs e ser Amy. Ter às vezes o mundo te aplaudindo e às vezes te vaiando. Causa admiração? Causa. Mas poucos decidem estar ao lado, apoiar, defender, validar.

Desde que nossa passagem na terra renda uma biografia de quase 600 páginas ou canções memoráveis, acho que vale a pena. Ser diferente.

Seja diferente.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Hoje – Uma Reflexão. O Que Você Quer Saber de Verdade?


Coloquei o novo disco da Marisa Monte “O Que Você Quer Saber de Verdade” (EMI, 2011) para tocar e assim que ele acabou decidi que devia voltar a escrever. Depois de meses recolhida, revendo e descobrindo sentidos, tais canções me estimularam a colocar no papel o que valeu, o que não valeu a pena em 2011 e verdades que quero levar para 2012.

Muitas pessoas devem estar felizes por terem conquistado em 2011 um novo amor. Outras - e neste grupo estou - estão muito felizes porque descobriram que mais legal do que estar apaixonada por alguém é estar apaixonada por si mesmo. Pode parecer meio piegas, mas quanto do que falamos ou cantamos sobre o amor não é piegas? Acontece que é verdade. Descobri que é preciso muito mais coragem para se apaixonar por si mesmo do que por outra pessoa. Que exige muito, mas muito mais esforço para se dar presentes do que para se sacrificar por outra pessoa. Há ainda entre nós aquele hábito de que sofrer por alguém é algo nobre, algo que deve ser arrastado como um peso e dividido com o maior número possível de pessoas.

Este ano coloquei todos os meus grandes amores em uma caixa bem enfeitada na sala de arquivo de minha memória. E me convém sempre dar uma olhadinha nela para refrescar meus novos conceitos de que os velhos não precisam mais de espaço, mas que bom que eles existiram. Os amores são como as boas canções, sempre voltaremos a ouvi-las, mas elas nunca conseguirão fazer parte de outra época que não a que nos causaram as primeiras emoções. E faz bem ouvir essas canções quantas vezes sentir vontade. Como pensar em alguém do passado pode fazer bem quando lembramos como um momento nosso, merecido – e tomara que, bem vivido.

Fui comigo mesma a todos os shows que quis, vi comigo todos os filmes pelos quais me interessei; jantei, li, ouvi, chorei, sorri, encontrei e me despedi, e eu não saí do meu lado.

Hoje, acredito que o segredo do amor é a capacidade de fazer sozinho o que se deseja fazer com alguém.

Poder ouvir um disco tão romântico sem sentir uma dor, uma expectativa, é uma delícia. Hoje, acredito que se o amor não faz mais sorrir do que chorar, ele não vale a pena. Hoje, não troco inesquecíveis cinco minutos ao lado de alguém por dias, meses ou anos medíocres. E que Deus me ajude a não querer mais de alguém do que essa pessoa é capaz de me dar.

Marisa Monte traz em “O Que Você Quer Saber de Verdade” a leveza do amor, cheia de melodias graciosas e letras verdadeiras. Pode ser que o disco não agrade quem não tiver tirado tantas conclusões sobre o amor este ano ou a vida inteira. Não que tudo faça total sentido para mim. Só vejo hoje o amor como uma bela canção que pode durar no tempo dos homens apenas alguns minutos, mas que dentro, bem dentro do coração duram mais, horas, dias, meses, até se transformarem em algo que transcende uma pessoa.

A letra de “Amar Alguém” é a prova disso: “Amar alguém só pode fazer bem/ Não há como fazer mal a ninguém/ Mesmo quando existe um outro alguém/ Mesmo quando isso não convém/ Amar alguém e outro alguém também/ É coisa que acontece sem razão/ Embora soma, causa e divisão/ Amar alguém só pode fazer bem/ Amar alguém não tem explicação/ Não há como conter o furacão/ Amores vão embora/ Amores vêm/ Não se decide amar e nem a quem/ Amar alguém só pode fazer bem/ Seja só uma pessoa ou um harém/ Se não existe algoz e nem refém/ Amar alguém e outro alguém também/ Amar alguém só pode fazer bem”

Produzindo pela própria Marisa Monte, o disco tem co-produção de Dadi e foi gravado entre dezembro de 2010 e maio 2011. Traz parceria com Arnaldo Antunes, Lucio Maia, Pupillo e Dengue (Nação Zumbi). Com mais de sete milhões de discos vendidos e três Grammy Latino, Marisa Monte está em seu oitavo disco. Fecha o ano com leveza, trazendo a esperança de que amores melhores e maiores virão.

Vale comprar e se entregar. Quem sabe até colocar para tocar enquanto se faz a tradicional lista de promessas de ano novo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Amy Winehouse Morre. Vazio. Além de um Olhar Medíocre.

Confesso que a morte de Amy Winehouse me abalou muito mais do que pensei que fosse abalar. No sábado, assim que li a notícia, fiquei horas pensando, pensando, pensando. É meio louco, mas não saía de minha mente a pergunta: como ela deveria estar se sentindo horas antes? Imagino que poucas pessoas percam tempo com esse tipo de pergunta. É que, depois que li sobre o show dela aqui em São Paulo – uma análise, inclusive, que publiquei aqui – senti uma empatia tão grande por seu trabalho e pessoa.

O primeiro contato que tive com a música de Amy Winehouse foi através de minha amiga Silvana Pereira. Nos melhores tempos de nossa amizade, fazíamos companhia uma para a outra sem precisar interagir – isso pode parecer meio louco – é que simplesmente bastava a companhia, e cada uma seguia fazendo alguma coisa independente. E ela ouviu incansavelmente Rehab. Aquilo, óbvio, me deixou com uma preguiça absurda de Amy Winehouse.

Passada a febre de 2008, em 2009 voltei a ter contato com a britânica. Meu último romance tinha seu DVD e víamos em seu carro, enquanto íamos para qualquer lugar. Com ele passei a gostar mais dela. Gostar o tanto que ela merecia. Mas realmente nada se compara à sua passagem pelo Brasil. Saber que as pessoas desejaram sua queda em público, ou algum tipo de vexame, colocou Amy em outra categoria em minha vida. E de tão romântica ou ingênua, torci muito para que ela conseguisse virar o jogo.

Enquanto escrevo, escuto seu primeiro álbum, “Frank” (Universal, 2004). O disco apresenta uma Amy diferente. E confesso que gosto um pouco mais. Não digo que é uma Amy limpa, porque não considero nada do que houve com ela ou seus hábitos como sujeira. Ela está sem pressões, talvez.

Não tenho capacidade de entender os sentimentos e a mente de Amy porque, óbvio, não posso ler mentes e porque não sou genial como ela foi. Mas quando tento entendê-la consigo pensar que tudo isso aqui que vivemos não consegue suprir essa ânsia por algo maior. E é sempre nesse vazio que a música vive.

Fico pensando que a mediocridade não permite que se alcance os pensamentos dessa moça. Uma pena que seu refúgio tenha despencado sobre sua cabeça e sufocado para sempre sua voz.

Não tenho a genialidade da Amy, mas experimento vez ou outra um tédio que só a arte consegue suprir. E sou feliz, de verdade feliz, porque outras coisas me preenchem. Deus. Yôga. A liberdade que se expressa através do vento, o mesmo vento que é capaz de bater em meu rosto e me fazer sentir viva.

Sei que correrei o risco de parecer muito prepotente, mas eu não seria honesta se eu não contasse que a morte de Amy me fez sentir vazia, de alguma forma vazia. É como se mais uma que me entendesse partisse.

Pensei muito em não redigir este texto. Não ser mais uma que se aproveita do assunto. Mas eu amo tanto a música, a arte, que eu não poderia deixar de dizer: R.I.P. Amy Winehouse.

sábado, 16 de julho de 2011

Beyoncé. 4. Justiça Seja Feita. Retorno ao R&B.

Os tempos são outros. Beyoncé é outra e talvez porque não precise mais de dinheiro ou de um lugar ao sol no mundo pop, ela surpreende em “4” (Sony, 2011). Nunca tive um bom encontro com Beyoncé. Isso não quer dizer que eu não reconheça seu talento. É que sempre me irritei ao extremo com suas músicas superficiais, seu rebolado que mais parece uma possessão demoníaca da cintura pra baixo e seus videoclipes cafonas. Volto a dizer, isso nunca significou que eu não reconhecesse seu talento.

Tenho certeza que muitas pessoas vão estranhar este texto, principalmente as que me conhecem, mas eu não seria justa se eu não falasse sobre “4”. Confesso que não quis chegar perto do disco, mas uma crítica na Folha de S. Paulo me fez mudar de ideia e estou eu aqui, falando sobre Beyoncé. Sobre “4”. Sobre o fato de eu já ter ouvido o disco inteiro várias vezes.

“1+1” é a canção que abre o álbum. Adoro sua melodia calma e, principalmente, como o solo de guitarra inebria. Gosto muito de baladas que deixam a guitarra brilhar. É uma música que seduz.

Forte, emotiva, “I Care” tem em seus primeiros segundos uma bateria bem marcada. Um som que, aliás, agrada muito e sai na contramão do que Beyoncé já fez até aqui. Os vocais não me deixam tão feliz com o seu “La La La La”, mas, ok – é uma música que encanta mesmo assim.

“I Miss You” é linda. Outro som diferente. O primeiro minuto atrai pela suavidade de sua voz. Beyoncé quando canta de verdade – e não grita – é capaz de hipnotizar. Um dom que ela realmente tem: interpretar.

Como nem tudo é perfeito – e ficou um pouco pior depois que a cantora lançou o videoclipe - “Best Thing I Never Had” é a segunda música de “4” que não gostei. E como sempre acontece, as piores do álbum são sempre as primeiras a serem lançadas. Como citou sabiamente minha querida Beatriz Granthan, duvido que Beyoncé consiga ouvir seu próprio disco inteiro de uma só vez. Estridente. Ponto. E não superei ainda aquele vestido de noiva no videoclipe.

“Party” é uma canção ótima, com participação de André 3000, e com “Rather Die Young” são as faixas de “4” nas quais é possível notar com mais clareza o retorno de Beyoncé ao R&B.

A minha segunda preferida, “Love On Top” é uma delícia. Com nítidas referências 80’s, Beyoncé apresenta uma de suas melhores canções até hoje. Seus minutos finais permitem viajar e, também, imaginar a canção em algum filme gostosinho de assistir.

Só que nada supera “Lay Up Under Me”. Nada! Com toda a verdade do meu coração: está canção arrebenta! Linda, gostosa de ouvir, com ótima interpretação. Os metais são a cereja do bolo que foi, sem sombra de dúvida, feito com muito carinho. Não pode ser o contrário. Beyoncé ganha meu respeito nessa canção. Mesmo eu não prometendo nunca mais falar mal dela, estou realmente com outros conceitos. “Lay Up Under Me” é a prova de que, quando se quer, é possível fazer música boa.

Não vou me demorar em ”Run The World”. É, para mim, a pior música do disco. Que saco! Foi a primeira música de trabalho. Consegue me entender? E como se não bastasse, a versão deluxe ainda traz três remixes.

Como gostei muito de “4”, termino meu texto falando de “Schoolin’ Life“. Top 3 do álbum. Sério. A nega mandou muito bem. E a prova maior dessa verdade é – infelizmente – Beyoncé ter vendido tão pouco. É muito triste ver um disco como “4” encalhado. Com menos rebolado, com mais sonoridade e bom gosto, Beyoncé lança um disco que merecia o estouro do anterior. Seu alter ego nunca teve nada a dizer. Em “4” a própria Beyoncé tem.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dia do Rock. Significados. Guns n' Roses e Memórias.

Falou-se tanto sobre o Dia do Rock, mas, afinal, o que significa o rock para você? Para mim, é o início de minha paixão pela música. É a trilha sonora de minhas recordações de infância e o som que representa uma das pessoas mais importantes de minha vida: meu irmão, Emerson. Hoje, como muitas pessoas, tirei o mofo de alguns discos e deliciei-me ao som de clássicos que emocionam. Cada um por um motivo.

No quarto anexo à minha casa, funcionava o “estúdio”. Era ali que meu irmão ensaiava com sua banda. Herros Umanos! Como eu amei essa banda, como vibrei em seus shows e acompanhei cada ensaio como o evento mais importante de minha badalada infância. O que eles tocavam? Fácil, hoje o que podemos conferir em qualquer lista de hits dos anos 1990. Metallica, Faith no More, Guns n’ Roses, Alice in Chains, Iron Maiden, Pearl Jam e outros conhecidos nomes. Todos os dias quando eu chegava da escola, abria uma garrafa de coca-cola – ainda de vidro – e ouvia tais discos no 3 em 1 da Gradiente do meu irmão. Lembro que eu ainda roubava suas camisetas de bandas para ir à escola.

Uma música em especial que me marcou – e os Herros Umanos curiosamente nunca tocaram foi “Runaway Train”, do Soul Asylum. Essa música me emocionava tanto, tanto. Hoje, tive o prazer de resgatá-la. Entre tantas outras músicas importantes em minha história, ouvi quatro discos inteiros: “Is This It” (Sony & BMG, 2002), The Strokes; “Brothers in Arms” (Universal, 1987) do Dire Straits e, claro, “Use Your Illusion I” e “Use Your Illusion II” (Universal, 1991) do Guns n’ Roses, álbuns que elejo como os mais importantes do rock na minha vida.

Enquanto me recordo de momentos mágicos com aqueles vinis, rola na minha playlist: “November Rain”, “Don’t Cry”, “Patience”, “You Could Be Mine” e “Knockin On Heaven's Door”.

O Dia do Rock, instituído depois do inesquecível show “Live Aid”, realizado em 1985 em favor dos famintos da Etiópia, todos os anos é comemorado pelos amantes do gênero. Cada um à sua maneira resgata sucessos que marcaram e que contam um pouco sobre os sentimentos, vivências, pessoas e sonhos perdidos – ou realizados. Gostoso relembrar. E talvez, mais ainda, voltar à mesma idade que se tinha quando o hit aconteceu. “Shed a tear cause I'm missing you. I'm still alright to smile...”. Aos nove anos de idade, eu sonhava em ser bailarina e estilista. Dançava e desenhava praticamente o dia todo... Sonhava em ser uma mulher livre. E a ideia de liberdade curiosamente é a mesma que experimento hoje. Aquela sensação rara de não ter nada que possa me impedir de sentir, de viver qualquer coisa.

O rock pode ser definido de várias formas. Pode ter vários significados de acordo com uma época ou cultura. Para mim, contudo, o rock sempre será a porta que me abriu para o mundo que desfruto com imenso prazer, o da música, o da música que não existe para simplesmente embalar, mas para tocar a alma e escrever história.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Matthew Morrison. Estreia. Item de Colecionador?

Comprar ou não comprar o álbum de estreia de Matthew Morrison? Minha querida amiga Isabella Cesar procurou-me com esta dúvida. Como todos os produtos de Glee que chegam às lojas e logo desaparecem, imagino que esteja acontecendo o mesmo com o disco Matthew Morrison (Mercury, 2011). Item de colecionador apenas?

Enquanto ouço novamente o álbum, fico a pensar no peso que Matthew Morrison carrega nos ombros. Como desvencilhar-se de um papel tão estrondosamente de sucesso? Como mostrar esse diferencial sem cair no “mais do mesmo”?

“Still Got Tonight” é uma boa canção romântica. Nela, Morrison canta como o vemos em Glee, em interpretações como “Dream on”, que para mim é a música mais sexy de Glee. Ele coloca toda a emoção que pensa caber numa boa canção romântica pop.

“Summer Rain” é a minha preferida. Leve, gostosa, despretensiosa e, claro, sexy. Matthew tem uma sensualidade que deve sim ser explorada. Longe dos suéteres do professor, ele é um homem charmosérrimo. E vale citar um ensaio que ele fez para a Vogue America ao lado de Raquel Zimmerman... Lindo!

“Hey” segue a mesma levada de “Summer Rain” – o que podemos chamar de hit de verão, uma boa canção para se deixar levar.

“Don’t Stop Dancing” é fraca, bem fraca. A sensação que tive é que faltou canção para colocar no lugar e prevaleceu o dito “não tem tu, vai tu mesmo”. Talvez eu tenha pouquíssima paciência para canções que chamo de “punhetagem”. Eu sei, pouco fino de minha parte. É que repetições exageradas de frases em qualquer canção cansa meus ouvidos e minha beleza.

“Somewhere Over The Rainbow” é um dueto preguiçoso com a bela Gwyneth Paltrow. Sinceramente, achei que o casal poderia ter prestado uma homenagem mais entusiasmada à clássica canção que consagrou Judy Garland no filme “O Mágico de Oz”, em 1939. A melodia é meio assim – se é que me entende –, mas a letra é belíssima. Uma canção cheia de mensagens sensíveis e só por isso a música vale muito a pena.

“Algum dia eu queria que uma estrela atendesse meu pedido, me levando para além das nuvens, deixando tudo para trás, onde os problemas derretem como balas de limão”.

Com Sting, Morrison canta “Let Your Soul Be Your Pilot”. Também senti falta de uma empolgação. É algo que não entendi neste disco. As canções mais clássicas ficaram devendo uma interpretação a la Will Schuester. E o dueto com Elton John? É a única canção que não vou opinar porque não tenho opinião formada e porque acho que cada um a ouvirá de um jeito.

Para mim? Matthew Morrison é talento demais para um disco tão pouco empolgante. Metade convence com o pop “mais do mesmo”, a outra metade faltou sua energia, aquilo muito louco que sabemos que ele tem porque ele mostra em Glee. O que houve? Não sei. Mas também é só uma opinião, digamos, frustrada de uma também fã de Glee e de Morrison que esperava suspirar em cada canção. Mas continuo amando Matthew Morrison sem sombra de dúvida. E ao som de “Summer Rain”.

Recovery é o Primeiro Álbum a Vender 1 Milhão de Downloads. Eminem. Recuperação.

Não é porque é um dos meus álbuns preferidos não, viu? É que tenho acompanhado a história do Eminem mais de perto e gosto de valorizar quando sentimentos tão insuperáveis conseguem encontrar o caminho da arte. Todo mundo ganha! E o motivo de minha felicidade é que “Recovery” (Universal, 2010), do Eminem, é o primeiro álbum a vender um milhão de downloads nos Estados Unidos, segundo a Nielsen SoundScan. As vendas totais de “Recovery” nos Estados Unidos alcançam a marca de 3,9 milhões.

Outra querida do meu coração está prestes a alcançar a marca. Adele, como álbum “21” (Columbia, 2011), provavelmente chegará ao primeiro milhão na próxima semana. Como tenho gostado de brincar, Maysa reencarnou em Adele para experimentar sua melancolia no soul. Esta menina é impressionantemente talentosa. Outro disco que não sai do meu iPod.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Gorda. Magra. Sou Feliz Como Sou? Esforço e Suor.



Caos em minhas finanças. Para recuperar-me de uma manobra radical, resolvi passar 90 dias em casa – sem fazer nenhum programa que eu tenha que gastar. E pensando numa maneira de não enlouquecer, resolvi usar este blog como a principal válvula de escape. Lancei no meu Facebook a ideia e meus amigos vão sugerir temas para eu escrever sobre.

Fernanda La Salye lançou o tema: plus size. Não perguntei o motivo, nem sobre o que especificamente falar – considerando o tema bem amplo. Resolvi apenas escrever.

Responda honestamente: como é a sua relação com a beleza? Observo que muitas pessoas se relacionam com a beleza da mesma maneira que se relacionam com o dinheiro: reclamam o tempo todo que não a tem, não se esforça nenhum pouco para ter o mínimo e ainda odeiam ou sentem inveja de quem tem.

A minha relação com a beleza? Eu amo o corpo humano. Acho de uma beleza sem igual. Talvez por amar tanto, e desde que me conheço por gente, amo dança e os corpos dos bailarinos, sou uma praticante de SwáSthya Yôga, adoro ver revistas masculinas e muito dos meus “googles” tem a ver com a Jennifer Aniston e Deborah Secco. Deus nos criou para sermos uma escultura viva! E meu post poderia acabar aqui. Para mim, não há pecado em corpo bonito, em nudez e na admiração dos homens por celebs gostosas. Mas e as revistas de moda e o padrão de beleza imposto? Penso que é inegável para qualquer, qualquer pessoa – gorda ou magra – que uma roupa cai melhor em um corpo esbelto. Ponto. Magra demais não dá, gordo demais não dá. Esbelto. Cada um com suas proporções de peso e altura. O que penso de mulheres que se deprimem diante do espelho? Desculpe-me pela sinceridade: levanta um pouco mais cedo ou durma um pouco mais tarde e procure uma atividade física. Simples. Jennifer Lopez, Shakira, Deborah Secco e, principalmente, hoje, Renata Ceribelli são exemplos claros de que o trabalho é duro, duríssimo, mas muito possível. Quais são suas desculpas?

Agora, quero falar de algo muito importante que está intimamente ligado ao assunto “peso”. Como são os seus relacionamentos? Quando me perguntei se eu seria uma gordinha feliz, respondi um “não” muito sonoro. Mas ao responder isso, lembrei-me de algo que aconteceu comigo. Para quem me conhece, ficará mais fácil entender. Sou magra, alta, corpo de boneca, como muitos me dizem. Hoje, um pouco mais encorpada do que já fui um dia. Hoje, ouço constantemente que sou gostosa. Tenho a mesma estrutura física – para quem não me conhece – da própria Deborah Secco. Com um trabalho razoável – porém continuo – consigo o corpo que ela tem hoje. Ok. Você já tem uma idéia de quem sou. Um dia, me apaixonei por um cidadão que depois de um belo dia passou a me atacar com indiretas quanto ao meu corpo. Magra demais, magra demais, sem peito, “que bom que Deus inventou a maquiagem”, “nunca me apaixonei por uma mulher como você”. Ouvi isso constantemente e no começo eu não percebi o quão venenoso isso se tornaria. Tudo bem para mim, sempre adorei meu corpo e meu cérebro sempre foi o melhor afrodisíaco. Como não poderia ser diferente, depois de um tempo eu entrei na paranóia que acomete todas as mulheres, pelo menos uma vez na vida. Tudo em mim passou a estar errado.

Hoje, não me relaciono mais com ele. Ele namora uma plus size. E hoje, completamente distante de qualquer sentimento de paixão que senti um dia posso garantir que não adianta ser parecida com a Deborah Secco para ser amada. E não adianta querer ficar como ela caso você não seja parecida. Uma gordinha foi rejeitada por um cara? Eu, magrinha e desenhada, também fui. O que determina sua aceitação diante do espelho? A opinião de alguém que você ama? Se o Seal virar para a Heidi Klum e começar a humilhar sua aparência ou dizer que não sente o mínimo tesão por aquele corpo, e isso se tornar público, o mundo inteiro deixará de lado o seu conceito de beleza?

Qualquer meta que colocamos na vida tem um preço. Voltando a pergunta do início, se a sua relação com a beleza for igual a que muita gente tem com o dinheiro, que dó, que dó. Porque até que se entenda que servir e ser servido são duas coisas completamente diferentes, ser magro ou gordo também é algo completamente relativo se a sua relação consigo mesmo, com o que entende merecer, não for muito clara.

A Vogue do mundo inteiro pode me dizer o que é bonito, mas se eu realmente não achar bonito, para mim ela só expressou uma opinião. Porque eu tenho claro o que é bonito, e sei muito bem perceber o que me agrada de verdade. É o que eu acho de mim mesma – de verdade – e o quanto estou disposta a melhorar se não estou gostando de alguma coisa.

O moço por quem me apaixonei poderia nunca ter me magoado se eu tivesse tomado a sábia decisão de me desligar dele em tempo. A culpa não foi dele somente, foi minha também. Como a culpa é sua se não possui o que quer por não lutar por isso. O que é plus size? Para mim, uma dessas meninas do Pânico é plus size. Acho feio o corpo de t o d a s. Tem gente que adora. Como meu ex amor achava um horror magras como eu. O inadmissível é apenas não tentar ser o que se quer ser, de coração, o que faz brilhar os olhos, aquilo que nenhuma revista de moda é capaz de contestar.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Meia Noite em Paris. Woody Allen e uma Carta de Amor à Paris.

Será que sempre vamos querer estar em outro lugar que não o que estamos, ser quem não somos ou viver uma época que não a nossa? Feliz em minha própria pele, satisfeita com o que tenho, feliz por ser quem sou, ouço a obra deliciosa de Cole Porter e quero falar de “Meia Noite em Paris”, novo filme de Woody Allen. Fui assisti-lo na sexta-feira, primeiro dia em cartaz. Sou suspeita quando o assunto é Woody Allen. Gosto muito de tudo o que ele faz, mesmo quando não gosto. Como pode ser possível? É que eu o entendo. Allen, como eu, só é charmoso pelo tanto de confusões, neuroses e como ele torna tudo isso tão engraçado. Costumo dizer que o que me faz sexy é minha bipolaridade, minha capacidade de extremos, de ser tão contraditoriamente coerente.

O filme é encantador. Apesar de ter lido críticas ruins, eu amei. Veria mais umas mil vezes. Por Paris – que cansa de tanta beleza – e pelo personagem de Owen Wilson que interage com gigantes literários dos anos 1920. O filme fala resumidamente sobre as questões que coloquei acima. Mas o mais encantador, para mim, é a ansiedade que o personagem de Wilson tem por uma vida significativa, profunda.

Fora o fato que me encontrei em Wilson, amei profundamente a maneira como Woody Allen nos coloca em contato com uma época tão mágica, tão importante para a cultura do mundo. A Paris de Fitzgerald, de Hemingway, de Gertrude Stein e Picasso, de Cole Porter. O filme é uma carta de amor à Cidade da Luz e um presente a todos que adoram viajar no tempo e redescobrir tais personalidades. Depois de “Meia Noite em Paris” não consigo parar de ouvir Cole Porter.

Recomendadíssimo! E Carla Bruni está linda, detalhe.

sábado, 18 de junho de 2011

Adele. 21. Uma Boa Companhia.


Enquanto saíamos da expo Design São Paulo (Oca, São Paulo), Fred Matias me perguntou: “o que está ouvindo?”. Mal me preparei para responder e ele disparou: “tenho escutado bastante a Adele”. E como nada numa amizade é mais importante que a sintonia, morri de felicidade e começamos a falar sobre ela. Ela que me fez ouvir seu álbum “21” (Columbia, 2011) quatro vezes consecutivas nesta semana.

Diferente do primeiro álbum, “19” (Columbia, 2008), que achei puro sofrimento, este te eleva. Não que não tenha aquela carga dramática, característica da própria Adele, acho apenas que esse disco é mais forte, mais expressivo sem nos fazer sentir vontade de chorar. A Revista Rolling Stone este mês traz uma reportagem bastante interessante sobre a cantora e seus mergulhos no mar da melancolia (mais uma).

“Don’t You Remeber” é uma canção belíssima, romântica, forte, daquelas que te abraçam em um momento que nada parece consolar, sem te fazer perder o chão. Uma das faixas preferidas em “21”. “One and Only” é outra canção que inspira, faz viajar e é capaz de envolver a alma do mais insensível. “Set Fire to the Rain” é três vezes belíssima, ideal para o momento que palavras não preenchem. A canção é tão intensa que te esvazia ou preenche de acordo com sua necessidade – Adele oferece neste disco uma espécie de serviço de catarse mesmo.

“Someone Like You” é outra canção que amei. Leve. Achei perfeita para os dias de outono que tenho vivido, lendo um bom livro, saboreando bebidas quentes ou planejando algum pequeno sonho. Um disco especial, “21” é uma boa pedida para este outono. Feliz ou triste, é um disco que faz companhia. Para mim, tem sido uma companhia agradabilíssima para planejar muitos pequenos sonhos.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Etta James. Para Curtir o Eclipse. Atemporal.


Acabei de ver uma caixinha quadradinha com um laço de fita. Um cupcake! Foi presentinho da Paula Mariano – uma pequena que eu adoro, que trabalha comigo e tem dividido desde o início deste ano toda a minha vida. Aliás, a família UeedO. Como me considero uma pessoa de sorte só por trabalhar ao lado deles – talvez eu fale mais sobre o meu trabalho qualquer dia... E agora me acabando com o cupcake, estou me perguntando se eu não deveria parar de escrever por hoje... Foi um dia bom, apesar de toda a agitação que percebi ter tomado conta de todo mundo. E por não saber exatamente o que aconteceu, jogo a culpa no eclipse.

Ao assunto que interessa? Quem canta para mim, neste momento, é Etta James. Sim! Esta mulher maravilhosa combina perfeitamente com noite fria, cobertor, bolinhos deliciosos e sensação de um dia cheio, porém proveitoso.

Etta James – aquariana, gosto sempre de falar isso – é californiana, arrebenta no Blues, R&B, Jazz e Gospel. Completa, inebriante, ela é a indicação perfeita para um momento de total relaxamento. Para a arte de não pensar em nada, só sentir.

Se você acha que não conhece nenhuma de suas músicas, pode estar enganado. Muitos artistas cantam seus sucessos como Celine Dion, Christina Aguilera e Beyoncé, especialmente “At Last”. Tenho que admitir que Beyoncé fez um incrível apresentação desta canção para a Aol – vídeo que pode ser visto no Youtube.

Aconselho que ouça Etta James o tanto que puder. Sua discografia é – graças a Deus – vasta, mas vale cada segundo, cada música, cada disco. Para não pensar em nada ou pensar em coisas muito boas.

“Don't cry, don't cry. Dry your eyes, and let's be sweethearts again…”

domingo, 12 de junho de 2011

Motown. Passado e futuro. Clássicos para Relembrar.

Dia lindo! Um sol irradia este domingo gelado, tornando mais suportável o outono em São Paulo. Relembrando o outono-inverno de 2008, que para mim, até então, tinha sido o mais cruel em temperatura, resolvi tirar de minha amada estante de CDs a coletânea “Motown – Yesterday, Today, Forever” (Universal, 2008). Em comemoração aos 50 anos da gravadora mais emblemática de todos os tempos, três discos reúnem as vozes dos sonhos – meus, que não vivi esta época – e da realidade de muitas pessoas que a viveram. Jackson 5, Marvin Gaye, Michael Jackson, Diana Ross, The Temptations, Four Tops, The Supreme, Commodores e Steve Wonder são alguns dos nomes.

Enquanto espero queridos amigos para um café da tarde – Simone Sarmento e Rafael Galdêncio – inspiro o aroma do passado. De um tempo que, imagino eu, era dotado de uma magia musical limpa de produções em série e astros óbvios. Quando comprei esta coletânea, lembro que chorei ao ouvi-la pela primeira vez. Naquela noite passei um e-mail apaixonado para o mestre Mad Zoo, produtor musical que eu tanto amo, falando sobre o poder da “dona música”, como ele gosta de falar. Aquela noite foi um dos momentos que lembro ter sido salva pela música. Estava frio como hoje. Meu coração, contudo, foi aquecido com um fogo impossível de ver, mas transformador em seus efeitos.

“Motown – Yesterday, Today, Forever” é um presente. Para relembrar o ontem, viver um hoje mágico e sonhar com um futuro como uma clássica canção: um futuro que nunca passará.

Thaís Gulin. Paz. Paixões e Sentimentos.


Ela tem chamado bastante atenção. Se não pelo novo disco “ôÔÔôôÔôÔ” (Slap, 2010), é pelo namoro com Chico Buarque. Decidi conhecer Thais Gulin e entender a nova aposta da música popular brasileira. Começo pela música “Paixão Passione”. Linda! Linda! Linda! Talvez poucos lembrem, mas a canção foi tema da novela “Passione” (Rede Globo, 2010). A letra de Ivan Lins é uma descrição simples do que é a paixão e a melodia meio tango é deliciosa. Abro um vinho argentino para continuar escrevendo sobre paixões e sobre Thais Gulin. Empolguei-me.

“Paixão/ Estopim aceso/ Ai meu Deus/ Que medo/ Dele se apagar /.../ Paixão/ Faca de dois gumes/ Preso por ciúmes/ Livre pra voar/ Paixão/ Vale até mentira/ Mas ninguém me tira/ Meu enfeitiçar”.

Ando bastante disposta, reconheço. Acho que meu momento é de puro deleite com qualquer coisa. Sabe quando tudo está bom? “Cinema Brasileiro” tem uma letra ótima. Escrita por Rodrigo Bittencourt, revela os traços da cultura americana e sua gigantesca produção de mitos, do que é bom ou do que deve ser considerado bom.

“Quantas Bocas”, em parceria com Ana Carolina e Kassin, é uma bela canção, porém melancólica. Aquela música que reflete nossos sentimentos quando uma relação acaba. Quando não sabemos se amamos ou odiamos e nos sentimos ora superiores, ora completamente devastados.

“E na hora que você me procurar de novo/ Talvez eu possa te querer pra sempre ou te esquecer de vez/ Meu ódio dura pouco/ Meu amor também/ Vai saber/ Se eu te encontrar posso te beijar/ Ou nem te reconhecer”.

“ôÔÔôôÔôÔ” é um disco gostoso. Não descrevo como indispensável em qualquer iPod, até porque, talvez, o momento de ouvi-lo e curti-lo requeira uma vontade de sentimentos de paz, de relaxamento, de bebedeira emocional. Um momento. Se eu pudesse me teletransportar neste momento, ouvindo “ôÔÔôôÔôÔ”, eu iria para a Praia da Lagoinha, no Ceará, e sentindo o calor de um fim de tarde, deitada numa rede, olhando pro mar, viajaria em sensações mil. Secretas. Aquelas capazes de se revelar apenas depois de um bom vinho ou depois de um momento de paixão.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Dia dos Namorados. John Legend. Envolver. Envolva-se.

Não tiro esse homem de meus pensamentos desde a semana em que ele cantou no Urban Music
Festival. Já o conhecia, óbvio, mas naquela semana entrei profundamente em contato com sua música. Queria assistir ao show completamente imersa em sua arte. John Legend tem uma das vozes mais belas que já ouvi e canções que me fazem sentir vontade de me apaixonar violentamente. Intensa demais? Ele é intenso.

Neste clima de Dia dos Namorados, envolvida por um frio glacial em São Paulo, “This Time” é a primeira música que destaco do álbum “Evolver” (Good/Sony Music, 2008). Perfeita para curtir sem namorado, “This Time” é uma balada romantiquérrima, cheia de arrependimentos e promessas de um amor diferente – um pedido de segunda chance visceral. John canta com tanta intensidade é que impossível não se deixar levar. E apesar de “This Time” não ser uma canção que me lembre alguém – e olha que achei que esse Dia dos Namorados fosse ser terrível – “This Time” é uma canção que me faz adorar imaginar um novo amor e as diversas formas que pretendo amar este novo amor. Sexy para mim. Tenho sido capaz de me entregar a esta canção em situações inimagináveis.



Outra faixa que destaco é “Good Morning”. Uma declaração de amor, esta canção é belíssima pela simplicidade. Pela cena que é possível imaginar ao ouvi-lo cantar seus versos.

“Bom dia/ Bom dia, amor/ Essa é a minha música de amor favorita/ Eu esperei a noite toda/ Antes que você entre no banho/ Antes que você se preocupe com o seu cabelo/ Amor, me dê mais uma hora/ Eu quero que você fique bem aí/ Eu não quero perder esse momento/ Eu não quero perder um beijo/ Se eu pudesse planejar um dia perfeito, amor, eu o começaria bem assim/ Bom dia/ Bom dia, amor.”

É demais assumir que tenho ouvido esta música todos os dias, pela manhã? Talvez eu enjoe, talvez não. É que meu sorriso declarado toda vez que escuto está canção é a prova do quanto minha alma está limpa. Do quanto me sinto bem comigo, hoje. Do quanto não há sobras de nenhum mal. Ao melhor Dia dos Namorados da minha vida. Sem demagogia ou hipocrisia. É que muito melhor do que ter alguém ao lado, é descobrir-se viva e feliz mesmo sem alguém ao lado. Porque não é mesmo qualquer um que importa.

domingo, 15 de maio de 2011

Exposição Pierre Cardin. Atemporalidade. Dica.

“As roupas que eu prefiro são aquelas que eu invento para um vida que não existe ainda, para o mundo de amanhã” – Pierre Cardin

Mergulhei no universo de Pierre Cardin visitando a exposição “Pierre Cardin Criando Moda Revolucionando Costumes”. Instalada no 9º andar do Shopping Iguatemi, em São Paulo, com curadoria de Denise Mattar, os ambientes apresentam 70 looks, de 1952 a 2010, além de fotos, croquis e acessórios. Patrocinado pelo HSBC Bank Brasil o projeto é uma homenagem aos 60 anos de criações de Pierre Cardin.

Tudo encanta, inebria e transporta do passado para o futuro, do futuro para o presente, te deixando com uma sensação de atemporalidade. Artista que sempre esteve à frente de seu tempo, Cardin opta por peças quase sem detalhes. O simples. A maior parte de suas criações são monocromáticas, e a exposição valoriza muito bem esse detalhe separando os modelos por cores e não por épocas. Para entender a importância de Pierre Cardin na história da moda, ele foi o primeiro estilista a apresentar uma coleção de prêt-à-porter, tanto para as mulheres quanto para os homens. Para os homens, aliás, Cardin deu novo rumo ao vestuário masculino, tornando o homem mais exuberante, mais sexy, equiparando-o à mulher que desde sempre entendeu que roupas eram muito mais que tecidos que escondiam seu corpo.

Fiquei quase três horas na exposição me deliciando com cada peça. A música ambiente, que não poderia ser melhor, era composta praticamente pelo repertório de Edith Piaf.

Nos anos 1960/70, Cardin criou os ternos dos Beatles, os uniformes da NASA e suas famosas roupas futuristas. Ele que foi um dos mais inovadores também no uso de materiais como borracha, vinil e metal, chegou a, inclusive, desenvolver um tecido: o cardine. Mesmo entendendo pouco de moda, a visita é válida porque é muito fácil perceber sua importância, pelo modo como a equipe organizou a exposição. Vale muito a pena assistir ao documentário “Pierre Cardin: O Último Imperador da Moda”. São apenas 55 minutos que fecham a exposição não deixando dúvida sobre sua genialidade. Pierre Cardin nunca ressuscitou uma época, ele vestiu uma.

Saiba mais: http://www.pierrecardinnobrasil.com.br/

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Renova-me. Refaça-me. Desfaça-me. Avalon. Renew Me.


Acredito que a música seja uma válvula de escape muitíssimo importante para emoções ainda indefinidas. Como um espaço vazio que deve ser preenchido enquanto a razão não consegue explicar o sutil, o que não tem a ver com o corpo físico e nem com o corpo emocional. A música é um abraço, um cachorrinho que não fala, não aconselha, mas está ali, ao lado, preenchendo um espaço que nem outro ser humano é capaz de preencher porque julga.

Enquanto mergulho nesse mar de sentimentos sem explicação, sentimentos futuros até – sobre algo que não sei – ouço Avalon, uma de minhas paixões, como já publiquei aqui. Se a música do momento reflete o estado de uma sociedade, o estilo que marca meu “cosmos” nessa fase de minha vida tem total coerência com meus questionamentos, sentimentos e desejos: mais Deus em tudo.

Quero destacar “Renew Me”, do álbum “The Creed”(Sparrow, 2004). Com uma letra fortíssima, é uma daquelas canções que sugam nossa alma, nos deixa ocos por alguns segundos e como uma injeção de ar violenta pulmão a dentro, somos renovados com algo infinitamente melhor. Talvez porque “Renew Me” seja aquela canção que fala sobre todos nós no escuro de um quarto. Momentos que nem todos gostam de viver ou falar sobre.

“Por que eu sou uma janela tão empoeirada cuja luz não brilha completamente?/ Por que sou só uma estrela minúscula em um céu tão azul?/ Por que eu ofereço tudo com meu coração fechado como um punho?/ Eu quero amá-lo melhor do que isto ... Eu sei que é hora de orar por mudança/ Dar tudo que eu tenho para dar/ Eu quero amá-lo melhor do que isto/ Então, renova-me/ Refaça-me/ Desfaça-me/ Concerte-me/ Vem nos espaços vazios de meus lugares quebrados/ Consuma-me/ Complete-me/ Possua-me/ Redima-me ...”

Depois que o homem assume sua condição de criatura e sua necessidade de algo superior o guiando, a sensação que fica pode ser ainda a de estar mergulhando em um mar denso. A única diferença é que agora ele pode respirar e aproveitar a experiência para explorar os mistérios ali guardados.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Price Tag de Jessie J. Resgate de Valores e a Oração de Joelhos.

São Paulo acorda cinza e fria. “Price Tag”, de Jessie J, é uma boa opção para começar a semana. Leve e alegre, sua batida combina com o ritmo lento de uma segunda-feira, nem acelerando nem deixando que a preguiça tome conta. Gosto muito da letra que resgata sutilezas importantes como: “apenas pare por um minuto e sorria”. Enquanto eu descia as escadas da estação de trem, perguntei-me quais motivos me fazem ser uma pessoa feliz. Listando um a um, esbocei um leve sorriso no rosto e permaneci cantando com a britânica: “nós apenas queremos fazer o mundo dançar”. Definir o rumo de um dia só depende de uma coisa: a vontade.

Nesta segunda-feira, quando acordei resolvi fazer algo que há tempos não fazia: ajoelhei-me à beira da cama e orei como nos velhos tempos. Não que eu tenha deixado de orar, apenas adotei outras formas de falar com Deus. É claro que o estado físico de nosso corpo pouco importa quando uma conexão real com Deus é feita. O ato é muito mais mental e emocional. É como Victor Hugo disse em uma belíssima frase: “alguns momentos são prece e não importa a posição do corpo, a alma está de joelhos”. Hoje apenas resolvi colocar meu corpo em uma atitude de maior reverência. O estado de joelhos.

Quando cheguei no trabalho coloquei o videoclipe de “Price Tag”. Os tons rosa bebê e azul bebê – cores completamente emocionais – envolvem e os elementos de nossa infância: caixa de música com uma bailarina, marionetes, ursos de pelúcia, casa de boneca e triciclo, fecham a proposta de letra: o que vale mais que lembranças de momentos bons? O resgate do essencial, do lúdico, daquilo que preenche muito mais que dinheiro e status. Feliz pelo novo velho momento que estamos vivendo. Um brinde à volta do simples!

domingo, 1 de maio de 2011

Não Posso Viver Sem Deus. Avalon. Can't Live a Day.

A sensação que tive ao ouvir “Can’t Live a Day” novamente depois de tantos anos foi libertadora. Como se o ar tivesse sido devolvido aos meus pulmões depois de um tempo vazio, seco. Esta canção do quareto Avalon mexe demais comigo. Mais uma vez, lancei toda ansiedade e dúvida sobre Ele. Deus. Mais um vez Deus. E mais uma vez a música me conecta ao maior abrigo do mundo.

Esta letra tocou minha alma pela primeira vez aos 17 anos. Hoje, bons anos depois, é tão poderosa quanto foi:

“Eu poderia levar a vida sozinha e nunca preencher os vazios do meu coração. Eu poderia viver sem sonhos e nunca saber a emoção que seria. Eu poderia viver sem muitas coisas mas eu não poderia enfrentar minha vida amanhã sem Tua esperança em meu coração. Não posso viver um dia sem Ti.
Senhor, não há noite e não há manhã sem Teus braços amorosos a me abraçar. Tu és a razão de tudo o que eu faço.”

Pergunto-me tantas coisas. Posso acreditar que nada no mundo pode vencer uma pessoa que se ajoelha? Aperto o repeat em “Can’t Live a Day”.

domingo, 17 de abril de 2011

RPM. Rádio Pirata ao Vivo. Virada Cultural 2011. 1986.

Que bom que venci todos os obstáculos – principalmente os psicológicos – e aceitei o convite de minhas amigas Daniela Luz e Silvana Alves para ir, hoje, à Virada Cultural. Como pode ser visto logo abaixo, ontem falei sobre minha indisposição com o evento - e infelizmente o que postei ainda é verdade... Mas nada, nada, nada superou a energia do show do RPM.

De frente para a Estação da Luz, a banda entrou com 20 minutos de atraso, mas entrou quente, fazendo todos os que estava presentes pularem. Senti-me em meados dos anos 1980, quando “Rádio Pirata ao Vivo” era a febre maior do Brasil. Um disco que entrou para a história do rock nacional sendo até hoje o mais vendido: 2,2 milhões de cópias.

Com a formação original, formada por Paulo Ricardo, Paulo Pagni (P.A), Fernando Deluqui e Luiz Schiavon, a banda levou ao delírio todos nós ao tocar as clássicas: “Revoluções por Minuto”, “A Cruz e a Espada”, “Alvorada Voraz”, “Rádio Pirata” e, com algum charme ao ameaçar o fim do show, “Olhar 43”. Suei, suei, gritei como poucas vezes. Meus pulos chegaram ao céu de minha capacidade de viver os anos que não pude viver plenamente e que estão apenas em minha memória de infância.

Memorável sim, a banda mereceu o carinho que ganhou do público pela importância na história da música nacional. Por ter feito tanta gente feliz. E uma mulher com seus 40 e todos à minha frente não errou nenhuma letra. E o mais lindo, uma garota de aparentemente 8 anos, grudada na grade, também não errou uma frase. Evandro Mesquita, um show antes, com a Blitz, disse a frase-verdade do dia: “música boa não tem data de validade”. Emoções coletivas.

sábado, 16 de abril de 2011

Hôtel Costes. Volume 1. Virada Cultural em São Paulo. Contramão.


A Virada Cultural 2011 acaba de começar e um bolo de pamonha está no forno. Não, não gosto deste evento e meu programa hoje será um filme na cama, leitura de minha edição do mês da Revista Rolling Stone e a autobiografia da Hillary Clinton que estou amando, mas nunca termino por falta de tempo.

Por que não gosto da Virada Cultural gostando tanto de música? 1, pelo número de pessoas na rua; 2, pela bagunça na cidade e, 3, principalmente – pelo menos nas edições que fui, no começo – porque muitas pessoas vão mais pela oportunidade de fazer bagunça, brigar e beber descontroladamente do que propriamente saborear o menu cultural. E em semana que curti U2 e Roxette, prefiro passar algumas horas ouvindo um som mais tranquilo. E este som é Hôtel Costes.

Enquanto o bolo assa, ouço Hôtel Costes, Volume 1 (Foto). A coletânea do descoladíssimo hotel parisiense, mixado pelo DJ Stéphane Pompougnac (Foto), já possui 14 volumes e reúne músicas belíssimas em estilo lounge. O projeto começou em 1999 e além de um som elegante as capas arrasam. Pompougnac passou pelo Rio de Janeiro no ano passado e agitou a pista do Londra, bar do Hotel Fasano. A hit brasileiro que entrou no setlist do DJ foi “Boa Sorte”, de Vanessa da Mata com Ben Harper. O francês diz amar nossa sonoridade. Pode-se comprovar porque a faixa 12 do Hôtel Costes, Volume 1 é um fino remix de “Chorando Sim”, do carioca Almeidinha, que foi trilha sonora do filme francês “O homem do Rio”, de Philipe de Broca, em 1963. Classe!

Enquanto São Paulo se agita, o sossego me faz companhia. Sugestão para quem também preferir relaxar.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cut Copy. Zonoscope. Cheiro de Passado.


"Zonoscope” (Modular Records, 2011), do Cut Copy, tem cheiro de passado gostoso. Aquele som que nos remete a lembranças boas, sonhos que tínhamos em tempos que nem imaginávamos o que era realmente viver. Se essa é a sensação que todos têm ao ouvir o disco não sei, só sei que gostei. "Zonoscope" é leve, possui muitas sonoridades e algumas faixas são bem melódicas – o que me faz amar ainda mais o álbum. Destaco “Need You Now” e “Take Me Over”. Eu e muitos DJs porque sei que ao redor do mundo essas músicas já são hits nas pistas.

Se um dia bater a vontade de passar algumas horas revendo fotografias antigas, limpando algum armário que nem lembra o que tem dentro ou simplesmente relembrando momentos marcantes de um tempo remoto - no trânsito, na academia ou em casa mesmo - "Zonoscope" será uma boa companhia.

sábado, 26 de março de 2011

VIPs. Wagner Moura. Mente em Busca de Si Mesmo.

Não sei se VIPs será um sucesso de bilheteria. Quem normalmente determina o sucesso de um filme – penso eu – são os primeiros que vão assistir e repassam para os amigos, amigos de amigos, Blogs e assim vai. É que VIPs tem algumas sutilezas difíceis de serem captadas e um viés que nem todo mundo gosta, a mente do personagem e não o personagem em si.

Wagner Moura arrebenta. Óbvio. Sua imagem prende a atenção e quando se nota o filme já acabou. O ritmo é um pouco lento. Os golpes vividos na vida real por Marcelo Nascimento da Rocha não são todos mostrados. Nem metade deles. Mas isso eu já sabia. Porque tive que fazer uma matéria sobre o filme semana passada para onde eu trabalho, fui para o cinema consciente do que eu ia encontrar, e talvez por isso eu tenha gostado. Então, aos que não leram muito sobre o filme antes de ir, vai a dica:

Os roteiristas Thiago Dottori e Bráulio Mantovani destacaram no personagem sua constante busca por si mesmo, por seu sonho, o que o faz se passar por outras pessoas. Ou seja, o foco está muito mais nos possíveis motivos de Marcelo ter se tornado um mentiroso – e seus dramas e medos – do que em suas histórias inventadas. Quem tiver curiosidade para saber sobre os golpes é melhor recorrer ao livro VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso, de Mariana Caltabiano.

Marcelo Nascimento da Rocha foi preso em 2011 depois de ter se passado por Henrique Constantino, filho do dono da Gol Linhas Aéreas. No Recifolia, Marcelo viveu dias glamurosos na pele do empresário, desfrutando os prazeres de uma vida VIP. Camarotes, belas modelos, amizade com artistas. Sem desembolsar um único centavo, Marcelo teve à disposição jatinho e helicóptero – uma farra que custou cerca de R$ 100 mil. Ao todo, foram 16 identidades adotadas, entre elas guitarrista da banda Engenheiros do Havaii, produtor musical, campeão de jiu-jitsu, policial e até líder de facção criminosa PCC.

Vale a pena assistir, de verdade. E melhor será se tentar entender os mistérios de uma mente em constante busca por um encaixe, por uma aceitação, dos outros e de si mesmo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sara Bareilles. Kaleidoscope Heart. Em Boa Companhia.


Gosto muito dessa garota. Muito! O primeiro contato que tive com o som de Sara Bareilles foi via Youtube. Gravity é uma de suas músicas mais bonitas. Ouvi muito vezes mil. Lembro que fiquei muito feliz quando vi seu disco Little Voice (Epic, 2007) na Livraria Cultura. Até então, era um item importado e bastante caro. Claro, ali, tão disponível, comprei na hora e foi uma das trilhas sonoras em 2008. Lembro de sentir saudade ao som de Sara, da disciplina de estudar horas em vários cafés enquanto o trânsito sufocava a cidade. Muita lembrança...

Sara Bareilles lançou Kaleidoscope Heart (Epic, 2010) em setembro do ano passado mas só o ouvi todinho agora. O disco só confirma meu carinho. É o tipo de álbum perfeito para ouvir sozinha, em boa companhia de si mesmo, no carro, trabalhando, lendo, ou qualquer outra atividade feliz, animada.

Quando saiu, Kaleidoscope Heart foi para o primeiro lugar nas paradas norte-americanas. Detalhe: a californiana desbancou Eminem nas paradas da Billboard na semana de estreia. Façanha significativa, pois Recovery estava ainda bombando. A moça vendeu 90 mil cópias. Por aqui ela não é muito conhecida – ainda. Mas é muito querida por quem a conhece.

Love Song, do álbum Little Voice, foi a música que a lançou. Por esta canção, Bareilles recebeu duas indicações ao Grammy Awards 2009. Além de suas próprias composições, a moça gosta de fazer versões de canções conhecidas. Fez bonito com Yellow, do Coldplay e Single Ladies de Beyoncé.

Kaleidoscope Heart foi o disco do meu dia feliz. Gonna Get Over You é uma delícia. Sugestão para quem quiser boa companhia para planejar uma viagem, por exemplo. Não sei. As possibilidades são inúmeras. Mas desfrute, só isso.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Seal em São Paulo. Sexy. Sonho de Ser Heidi Klum.

Sei que tem muitas pessoas que não concordam com o que vou falar, mas eu verdadeiramente acho o Seal um homem muito sexy. Quando o show dele começou, entrei em transe. Primeiro: ele abriu cantando “If I’m Any Closer”, o que me deixou muito feliz, porque assim que “Commitment” saiu e escrevi uma pequena resenha sobre o disco no meu Blog, previ:

“Commitment abre com “If I’m Any Closer”, para mim a mais sexy do disco. Se rolar uma turnê, é a música que deve abrir o show e que fará a platéia delirar.”

Não é por nada, é que sentir uma canção a ponto de entendê-la e entender quem a cantou ou compôs dá uma sensação de entender a vida, as sutilezas que faz tudo mágico ou significativo.

Seal andou para lá e para cá, gesticulou, tocou nas pessoas que tentaram tocá-lo. Nunca tinha visto uma apresentação do britânico. Logo, não imaginava o quão performático ele é. O transe não passou. Meus gritos em grave – é que tenho uma voz relativamente grave que não me permite gritar como uma mulher comum – saiam como uma declaração de amor. A ele, à paixão que ele canta, ao biotipo que ele tem. Sim! O Seal é a personificação do que sonho para mim. Cada frase que ele cantou me fez acreditar ainda mais que o sonho do amor não é só um sonho, por mais difícil que seja hoje em dia. Saí romântica demais de seu show.

“Commitment”, álbum lançado em setembro do ano passado, belíssimo, belíssimo, belíssimo, é dedicado à modelo Heidi Klum, esposa do cantor. “Secrets”, primeiro single lançado, tem um dos videoclipes mais bonitos que eu já vi. O show não se concentrou neste disco. A maior parte das canções apresentadas foram sucessos como Killer, Crazy – que elevou a casa lotada à décima potência - Kiss from a Rose, Loves Divine – que me fez chorar -, The Right Life e Amazing.

Em muitos momentos, ali, pensei em meus sonhos de amor. Deixei de lado toda a modernidade que me cerca e que me faz pensar que qualquer coisa é mais atraente que uma relação a dois. Aquariana típica. Mas ali me senti tocada por um sonho fantasioso, talvez. O de um amor como eu sempre desenhei. Lembrei de um momento que vivi com uma pessoa, a mais próxima que chegou de meus sonhos, e eu disse para ele “não é possível ter encontrado alguém que se encaixe tanto em tantos requisitos”. O amor é possível. Do jeito que sonhamos. Aconteceu com Seal e Heidi Klum. Eles que compõem a fotografia de meus sonhos.

O show acabou e eu quis ficar ali. Queria gritar o meu grito grave sozinha. Ele voltou para o bis e quase me matou. Cantou “Secrets”. Ele encerrou com “Silence”. O silêncio não pode ser mais barulhento, como ele canta. E o futuro a Deus pertence. Para mim, para todos que desejam amar como Seal e Heidi Klum.

quinta-feira, 17 de março de 2011

John Lennon. Cada Um À Sua Maneira. Amor. Amor.

Algumas palavras salvam o dia. É incrível o poder de alguns textos, de algumas ideias sobre o que somos e o que sonhamos. Despretensiosamente, li este texto do John Lennon. São palavras que eu gostaria de ter escrito. E palavras que sei que se eu tivesse escrito não alcançariam tantos que se sentem como eu, como ele... Que bom que foi ele! Que caia na caixa de todas as pessoas que desejam ser felizes... à sua maneira.

Por John Lennon

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram para nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.

Ouvindo: Seal – Get It Together

domingo, 13 de março de 2011

Lea Michele. Oportunidades. Intensidade.

Ops! Quebrou o saca rolha. Consigo abrir o vinho com um pouco de esforço. Sozinha em casa, gosto de saborear um bom vinho ouvindo música ou lendo um bom livro. Enquanto ajeito uns petiscos, ouço “Defying Gravity”, versão cantada por Lea Michele e Chris Colfer, de Glee.

Há alguns dias venho pensando em Lea Michele. Venho ouvindo suas interpretações com ouvidos mais atentos. Não que eu não tenha percebido seu imenso talento. É que meus últimos dias tem me feito pensar no assunto que imagino Lea pensando constantemente: como aproveitar as chances que a vida oferece?

Se eu fico imaginando o que os artistas pensam? Sim, muitas vezes. É que eu amo pessoas empenhadas em seus sonhos. Se noto brilho nos olhos – no caso de Lea, brilho na voz – nasce em mim um grande interesse. Talvez, isso seja uma busca por identidade, pelos incontáveis sonhos que tenho – nenhum deles é virar artista, que fique claro.

Lea Michele preenche todos os espaços. Sabe o que é não deixar uma única frase cantada sem intensidade? Ela quando canta, se entrega de tal forma que é impossível não sentir raiva dela. Raiva? É. Se você está de bom humor é aquela raivinha que leva um sorriso, algo assim: “como ela consegue?”. Se você está meio de mal com a vida e consigo, a raiva é aquela que diz “ela é meio nojentinha”.

Ainda criança, Lea estreou na Broadway, no musical Les Misérables. Depois de outros musicais, conquistou o papel principal de Wendla Bergman, em Spring Awakening, montagem indicada em onze categorias ao prêmio Tony, conhecido como o "Oscar da Broadway”. Em Glee, ela é Rachel Berry, alguém que não consegue passar um episódio sem deixar uma impressão. Não só pelo que canta, também por seu comportamento e pensamentos e, principalmente, pelo o que seu sonho significa e como ela nunca perde o foco.

Quando ela canta a clássica “Don’t Stop Believin’”, original do Journey – que inclusive passa por São Paulo neste mês – é como se uma energia fervente subisse do dedão do pé até o topo da cabeça. Algo muito bom de sentir quando se quer impulso.

Meu copo está quase vazio e ainda estou à procura da descirção perfeita sobre Lea Michele. Ela me faz pensar que a busca de um sonho é isso: aproveitar todos os espaços. Mesmo aquele detalhe que pensamos que nunca será notado. Os detalhes, o vazio, atenção a tudo o que pode passar despercebido.

Tenho pensado em Lea Michele por isso. Até aqui, será que aproveitei cada chance que a vida me deu? Amei com verdade? Toquei a alma de alguém? É o efeito do vinho ou tenho mais vontade de me jogar na vida?

quarta-feira, 9 de março de 2011

Carla Bruni. Contradições. Muitas Contradições.


Quero abusar do meu direito de ser contraditória. Sentir medo e agir como se eu fosse a mais destemida. Amar tanto uma pessoa e não precisar dela para nada. Ir, quando quero ficar quieta. Ou ficar só porque o desejo de ir me parece tudo. Talvez eu seja assim para sempre. Ou talvez eu fique oscilando entre ser isso ou aquilo. E quero lugares novos, músicas novas. Quero sentir o cheiro do velho e tocar tudo e todos que amo desde sempre.

Depois de anos, tive uma noite insone. Pensamentos, pensamentos, pensamentos. Ma vie, ma vie, como canta Carla Bruni na belíssima La Possibilité D'une Île. Ela tem sido companhia quando preciso de uma música mais intro. Os discos dela me tocam profundamente e me acalmam, principalmente o último, Comme Si De Rien N'était (ST2, 2008), que tem a música citada acima e a minha Déranger Les Pierres:

“Eu quero as mãos frescas do vento/ Eu quero ainda o mal de amar/ O mal de tudo o que é maravilhoso”.

Escrita pela própria Carla Bruni, esta canção é retrato de sua autêntica inquietude. E como me sinto como ela quando quero quebrar todos os padrões. A moça foi por muito tempo o retrato da rebeldia, da liberdade, do sugar a vida loucamente.

“Quero a origem da desordem/ Eu quero acariciar o desconhecido”.

Carla Bruni, entre 1987 e 1998, foi uma das modelos mais bem pagas e fotografadas. Contemporânea de Claudia Schiffer, Naomi Campbell, Christy Turlington e Kate Moss, largou as passarelas para se dedicar à música. Seus três bem sucedidos discos - Quelqu'un M'a Dit (ST2, 2008), No Promises (ST2, 2007) e o já citado - não só venderam bem como foram muito bem aceitos pela crítica. Eles guardam composições que falam dela, de seus amores, polêmicos amores. E gosto muito quando ela fala de seus amores. É intenso, é forte, ela não tem medo de parecer louca.

Ma Jeunesse é Carla Bruni crítica consigo mesma. Ela sente a idade que chega e se pergunta: “Mas minha juventude me olha/ Séria ela me disse: O que você fez de nossas horas?/ O que você fez de nossas horas preciosas? Agora, o vento de inverno sopra". Carla envelhece bem. Como eu espero envelhecer. Ela exala sedução. Suas fotografias tem cheiro de prazer. E hoje, agora e talvez sempre eu busque isso. A contradição de ver os dias passando e eu me sentindo cada vez mais viva.

domingo, 6 de março de 2011

Corrida. Eminem. Dar a Volta por Cima.

No cronometro, 00:00. Aperto o play no iPod. Recovery. Eminem. Para mim, o melhor momento para avaliar um disco é durante uma corrida. E para um agradável treino não há nada melhor que um bom disco. Escolhi Recovery por ser um álbum que retrata uma das coisas que mais gosto: dar a volta por cima. Não pelo prazer egoísta, mas por acreditar piamente na superação, na determinação para alcançar algo. O que tem tudo a ver com uma corrida, pois quando o corpo se recusa a corresponder uma meta, se o desejo de chegar não entra forte o fôlego não sustenta. Eminem deu a volta por cima e as músicas deste álbum inspiram isso.

Torci por ele no Grammy Awards 2011. Indicado em dez categorias, Recovery (Interscope, 2010) é o disco que retrata um novo Eminem. Depois de uma batalha quase vencida contra a dependência de remédios, que o levou à lona em 2007 quando quase morreu de overdose, o cantor trilhou um árduo caminho pra voltar. Não é sem propósito que uma das melhores músicas de Recovery, “Not Afraid”, tenha se tornado quase um hino. Se não se sabe que é de Eminem, é possível sim confundir. “Not Afraid” é a prova de uma mudança de direção. Um caminho que talvez ele nunca tenha trilhado. Quem sabe? A noite não distingue ninguém. Quando encostamos a cabeça no travesseiro todos os nossos medos nos visitam. Eminem canta e seu público também: “Não temo tomar uma posição/ Todo mundo venha segurar minha mão/ Caminharemos essa estrada juntos, através da tempestade/ Em qualquer clima, frio ou quente/ Apenas saiba que você não está só/ Grite se você sentir que tem estado pra baixo também.”

Recovery é o sétimo álbum de estúdio do rapper. Na primeira semana de lançamento vendeu 700 mil cópias. Alcançou a 1ª posição na Billboard 200 e se tornou o sexto álbum consecutivo a alcançar o primeiro lugar nas paradas de vendas nos EUA. Em quatro meses, o álbum havia vendido cerca de 3,4 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos. A mídia gosta de ver alguém cair, mas como é bonito – e preciso destacar – quando alguém se levanta.

Minha preferida é Space Bound. Ela me eleva. Enquanto toca eu não sinto o chão. Corro, corro, e meus pensamentos fogem. E isso é o mais incrível na música. A canção certa é capaz de fazer sua vida mudar de rumo. E é sempre um rumo que busco enquanto corro. A mente se expande, os sentimentos desligam. Recovery é uma experiência de liberdade sem julgamentos, porque ninguém mergulhou tão fundo quanto Eminem.

Quem ainda não ouviu, ouça. Mesmo quem não gosta do gênero – embora o disco esteja mais melódico. Perceba “Love the Way You Lie”, que ele canta com a Rihanna, que a propósito ficou cinco semanas em primeiro lugar no mais importante ranking da Billboard. Sinta “No Love” – linda – , “Going Through Changes”, “25 to Life” e “You’re Never Over”, uma homenagem ao rapper Proof, morto em 2006.

Autocrítica. Erros. Volta. 80 milhões de discos vendidos no mundo. Cronometro. Meu tempo está acabando e percebo uma energia diferente. Um vigor, uma leveza. Tudo é novo depois de uma corrida. Ou seria depois de ouvir um bom disco? Prometo melhorar o meu tempo no próximo artigo.

(Escrevi este artigo para a Rede Brasil Diário www.saopaulodiario.com)